O trabalho de enlace do FSM

Fórum Social Mundial em processo Por Moacir Gadotti   O FSM 2009 terá importantes pautas além do tema do aquecimento global. Entre elas, o reexame de seu...

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Fórum Social Mundial em processo

Por Moacir Gadotti

 

O FSM 2009 terá importantes pautas além do tema do aquecimento global. Entre elas, o reexame de seu próprio formato e de suas estratégias de ação. Muitos vêm alertando que o FSM está perdendo sua força de intervenção na construção de um outro mundo possível, considerando-o como um processo em fase de esgotamento. Sua capacidade de facilitar o processo de articulação da sociedade civil global ficou limitada a um espaço de auto-organização, ainda pouco qualificado, mesmo reconhecendo-se a grande vitalidade dos Fóruns regionais e nacionais. Ainda não conseguimos, a eficácia necessária para impulsionar o processo de mobilização em nível global. O principal desafio agora é fazer a conexão entre as lutas locais e nacionais com objetivos mundiais, ampliando alianças, fortalecendo lutas, criando alternativas ao neoliberalismo dominante. Um espaço aberto facilita a ação dos grupos mais organizados em detrimento do conjunto de atores sociais.
Para além de ser um espaço livre, o FSM precisa atuar como rede. Articular significa dar visibilidade. O que não tem visibilidade não existe. Não estamos conseguindo dar visibilidade ao que os movimentos sociais e ONGs estão fazendo, dando a impressão de que pouco está sendo feito. O argumento de que não é o FSM que vai construir um outro mundo possível e sim a sociedade civil global é espontaneísta e desmobilizador. Há sim um trabalho de enlace das redes altermundistas que cabe ao Conselho Internacional (CI) e aos Comitês Organizadores dos Fóruns. O FSM não pode ser um movimento disperso. Ele surgiu exatamente para reunir forças contra o neoliberalismo. Trata-se de facilitar a ação global. Sequer conseguimos construir parâmetros de comunicação, imprescindíveis para esse trabalho de enlace. Há muitas pessoas e organizações que gostariam de se associar à causa do FSM, e não conseguem saber aonde devem se dirigir para obter as poucas informações disponíveis. Sem uma comunicação eficiente, dificilmente o FSM poderá tornar-se mundial. Temos muito trabalho pela frente. Somos uma sociedade de redes e de movimentos. É nesse novo contexto que o protagonismo da sociedade civil global, tão impulsionado pelo FSM, pode se dar. A globalização das tecnologias e da comunicação pode facilitar muito a realização dessa missão. Encontros, fóruns, congressos e seminários não se constituem propriamente numa novidade. O que é novo no FSM é sua capacidade de facilitação do processo de organização e ação da sociedade civil global. A tarefa do CI, enquanto facilitador do processo do FSM, não é, certamente, a de indicar quais são as lutas prioritárias. Já superamos essa fase do debate. Mas, seu papel é estratégico na criação de instrumentos de enlace, de uma inteligência coletiva, ou melhor, de um sujeito coletivo. O processo do FSM continuará difuso, como é hoje, mas mais articulado, se quiser ser mais eficaz. A autoridade do CI, enquanto facilitador, advirá cada vez mais da sua capacidade de “trabalhar por” e não de “pensar por”, sustentada por uma visão estratégica do processo.
Em uma rede, o que conta é o coletivo em permanente ação. Organizações desse tipo são “caórdicas”, isto é, combinam elementos da ordem e do caos. A ordem é constituída pela missão, que é permanente, e o caos é constituído por estruturas em permanente mudança, adequando-se e adaptando-se aos fins e aos objetivos propostos na missão organizacional.
Há perguntas que não se calam dentro do FSM: Como passar do pensamento crítico para o pensamento afirmativo? Como tornar o Fórum uma força política realmente transformadora? O que precisamos fazer para avançar? O FSM 2009, a ser realizado em Belém, deverá ser crítico e denunciar os efeitos perversos da globalização capitalista, mas terá perdido uma grande oportunidade se não for profundamente afirmativo e organizativo. Cada vez mais sentimos falta de um FSM como ator político, contraposição articulada às políticas neoliberais. Porque o capitalismo não é o destino da humanidade, precisamos mostrar, reafirmar e aprofundar nossas lutas e nossas conquistas.
Dentro do FSM mistura-se o velho e o novo. Todos sabemos que se trata de um processo que demanda tempo, organização e muito trabalho. Mas precisamos ter clareza do caminho a seguir coletivamente. Não se trata de alguns indicarem o caminho para a maioria. Trata-se de chegar lá todos juntos… e em tempo. Por isso é que precisamos continuar nos colocando a questão do caminho a seguir… sempre.
No próximo número falaremos do Dia de Mobilização e Ação Global. F

Agenda
Fórum Mundial de Educação da Baixada Fluminense – 27 a 30 de março – Nova Iguaçu (RJ). www.forummundialeducacao.org.
Fórum Mundial de Educação Santa Maria. Tema geral: “Educação, economia solidária e ética planetária” – 28 a 31 de maio de 2008 – Santa Maria (RS). www.forummundialeducacao.org.
III Fórum Social da Tríplice Fronteira – 5 a 7 de junho – Foz do Iguaçu (PR). comitelocaltriplicefronteira@hotmail.com
Fórum Social Regional de London – 12 a 15 de junho – London, Ontário, Canadá.
www.rsflondon.ca
Leia mais: www.forumsocialmundial.org.br



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