Um ator político novo

O Fórum Social Mundial completa, neste ano, sete anos de existência com um debate importante sobre o seu formato inicial. No centro desse debate está a seguinte questão: é o Fórum que deve atuar,...

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O Fórum Social Mundial completa, neste ano, sete anos de existência com um debate importante sobre o seu formato inicial. No centro desse debate está a seguinte questão: é o Fórum que deve atuar, diretamente, ou ele deve tornar-se um facilitador e promotor da auto-aglutinação das causas globais da sociedade civil?

Por Por Moacir Gadotti

 

O Fórum Social Mundial completa, neste ano, sete anos de existência com um debate importante sobre o seu formato inicial. No centro desse debate está a seguinte questão: é o Fórum que deve atuar, diretamente, ou ele deve tornar-se um facilitador e promotor da auto-aglutinação das causas globais da sociedade civil?
É nessa direção que devemos ler o “apelo” de Bamako, de janeiro de 2006, um chamado à necessidade de articular o surgimento de um sujeito político coletivo novo.
Não se pode mudar o mundo sem sujeitos capazes, organizados e dispostos a mudar. Tudo isso existe, mas de forma pouco articulada, pouco “auto-organizada” e ainda pouco organizada em rede.
Desde o início, o FSM se propôs exatamente a isso: a ser um espaço de organização, de empoderamento das causas sociais globais. Nesse sentido, o “Manifesto de Bamako” não trouxe nenhuma novidade, mas serviu para reforçar a necessidade de tornar o FSM mais eficaz em sua ação transformadora.
O Fórum Social Mundial é um êxito como espaço livre e auto-organizado, mas esse formato inicial está sendo questionado. O problema é saber o que deve mudar e pode mudar, sem descaracterizar sua missão original. Devemos reconhecer que, se avançamos no campo dos eventos, não tivemos o mesmo êxito no que se refere ao processo. Não conseguimos articular de forma eficaz os eventos ao processo de construção de alternativas ao neoliberalismo.
Há dois anos o Conselho Internacional está preocupado com a perda da força do FSM, uma redução do impacto ligada ao seu formato inicial, segundo alguns. Temos que incidir na política, nas instituições, no mundo real, para que esse outro mundo seja realmente possível.
O FSM tornou-se um símbolo da esperança coletiva e a expressão mais visível da sociedade civil global. Nossa força política está no capital de esperança que acumulamos e na nossa capacidade de mobilizar a sociedade civil global. Contudo, não soubemos ainda transformar toda a nossa capacidade de mudança em ação política realmente nova.
Ter ou não ter uma agenda política global: eis a questão! E se assumirmos uma agenda política global, vem a segunda questão: quem vai assumir, e como, a governabilidade dessa agenda? Com que instrumentos e com que direção política?
Dependendo da resposta que dermos a essas perguntas, poderá faltar um pequeno passo para cairmos numa nova internacional: da internacional comunista à internacional altermundista! Isso não pode acontecer.
O Fórum deve ter uma agenda própria, até mesmo para continuar como espaço livre e auto-organizado, como principal ator que já é do movimento global da altermundialização. Uma coisa não impede a outra. Ao contrário, uma coisa necessita da outra, complementa a outra: os eventos são espaços privilegiados da auto-organização. A agenda consolida o processo altermundista.
O FSM certamente não será um ator político no sentido partidário do termo. Ele continuará instrumento, meio, da sociedade civil planetária. Essa sim se constitui no novo ator político. Dentro dessa perspectiva, está claro que a nova metodologia do FSM adquire um papel ainda mais determinante.
No próximo número, trataremos do tema educar para outro mundo possível.



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