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Resenhas de livros recém-lançados Por Redação   Mandela, retrato autorizado  Mac Maharaj e Ahmed Kathrada Alles Trade R$ 88 Quem tem interesse pela história recente da África do...

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Resenhas de livros recém-lançados

Por Redação

 

Mandela, retrato autorizado 
Mac Maharaj e Ahmed Kathrada
Alles Trade
R$ 88

Quem tem interesse pela história recente da África do Sul deve ter em sua biblioteca este livro. Não se trata de um tratado sociológico sobre o apartheid ou de uma obra de forte toque literário. Mas é essencial porque revela, como nenhum outro trabalho, os bastidores do movimento que levou Nelson Mandela a se tornar um mito.

Organizado por Mac Maharaj, preso por 12 anos em Robben Island, mesmo cárcere de Mandela, e por Ahmed Kathrada, um dos mais importantes dirigentes do Congresso Nacional Africano (CNA), o livro tem uma quantidade de fotos impressionante dos duros anos de segregação racial no país, além de uma coletânea de 70 depoimentos de líderes e personalidades internacionais que tiveram, em distintos momentos, relação com Nelson Mandela ou com a luta contra o apartheid. Entre eles: Bill Clinton, Tony Blair e Muhammad Ali. O livro tem ainda curiosidades como a revelada por Bono Vox, que organizou, com Naomi Campbell, um show em Barcelona para uma das organizações beneficentes apoiadas por Mandela. “Deveria começar às 19h30, mas havia apenas mil pessoas no estádio. Então esperamos até 20h30, duas mil. Às 21h, havia certa de cinco mil, num estádio de vinte mil. Por isso havia muita lamentação e ranger de dentes nos bastidores”, conta Bono.

Quando Mandela entrou e começou a discursar, Bono não acreditou no que ouviu: “vocês me ofereceram uma recepção que eu jamais mereceria. Obrigado. Obrigado do fundo do meu coração.” Bono, naquele momento, olhava para o chão. Levantou a cabeça e olhou para frente: “a quantidade de pessoas era a mesma, mas posso jurar que o estádio parecia lotado”.
(Renato Rovai)
Sobre formigas e cigarras Antonio Palocci
Editora Record
R$ 32

O deputado federal Antonio Palocci descreve sua passagem pela cúpula de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, quando foi coordenador do programa e da transição, e pelo Ministério da Fazenda. Bem escrito, de linguagem simples e direta, faz recortes temáticos para relatar interessantes episódios de bastidores.
Do ponto de vista do conteúdo, é extremamente diplomático a seus pares, de Armínio Fraga, presidente do Banco Central de 1998 a 2002, a Henrique Meirelles, atual dono do cargo. Mesmo José Dirceu recebe elogios, embora fosse apontado pela grande imprensa como “oponente” do ministro da Fazenda na disputa pela condução da política econômica e na disputa de poder.

Sobre a crise política, mantém as mesmas versões apresentadas no período em que foi acusado como mandante da quebra de sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Um dos mais curiosos dos diversos episódios de bastidores relatados trata da reunião em que se definiu, em 2003, a meta de inflação de 2005. O índice de 4,5% era superior ao que queria o presidente, contrariando inclusive a sugestão da equipe econômica, que pregava 5%. O episódio serve para ratificar a tese de que a política praticada de 2002 a 2006 era de Lula e não do ministro. Com isso, Palocci mostra que o chefe de Estado brasileiro foi mais radical do que ele próprio.

A leitura é interessante, mas o parlamentar segue devendo uma entrevista (já solicitada) aos leitores da Fórum.
(Anselmo Massad)

Muitos mundos, uma voz — Estudo sobre o direito humano à comunicação João Freire
Publicação independente
R$ 30 (postagem incluída)

Autor do blog Midiaemdebate.com.br, o jornalista João Freire assina seus textos muito longe do eixo Rio–São Paulo. Mora em Palmas, capital do Tocantins, onde coordena o núcleo regional do estado da campanha contra a baixaria nos meios de comunicação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Ativista do direito à comunicação, João Freire publicou, de forma independente, o livro Muitos mundos, uma voz. O nome é referência ao relatório da Unesco de 1980 assinado pelo irlandês Sean MacBride (Nobel da Paz de 1974), entitulado Um mundo, muitas vozes, contra a censura, o monopólio estatal e a influência comercial na comunicação. O jogo de palavras é uma homenagem e uma constatação: passado um quarto de século, a comunicação não é considerada como Direito Humano pela grande mídia. O relatório, assim como diversos eventos e datas relacionados aos Direitos Humanos se tornam pauta para criticar governos. É uma leitura consistente para começar uma discussão sobre democratização da mídia. Para adquirir a obra, é preciso entrar em contato com o autor: jlfreire@uol.com.br ou (61) 9252-5298 / (63) 9207-4545
(Anselmo Massad)



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