O desafio de mundializar a luta

Unir a esquerda mundial em um mesmo evento sem princípios excludentes a esta ou àquela corrente é uma tarefa árdua à qual se dedica o Fórum. Os resultados obtidos desde a primeira edição são...

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Unir a esquerda mundial em um mesmo evento sem princípios excludentes a esta ou àquela corrente é uma tarefa árdua à qual se dedica o Fórum. Os resultados obtidos desde a primeira edição são evidentes

Por Anselmo Massad

 

Ao surgir, em janeiro de 2001, o Fórum Social Mundial conseguiu se tomar a única estrutura com alcance de fato global na luta contra o capitalismo, em sua fase atual sob alcunha de neoliberalismo. O adjetivo “única” é enfaticamente destacado pelo sociólogo norte- americano lmmanuel Wallerstein, porque ele não se refere apenas ao presente, mas “pelo menos aos últimos 150 anos da história mundial da esquerda”. Isso está longe de significar consensos do pensamento progressista mundial, mas dá uma idéia da importância do FSM.
O intelectual norte -americano explica que foi a primeira vez que as pessoas não foram excluídas de um movimento de esquerda. Isso porque, durante o século XX, seja por meio de estruturas sindicais mundiais, seja pelas Internacionais Socialistas, a organização entre entidades de vários países caminhava, em pouco tempo, a divisões e à criação de novos organismos. Ao propor uma Carta de Princípios em defesa da vida e contra o lucro sem- limites, a exploração de pessoas e dos recursos naturais do planeta, o FSM convocava todas as pessoas ou movimentos que lutavam de alguma forma contra a política e a economia neoliberal.
Com a primazia da diversidade, o modelo foi o contraponto ao Fórum1 Econômico Mundial. Desde 1977 realizado anualmente em Davos, estância turística localizada nos Alpes Suíços, governantes e grandes empresários de transnacionais nele se encontravam para discutir — ou definir — o futuro do mundo.
Em Porto Alegre, se reuniam ambientalistas, sindicalistas, grupos de defesa dos direitos humanos, da diversidade sexual, da questão de gênero, da cor da pele, do acesso à água, da economia solidária, em defesa da taxação dos mercados de capital, de oposição aos organismos multilaterais, da comunicação alternativa, entre outras áreas de atuação.
“O FSM é um processo que envolve atores sociais em várias partes do mundo e questiona o atual modelo de globalização e suas políticas neoliberais”, sintetiza Sérgio Haddad, coordenador da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), uma das entidades fundadoras do FSM. “O Fórum distingue-se ainda pelo método utilizado, que envolve, crescente e mundialmente, atores sociais, movimentos, redes e organizações, de forma participativa e voluntária. Não só envolve e dinamiza redes e movimentos como potencializa a formação de novas articulações”, sustenta.
Para Boaventura de Sousa Santos, em entrevista à revista Margem Esquerda, da Boitempo Editorial, o FSM não ocorreu por causa da esquerda, mas apesar do pensamento dominante na esquerda. “Por um lado, foi fundamental ia transformação do pensamento crítico e de esquerda, por exemplo, em uma direção pós-colonial. Por outro, pela primeira vez foi construído um sistema no qual as organizações e os movimentos, em todos os continentes puderam se juntar, se conhecer e começar a saber que existem, a convergir e trabalhar com outra filosofia. Há uma idéia de que não estamos sós; o movimentação indígena latino-americano percebe que existe movimento indígena na Austrália, na Nova Zelândia, no Canadá. Há, também, a busca por alternativas, sem que alguém tenha a alternativa ideal. O problema é que as teorias não foram elaboradas para abarcar a riqueza que estamos vivendo. Necessitamos de uma ecologia de teorias e práticas de esquerda.”

