Primeiras Perguntas

Fórum Social Mundial em processo Por Moacir Gadotti   Nessa edição da Revista Fórum, iniciamos uma coluna que abordará temas ligados ao processo do Fórum Social Mundial...

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Fórum Social Mundial em processo

Por Moacir Gadotti

 

Nessa edição da Revista Fórum, iniciamos uma coluna que abordará temas ligados ao processo do Fórum Social Mundial e de outros Fóruns a ele associados. Não será uma coluna do FSM, porque ninguém pode falar em nome dele, de acordo com sua Carta de Princípios. As opiniões aqui emitidas são de responsabilidade apenas do seu autor.
As edições do Fórum Social Mundial têm se constituído em momentos de reencantamento pela vida, pela luta, pela resistência. Quando alguém olha para qualquer um dos seus auditórios, sempre lotados, se emociona e se pergunta: “o que está nascendo de novo neste espaço”? A certeza é que algo está acontecendo, embora não seja tão visível. Há a sensação de que algo maravilhoso está acontecendo, mas há mais perguntas do que respostas. Isso tudo une cada vez mais gente que deseja viver numa sociedade mais feliz, mais produtiva, mais justa, mais bonita, mais sustentável.
“É perguntando que encontramos o caminho”, dizem os zapatistas. O Fórum Social Mundial tem congregado pessoas, organizações e movimentos sociais em torno do lema um outro mundo é possível. O desafio é grande. É preciso muita lucidez e força para tornar real o que é possível. Para isso, ajuda perguntar pelo caminho.
Não basta afirmar que outro mundo é possível. É preciso mostrar como. Pensando nisso é que gostaria de iniciar esse primeiro texto com algumas interrogações, que se traduzem por quatro perguntas inseparáveis.
– Por que devemos mudar o mundo?
– Porque a globalização neoliberal é um modo injusto de produzir e reproduzir a nossa existência e põe em risco a existência do próprio planeta. Ela produz guerras, terrorismo, fome, a miséria de muitos e o bem-estar de poucos
– A quem interessa mudar o mundo?
– Certamente, quem está se beneficiando deste mundo não vai se interessar em mudá-lo. A mudança virá daqueles que sofrem, dos injustiçados e excluídos e daqueles que com eles se comprometem e lutam. Não só dos pobres e oprimidos, mas de todos e de todas que se comprometem com a mudança.
– O que é esse outro mundo possível?
– As coisas começam a se complicar. Precisamos de respostas, mesmo que provisórias. Movimentos sociais ligados às causas ambientais, de direitos humanos, raciais, étnicas, de gênero, entre outros, estão nos indicando o caminho: um mundo não apenas produtivo, mas ambientalmente saudável, social e economicamente justo, com eqüidade de gênero.
– Como construir esse outro mundo possível?
– Como não se trata de um paraíso a ser conquistado, o outro mundo possível já está sendo construído. Não é uma utopia longínqua. Não é um dado, nem um produto, é um processo.
O novo milênio começou em Porto Alegre. Em janeiro de 2001 começou uma grande caminhada por um outro mundo possível. O lançamento do Fórum Social Mundial mostrou que não estamos determinados a viver num mundo insolidário. Algo novo nasceu em Porto Alegre. Vamos acompanhar essa história.
No próximo número, trataremos da metodologia do Fórum Social Mundial. Acompanhe também a agenda de even¬tos ligados ao FSM nesta página.



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