Vitrine Solidária

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A Fórum dedica este espaço à divulgação de iniciativas ligadas à economia solidária. Se você participa ou promove algum tipo de empreendimento relacionado ao comércio justo e solidário, entre em contato conosco para divulgá-lo

Por Brunna Rosa

 

Nós do Morro, 21 anos na comunidade do Vidigal
Em 1986, surgia na comunidade do Vidigal um grupo de teatro cheio de idéias na cabeça. Durante essas duas décadas, foram encenadas 75 peças que mudaram a vida de quem assistiu e, principalmente, de quem atuou. O morro do Vidigal, berço do Nós do Morro, fica na zona Sul do Rio de Janeiro, entre o Leblon e São Conrado. Ocupa uma área de 74 mil m2 e tem atualmente cerca de 30 mil moradores. Já foi uma fazenda de gado, e começou a ser ocupado em 1941.
A Associação de Moradores foi criada em 1958 para evitar uma ação de despejo. E a comunidade do Vidigal não parou de crescer, tornando-se um exemplo da diversidade cultural e social que marca o Rio, cuja população é confrontada com a desigualdade social, com o precário acesso aos bens sociais e culturais. Nesse contexto, Fernando Mello da Costa, Fred Pinheiro e Luís Paulo Corrêa e Castro foram os amigos que dividiram com Guti Fraga o sonho de fazer um grupo de teatro na comunidade.
A professora Maria José Silva, a Zezé, se somou à trupe em 1990, seguida dos cineastas Rosane Svartman e Vinícius Reis. Ao ingressar em 1995, fundaram o Núcleo de Cinema do Nós do Morro, iniciativa fundamental para a realização de diversos projetos. Depois, em 2001, o produtor artístico José Araújo Gonzaga chegou para viabilizar parcerias e produções artísticas.
“Aqui, mais do que viver arte, nós vivemos cidadania, solidariedade e disciplina”, afirmou Guti Fraga. E comemora: “outro ponto muito legal é o caráter multiplicador do nosso trabalho, que hoje atende também a população do interior do estado. Já estamos realizando trabalhos em Saquarema, Itaocara, Japeri e Nova Iguaçu”. Desde sua criação, o Nós no Morro já atendeu 1.600 jovens e adultos participantes das oficinas para formação de atores e técnicos em artes cênicas. Em comemoração, o grupo anuncia que terá sua história contada em um livro patrocinado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio da Lei Rouanet. A publicação será acompanhada de CD-ROM com imagens das peças encenadas pelo grupo e filmes com a participação de alunos do projeto.
Mais informações em www.nosdomorro.com.br ou pelo
telefone: (21) 3874-9411.

O grupo Meninas de Sinhá lança CD com cantigas de roda
Dona Valdete, do bairro Alto Vera Cruz, zona periférica de Belo Horizonte, cobrava direitos básicos como saúde, educação e habitação das autoridades locais. Porém, outros problemas também a inquietavam.
“Eu andava pela comunidade e via as mulheres cheias de sacolas de remédios, antidepressivos, isso me entristecia demais”, confidenciou a líder comunitária, que desde o final da década de 1980 promove encontros no projeto Lar Feliz para modificar essa realidade.
Após alguns avanços e inúmeras dificuldades, Valdete ajudou a formar, em 1998, o grupo Meninas de Sinhá. Dos encontros semanais, foi nascendo a vontade de cantar, dançar e relembrar cantigas de roda, cirandas e brincadeiras infantis de tempos antigos. A brincadeira do grupo acabou se transformando no seu principal objeto artístico, a preservação da memória e a difusão da cultura popular. Ao longo dos anos, as Meninas de Sinhá foram se aprimorando e já se apresentaram junto a grandes nomes da música popular brasileira, como Jair Rodrigues, e tiveram participação especial no filme Uma Onda no Ar de Helvécio Ratton. Assim, visitaram vários estados e municípios no Brasil, em especial, as nove cidades do Vale do Jequitinhonha e Mucuri, em Minas Gerais, com dinâmicas, oficinas, debates e apresentações artísticas de seu repertório, visando estimular novas iniciativas culturais.
O grupo, composto por 50 mulheres entre 39 e 94 anos, contribui no Centro Multiculturalismo Comunitário, que junto com o Capoeirarte Brasil e o Negros da Unidade Consciente, faz a associação de bairro ser um intercâmbio cultural dos jovens da região. A partir de 2004, as Meninas de Sinhá começaram a participar da Rede Telemig Celular de Arte e Cidadania, iniciativa voltada a compartilhar tecnologias sociais e experiên¬cias artísticas. A parceria foi encerrada em 2007, logo após o lançamento do primeiro CD do grupo, Tá Caindo Fulô.
Dona Valdete também se orgulha de outro feito do grupo. “Também criamos o Netinhas de Sinhá, grupo formado por 24 crianças que cantam e dançam as cantigas de roda”, comemora. “Hoje as mulheres daqui não são mais Amélias, elas são donas de si e fazem o que gostam.”
Mais informações, ligue para Valdete Cordeiro, (31) 8725-6752, ou
Tatiana Cavinato, produtora do grupo Meninas de Sinhá, tatiana@duo.inf.br.



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