Conquistas
O primeiro encontro de Porto Alegre ocorreu em um contexto qual os grandes veículos de comunicação, os organismos multilaterais e a maior parte dos governos nacionais de todas as partes trabalhavam, desde meados da década de 1980 e mais radicalmente depois da queda do Muro de Berlim, como se não houvesse nada além das políticas de redução do Estado com privatizações e cortes de serviços públicos, com desregulamentação da legislação trabalhista e ambiental. As políticas neoliberais que entregam ao mercado todo o controle sobre a sociedade chegaram a servir de base para a teoria do “fim da história” — a mais simbólica da petulante visão de mundo conservadora —‘ que alardeava que as contradições da sociedade haviam terminado com a derrocada dos países comunistas do Leste Europeu e do Norte da Asia. Afirmar que “outro mundo é possível”, em 2001, significava buscar outros pensamentos e teorias para explicar o mundo e enfrentar suas contradições.
O segundo FSM, em janeiro de 2002, teve papel semelhante de romper com o discurso dominante. Chamado de “Fórum da Paz”, foi o primeiro depois dos atentados de 11 de setembro às Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, e ao Pentágono, em Washington, e à conseqüente política antiterror dos Estados Unidos. Em janeiro de 2002, depois da – ocupação da ONU no Afeganistão, comandada pelas forças da Casa Branca, o presidente norte-americano George W. Bush batizou os “lados” conf1itante os do eixo do “bem”, alinhados, e os do mal — em cujo centro estavam Iraque, Irã e Coréia do Norte. Diante da pragmaticamente simplista visão de mundo apresentada, o segundo Fórum serviu para reafirmar que defender a paz significa não estar em nenhum dos eixos de Bush, mostrando que há outras posições a se ocupar.
Foi contra a ocupação no Iraque uma das ações globais de maior repercussão. No dia 15 de fevereiro de 2003, milhões de pessoas foram às ruas em cidades de todo o mundo protestar contra a guerra do petróleo e para pedir paz. Ainda que as manifestações não tenham sido empecilho de fato para o presidente Bush — assim como não o foi o veto do Conselho de Segurança da ONU- nem toda a falta de evidência de elos do então laico ditador iraquiano Saddam Hussein coma rede terrorista AZ- Qaeda nem de presença de armas químicas ou biológicas —, elas são um exemplo sempre citado por ativistas e intelectuais ligados aos fóruns.
Há outros exemplos comumente citados, como a interrupção das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e dos referendos nacionais da Constituição da União Européia. O impasse na Rodada de Doha das conversações da- Organização Mundial do Comércio para liberalizar o comércio e os serviços, cuja última etapa ocorreu em Hong Kong, é outro resultado das mobilizações dos movimentos altermundistas. A pressão social permitiu aos países pobres manterem suas posições.
As trocas de experiências e idéias entre movimentos e organizações e a conseqüente articulação conjunta de ações é outro avanço do Fórum. Seja em questões amplas, como a paz, seja em lutas específicas, como o direito à água enquanto bem público, a articulação dos movimentos é uma possibilidade criada e incentivada pela forma de organização do processo. O plebiscito que aferiu à água o status de bem público não-privatizável no Uruguai em 2004 e a nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia são exemplos locais de sucesso de propostas correntes em fóruns.
A horizontalidade é uma formulação construída no processo do Fórum, a partir de 2003, quando as conferências e testemunhos a cargo do Comitê de Organização deixaram de existir, e todos os eventos passaram a ser autogestionados. Os movimentos precisam se articular entre si para garantir conferências de maior destaque no evento. O resultado dessas trocas são as redes mundiais de movimentos e organizações, que se articulam via internet e nos féruns mundiais (leia mais na página 18).
A partir disso, -temas que antes tinham pouca projeção passaram a ter relevância em âmbito mundial. A economia solidária, que abarca desde empreendimentos de auto- gestão até iniciativas de comércio justo e consumo consciente, foi capaz de grandes avanços devido ao contatos internacionais. No Brasil, por exemplo, o tema ganhou um
fórum temático que conseguiu, por pressão, a criação de uma secretaria nacional vinculada ao Ministério do Trabalho, hoje comandada pelo professor Paul Singer.
Os softwares livres, antes restritos a meios técnicos de pessoas com conhecimento avançado de computadores, tiveram uma projeção maior. O sistema operacional GNU/Linux e as licenças livres ou abertas – distinção de correntes importante na luta contra o monopólio da Microsoft, Oracle e cia – ganhou projeção junto a leigos em informática. Sindicatos e ONGs passaram a se preocupar com o tipo de programa que rodavam em suas máquinas. O tema também tem fórum temático internacional já na oitava edição.

