Todas as vítimas

Editorial de julho Por   Esta edição da Fórum traz novos dados sobre o período que se convencionou chamar de “semana do terror” no estado de São...

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Editorial de julho

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Esta edição da Fórum traz novos dados sobre o período que se convencionou chamar de “semana do terror” no estado de São Paulo. Foram 492 vítimas de armas de fogo, um número anormal para um período tão curto, apenas nove dias. Antes, o crime organizado havia vitimado 24 policias militares, oito policiais civis, seis agentes de segurança penitenciária e três guardas municipais.
Há algo comum em todas essas mortes: a origem socioeconômica das vítimas. Todos os policiais eram de baixa patente e, entre os 492 mortos, quase todas as ocorrências se deram nas regiões mais pobres do estado. Não é coincidência. A vida dos menos favorecidos parece valer cada vez menos. Independente do lado, seja o da lei, do crime ou ainda mesmo quem não tem lado.
Mesmo sabendo das difíceis condições vividas pelos servidores da Segurança Pública do estado de São Paulo e por seus familiares, tanto naquela “semana do terror” como em muitos outros dias, Fórum focou as vítimas civis. Não por preconceito ou qualquer outro motivo. A decisão foi pura e simplesmente conceitual.
A revista compreende e se solidariza com a dor das famílias dos policiais, entende o drama vivido por aqueles que estão sendo atacados constantemente, mas não aceita que em nome disso a lei vá à lona. Não aceita que se desconsidere o Estado de Direito para combater o que quer que seja. Fórum defende o marco democrático e está convencida de que em São Paulo, em nome de um suposto jeito de dar segurança à população, ele está em risco. A sociedade civil precisa reagir rápido. Não se dá segurança a uns, impedindo o direito de outros. E criminalizando-os em razão de sua situação social.



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