Em Nairóbi: o V Fórum Mundial de Educação

Artigo Por Moacir Gadotti   Os Fóruns Mundiais (de Cultura, Educação, Autoridades Locais, etc), na esteira do Fórum Social Mundial têm traduzido uma outra lógica de poder,...

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Artigo

Por Moacir Gadotti

 

Os Fóruns Mundiais (de Cultura, Educação, Autoridades Locais, etc), na esteira do Fórum Social Mundial têm traduzido uma outra lógica de poder, uma lógica de ação em rede, coletiva, solidária e pluralista Muitos debates foram realizados e continuam se realizando, muitas faixas foram penduradas no Gigantinho de Porto Alegre, no Mineiri-
nho de Belo Horizonte, em Cartagena, em Mumbai, em Paris, em Upsala… e ern tantos outros lugares. Muitas bandeiras foram erguidas muito alto, em defesa da vida, pela ética na política, pela sustentabilidade, pela solidariedade, por tantos outros sonhos e utopias.

Na coluna deste mês, vou fala do Fórum Mundial de Educação que realiza a sua quinta edição, em Nairóbi, juntamente com a sétima edição do FSM.

O FME nasceu durante a primeira edição do FSM, em janeiro de 2001, para impulsionar no seu interior a luta pelo direito à educação. Em sua primeira edição, em outubro de 2001, o PME elegeu como temática central “Educação no mundo globalizado”, e na segunda, em janeiro de 2003, “Educação e transformação”. Na edição seguinte, 2004, foi discutida a construção de uma Plataforma Mundial de Educação que será o grande tema em Nairóbi. Em Caracas, na quarta edição, foi discutido o tema da luta por um projeto de educação.

Muitos Fóruns educacionais regionais, nacionais e temáticos foram realizados desde então. Hoje, o FME constitui-e num grande movimento mundial pela cidadania planetária, em defesa do direito do direito universal à educação. Para um “outro mundo possível”, uma educação é necessária.

Em seis anos de existência, o FME conquistou um espaço próprio no campo da educação, articulando ONGs e movimentos sociais. Com uma estrutura similar a do FSM, o FME existe como espaço livre e auto-orgnizado. Seus eventos transformaram-se em espaços institucionais de construção de alianças e de formação de novas redes solidárias.

O neoliberalismo concebe a educação como mercadoria, reduzindo nossas identidades às de meros consumidores, desprezando o espaço público e a dimensão:humanista da educação. Opondo-se a esta concepção, o FME defende uma conçepção emancipadora da educação, que respeita e conviver com a diferença, promovendo a intertransculturalidade.

O Fórum Mundial de Educação, na mesma perspectiva do Fórum Social Mundial, sustenta-se em dois pilares básicos: a construção de uma alternativa ao projeto neoliberal e o pluralismo de idéias e métodos. É um espaço plural, não-confessional, não-governamental e não-partidário, autogestionado, verdadeiramente mundial.

A Plataforma Mundial de Educação a ser debatida em Nairóbi deverá avaliar, reconhecer e incorporar as lutas históricas de numerosos educadores e de suas organizações. As experiências de alternativas concretas ao projeto pedagógico neoliberal se constituem em uma referência para a Plataforma. Soluções mágicas para enfrentar os desafios da educação, todos sabemos, não existem. Porém, alguns princípios, defendidos historicamente e consolidados pelos educadores, são conquistas a serem incorporadas na Plataforma.

Nosso maior desafio estará na metodologia participativa e cidadã de sua constituição. Neste processo coletivo é que conseguiremos definir com maior clareza os rumos, as estratégias e a estrutura desse histórico documento de lutas em defesa da educação pública de qualidade.

Que lições podemos tirar desses Fóruns?

A maior delas é que eles mostram como o povo pode fazer história. Os Fóruns colocaram o povo como grande sujeito. Os movimentos sociais não querem ficar na platéia, na arquibancada. A Sociedade Civil Global não quer ficar assumindo o papel de protagonista deste “Outro mundo possível”, desta “outra educação necessária”, fazendo cobranças para que a esperança se torne realidade. Porque o neoliberalismo ainda está vivo, ainda não fui derrotado.

No próximo número trataremos do tema “mudar o mundo sem tomar o poder”



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