Descentralizar
A possibilidade de maior horizontalidade, porém, está longe’ de, assegurar uma – troca eficiente e- constante entre os movimentos. Fosse assim, a cobrança por resultados do Fórum seria bem menos intensa, já que a formação de redes em função do evento seria atuante o .suficiente para se perceber as conquistas. “O maior problema do FSM é o que ocorre além do FSM”, coloca Boaventura de Sousa Santos. “E um encontro que dura alguns dias, mas, depois, não há uma forma mais densa de articulações, as transformações ficam esquecidas. Mas, dialeticamente, é a escala global da luta, tornada possível pelo FSM, que abre novos espaços e cria energias para as lutas nacionais e locais. Por vezes, as contradições nacionais são mais consistentes politicamente do que as contradições globais. E por isso que, em muitos países, é mais difícil organizar um fórum nacional do que organizar a participação nacional no FSM.”
Em certo grau, a percepção de que articulações locais, nacionais e continentais tinham sua importância é que fez o Fórum estabelecer um processo de descentralização. Iniciado com eventos regionais e temáticos (como o Fórum Brasileiro ou Europeu, o Pân-Amazônico e o de Educação, por exemplo), a tentativa de ampliar o alcance do “espírito de Porto Alegre” atingiu seu auge enquanto proposta no FSM 2006, chamado de policêntrico por ter sido realizado em três continentes. Bamaki, no Mali, Caracas, na Venezuela, e Karachi, no Paquistão, foram sedes das etapas africana, americana e asiática, respectivamente. iÇ proposta inicial previa encontros simultâneos, em janeiro, mas um terremoto em outubro de 2005 na sede da etapa asiática adiou-a em dois meses.
Um exemplo de como a cultura do Fórum pode conseguir resultados é a Itália. A história da articulação dos movimentos ligados ao FSM tem como marco inicial as manifestações de 2001, em Gênova, durante encontro do 0-8, os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia. Na ocasião, o estudante Cano Giuliani foi assassinado por policiais que reprimiam os manifestantes, e tomou-se símbolo da luta por um outro mundo. Assim, a articulação antiglobalização neoliberal ganhou mais projeção na opinião pública e atraiu mais ativistas e organizações, tornando a articulação a maior da Europa.
O médico Vittório Agnolieto, engajado no Fórum desde 2001, se elegeu membro do Parlamento Europeu. Mais importante do que isso foi a derrota de Silvio Berlusconi, presidente do Conselho italiano – cujas funções são de chefe-de-Estado – por Romano Prodi e a retirada das tropas italianas do Iraque. “O governo Prodi é de coalizão com grupos posicionados da esquerda até o centro, que têm como ponto em comum o desejo de não deixar a direita voltar”, pondera.
As abundantes divergências dentro da coalizão, que Agnoileto faz questão de não esconder, – são, de fato, relevantes. Mas um avanço conquistado pelos movimentos sociais foi o compromisso assumido privatizar a água e bens públicos no país, posição contrária a grupos de centro que compõem o governo. Manter os movimentos autônomos e pressionando o governo sem permitir o avanço conservador não é um desafio resolvido para os italianos, assim como ocorre em outros países com governos mais à esquerda.

