Um tema, que tal educação?

Especial eleições 2006 Por   A disputa eleitoral que se encerrou no último dia 29 de outubro será ainda investigada por muitos estudiosos, mas algumas observações já...

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Especial eleições 2006

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A disputa eleitoral que se encerrou no último dia 29 de outubro será ainda investigada por muitos estudiosos, mas algumas observações já podem ser feitas a respeito.
A principal é que se tratou de uma guerra política de altíssima intensidade e sem precedentes na história nacional. Como conseqüência, antes e depois de abertas as urnas, o número de lideranças que tombaram nesse processo é recorde. De todos os lados envolvidos. A vitória de Lula garante a permanência de um certo núcleo dirigente à frente do governo nos próximos quatro anos, mas com personagens centrais diferentes. Mesmo que ainda venha a ter força, o PT de São Paulo, por exemplo, que tinha quase uma dezena de nomes expressivos para compor o ministério em 2002, agora terá de se contentar com a periferia do jogo. Ao menos na primeira fase deste novo mandato de Lula.
Mas se engana quem contabilize perdas apenas no petismo. Entre os que combateram o governo que se reelege, mais peças ficaram fora do jogo.
O PFL, por exemplo, teve seu poder no Nordeste praticamente ceifado. Foi a força da sigla nesta região que levou FHC a buscá-la para um modelo de aliança, como ele gosta de dizer, do Brasil moderno com o atrasado. Ou seja, do baronato sulista com os coronéis do sertão. O Bolsa-Família e um conjunto de outros programas do governo Lula parecem ter conquistado o nordestino para novos projetos políticos.
Mas perderam também PSDB, PPS, PDT, PL, PP…
Muitos partidos saem menores ou menos importantes para as novas disputas.
De qualquer forma, depois desse duro e desgastante processo, talvez seja hora de redimensionar a ação política. Por exemplo, qual deve ser a nova pauta do movimento social e o quanto ela deve ser independente da lógica e do tempo das eleições e dos governos?
Não seria o caso de se definir temas amplos que envolvessem diferentes atores político-sociais, mobilizando a sociedade? Que temas hoje são suficientemente amplos e que têm essa força de atração?
Seria grandioso se algumas das tantas organizações sociais brasileiras que participam do processo do Fórum Social Mundial debatessem algo nessa linha e elaborassem um grande projeto de atuação. Um projeto de médio e longo prazo.
Pode parecer ingenuidade dos responsáveis por esta publicação, mas há um tema no Brasil que precisa de um movimento. De um grande movimento. Ele pode passar a fazer parte da pauta de reivindicações dos trabalhadores, atrair setores da classe média e ter força para sensibilizar setores do empresariado. O tema é educação pública de qualidade.
Todas as outras lutas teriam seu espaço, seus calendários e suas especificidades respeitadas, mas a educação pública seria reivindicação de todos, de alguma forma, unificando as lutas. Seriam as “diretas já” desse próximo período.
Evidente que, para que isso seja levado à frente e não se torne apenas mais uma palavra de ordem, é fundamental construir uma pauta e uma estratégia. Só assim poderá sair do abstrato e ganhar um sentido real, em que todos assumam seu papel na luta. A educação agrega todas as lutas. Reforma agrária, democratização dos meios de comunicação, defesa do meio ambiente, saúde de qualidade, crescimento sustentável, distribuição de renda, fim do trabalho infantil, combate à discriminação racial… Não há o que não ganhe se a educação for a grande prioridade do movimento social. Quanto ao governo, como sabemos, ele se movimenta por pressão. Seja quem for o governante.



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