Um sintoma de algo maior

Editorial de Janeiro Por   O mais antigo conflito armado do continente americano passa por um momento delicado. A pressão internacional e o aceno de avanços nas...

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Editorial de Janeiro

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O mais antigo conflito armado do continente americano passa por um momento delicado. A pressão internacional e o aceno de avanços nas negociações de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (Farc-EP) estão no noticiário e indicam mudanças entre o final de 2007 e o início de 2008. Em maio de 2008, completam-se 44 anos de existência das Farc. Nesse período, as tentativas de negociação e de repressão se intercalaram. Os grupos paramilitares e o narcotráfico são elementos que tornam o cenário mais complexo, ainda mais por conta do papel da coca e da papoula na economia do país.
A confiança entre as partes envolvidas praticamente não existe e cada qual tem seu histórico de crimes e crueldade. Se hoje as Farc se utilizam do hediondo método do seqüestro para forçar negociações, quando a esquerda do país tentou se organizar em um partido político, a partir de um acordo firmado em 1985, foi vítima de um verdadeiro massacre. Inúmeros desaparecimentos e assassinatos em série, com a participação e/ou anuência do aparelho do Estado, vitimaram não apenas as lideranças e os militantes do novo partido, mas qualquer possibilidade de se efetivar um pacto político no plano institucional. A adesão do governo de Álvaro Uribe ao Plano Colômbia só fez acirrar ainda mais o clima de hostilidade.
Não se pode isolar a situação da Colômbia do resto do continente. Os elementos que causam a instabilidade do país estão presentes em toda a América Latina, como as oligarquias políticas e econômicas que teimam em não abrir mão do seu quinhão de poder, um Estado que serve mais ao patrimônio de poucos do que à maior parte da população. A desigualdade que se perpetua, aliada à interferência externa, em maior ou menor grau, dos Estados Unidos, forma um caldo que leva as nações a um inevitável confronto violento.
E é de análises mais profundas que a América Latina precisa. Tratar a questão colombiana sob uma ótica policialesca ou do ponto de vista da estratégia de guerra não resolverá o problema. É preciso tocar no ponto vital, que é a participação de todos no sistema democrático, que caminha ainda a vagarosos e penosos passos. Lutar para que a democracia não seja somente um simulacro que na maior parte dos países funciona como um agente da acomodação perante as injustiças sociais. Injustiças estas que gritam diante de uma pequena platéia, acostumada às benesses seculares da desigualdade, mas que se recusa a escutar.

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