Diversidade
A dificuldade dos movimentos italianos, que encontram contextos mais ou, menos favoráveis à mobilização e à intensificação ds lutas, alimenta uma das tendências presentes nas discussões sqbre como se obter mais resultados dos fóruns Uma das hipóteses seria tentar concentrar esforços em menos questões, em busca de mais eficiência.’
Chico Whitaker, membro dç Conselho Internacional do FSM representando a Comissão Brasileira Justiça e Paz, é considerado o “tio do. Fórum”, por ter participado das primeiras conversas com Oded Grajew a respeito’ do evento. Ele é crítico em relação à idéia de se restringir os debates do FSM. “A redução da extensão e da variedade das lutas que podem ser discutidas — e transformadas em planos de ação – (…) corresponde a uma forma de fazer política de um modo diferente da experimentada no FSM”, escreveu em artigo publicado na página oficial do Fórum na internet.
Para defender a atual vivência dos fóruns, Whitaker cita um trecho da Carta de Princípios, que define o evento como “espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de idéias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes”, tudo a partir das especificidades de cada luta e ,do tipo de atuação de cada protagonista. Em outras palavras, uma convivência entre lutas diferentes em que uma não é mais pela administração Prodi de não importante do que as outras.

O Forum

Paz. Esta foi a palavra que dominou as discussões em Porto Alegre no ano de 2003. Naquela ocasião os EUA já arquitetavam a invasão do Iraque, que viria a se concretizar pouco menos de dois meses depois, no dia 20 de março, çom uma série de bombardeios contra a capital iraquiana, Bagdá.
A situação do Oriente Médio era:‘ pauta do ‘momento. Não apenas pelo drama iraquiano, mas também por conta do conflito entre palestinos e israelenses. E o Fórum protagonizou um momento simbólico em relação a esta questão. Diante de 20 mil pessoas que aguardavam a palestra do lingüista Noam Chomsky, foi lida a Carta da Paz, que pedia, entre outras coisas, a ação imediata da ONU e da comunidade internacional para a criação de um Estado palestino independente. O documento foi assinado por três palestrantes palestinos e três israelenses, tendo sido organizado pelos Amigos da Paz Agora (membros da comunidade judaica) e pelo Instituto Jerusalém (membros da comunidade palestina).
Uma das estrelas daquele evento foi o paquistanês Tariq Ali. Filho de comunistas, liderou uma série de manifestações contrárias à ditadura do Paquistão, quando ainda estudava na universidade. Hoje, ele é o principal editor da New Left Review, uma das publicações de esquerda mais importantes do século XX. Um dia depois de sua conferência “Contra a militarização e a guerra”, Ali falou à Fórum a respeito do mundo
árabe e, profeticamente, esclareceu as reais intenções da invasão do Ira- que pretendida por George W Bush àquela época.

O povo não merece a guerra
Saddam não é exatamente um ditador popular, mas tendo o líder que tiver; nenhum país quer ser bombardeado pelos EUA. Imagine-se que, no Brasil, quando havia a ditadura — que era terrível, muito pior que a do Saddam e apoiada pelos EUA — outro país decidisse bombardear e ocupar o país, destruindo as cidades. Mesmo os brasileiros contrários ao ditador não gostariam de ver o Brasil destruído. E o mesmo no Iraque: o povo não quer ver essa guerra. Já sofreu bastante. As sanções impostas pelo Ocidente levaram à morte meio milhão de crianças.

Fim das ditaduras
Na minha opinião, a melhor maneira de acabar com as ditaduras é fortalecer o povo. Quando os EUA gostam de um ditador, podem deixá-lo no poder por trinta anos, corno [Haji Mohamihad] Suharro, na Indonésia, que matou mais de 1 milhão de pessoas dentro do próprio país. E os americanos mantiveram o apoio até que o próprio povo o tirou do poder. Quando [Augusto] Pinochet tomou o poder no Chile, alguém pedia aos cubanos para intervir lá? Não, porque não nos comportamos desse jeito. A única forma de remover um ditador é pelo próprio povo.

Futuro do Golfo
É uma grande tragédia o que está para acontecer, mas os EUA não vêem dessa forma, e sim como uma oportunidade de re – mapear o mundo. Depois do ataque ao Iraque, irão tentar mudar o regime, do Irã e, depois, de outros países do mundo árabe. Mas a guerra não é exclusivamente por causa do petróleo. É também geopolítica, para demonstrar o poder militar norte-americano, para dizer que os EUA podem mudar regimes onde quiserem e fazer o mundo aceitar que isso é um direito deles. “Faremos o que quisermos e vocês não têm poder algum sobre isso.” Temos de ver esse processo de ocupação do Iraque por dois lados, o petróleo e a geopolítica.

Os EUA e seus aliados
Há alguns países que têm políticas econômicas neoliberais, como os Estados do Golfo Pérsico e o Egito. Mas há países que não aceitam esse modelo, como a Síria, o Iraque e, em certa medida, o Irã. Resistem e mantêm o controle de seu próprio petróleo, não permitindo que companhias ocidentais o tomem. Preservam algum grau de nacionalismo contra os Estados Unidos. Esse é o grande motivo que os leva a quere – tem destruir seus regimes.
Os Estados Unidos estão felizes com alguns governos árabes porque os controlam há muito tempo. A Arábia Saudita, por exemplo, tem regime muito pior que o iraquiano. Não é permitido às mulheres dirigirem carros, viajarem sozinhas. Elas podem se locomover dentro da cidade, mas para sair precisam de autorização do pai, do marido ou até do filho. Eles vivem num mundo louco. Mas acho que as coisas vão mudar na Arábia Saudita, o regime está ficando bastante instável. Há anos que digo isso, é preciso haver uma onda de revoluções democráticas no mundo árabe para substituir a sociedade corrupta por governos mais amplos. Mas os EUA não que tem governos democráticos nessa rte do mundo. Por quê? E se um governo democrático resolver que quer controlar seu próprio petróleo? Vão intervir de novo? É o dilema. Os interesses econômicos dos EUA se indispõem com a democracia.

Democracia no Oriente
A democracia teria de ser adaptacla, mas ela é possível sim. Acredito que há um instinto em todas as pessoas de participar de alguma formada vida de suas comunida4es, de seus países. Temos de encontrar a mèjhor orma de fazer isso. Não precisa ser o modelo britânico ou o americano, mas um modelo próprio para expressar melhor a democra-’ éia, especialmente para aqueles que viveiri oü viveram sob ditadura militar, como Paquistão, Brasil e a maior parte da América Latina. Temos de perceber que a democracia é muito importante; quando não se tem, a sociedade realmente sofre. O método para chegar a ela não é universal, mas a democracia em si é universal e temos de lutar por ela. E possível ter democracia em níveis muito mais elevados que no Ocidente se algum governo estiver preparado para tomar a iniciativa.

Sociedade civil
Os movimentos sociais são muito fracos no Oriente Médio porque o Estado não permite que se desenvolvam. Há apenas algumas ONGs, mas há problemas com essas organizações nessa parte do mundo, porque substituem a política fazendo pequenas coisas. Os intelectuais, tanto liberais quanto esquerdistas, são incorpordos e trabalham para essas pequenas organizações. Os salários são pagos por fundos de ONGs de países ocidentais. Mesmo no Líbano, que é um dos países mais democráticos da região, isso ocorre, é fenômeno muito comum. Eu conheço bem a situação do Paquistâo. Muita gente que era engajada politicamente hoje faz parte de ONGs. E uma das exigências para isso é que você não tome posições políticas.

Ameaça real
Há um longo caminho para que o império norte-americano cia. Pode levar um século todo, por ser muito poderoso e militarmente incomparável. Por isso, é extremamente importante construir relações com os norte-americanos que estão resistindo a essa guerra. Sem apoio do povo norte-americano estamos perdidos. E isso deve ser construído e desenvolvido, até porque o que acontece em outras partes do mundo também afeta os EUA. E uma Juta de longo prazo, em que não haverá imediatamente ‘nenhuma vitória militar. E até possível ter vitórias políticas contra os EUA, mas, militarmente, a única vez em que foram derrotados foi em 1975 pelos vietnamitas. E veja como acabaram punidos depois de derrotá-los, já que foram mantidas sanções econômicas, sem falar na recusa em lhes dar as reparações merecidas. E os norte-americanos usaram armas químicas. E por isso que argumento que a maior ameaça para a estabilidade do mu’ndo não vem de Saddam Hussein QU de qualquer ditador do Oriente Médio, mas dos EUA.

Entrevista concedida a Anselmo Massad e Nicolau Soares (Fórum n.° 9)



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