Sobre falar grosso com os fracos e fininho com os poderosos

Walter Benjamin, talvez o pensador que mais radicalmente abraçou o fracasso Uma das características mais detestáveis...

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Walter Benjamin, talvez o pensador que mais radicalmente abraçou o fracasso

Uma das características mais detestáveis que uma pessoa pode ter é a de falar grosso com os mais fracos e fininho com os poderosos. É a virtude por excelência no regime capitalista, onde se “ascende” pisando nos que estão por baixo e bajulando os de cima. Acredito, inclusive, que essa característica pessoal pode ser extrapolada para a política e oferecer uma definição do que é realmente a esquerda.

Mil e uma definições de esquerda e de direita circulam por aí, algumas muito boas. A benjaminiana, por exemplo, é notável: Nada há que tenha corrompido tanto a classe trabalhadora alemã, escreve Benjamin em 1940, como a opinião de que ela nadava a favor da corrente. O desenvolvimento técnico era, para ela, como o empurrão do fluxo com o qual ela acreditava estar nadando. Daí não foi mais que um passo à ilusão de que o trabalho fabril, que se achava na corrente do progresso técnico, representava, por si só, uma ação política […] Só queria perceber os progressos da dominação da natureza, não os retrocessos da sociedade. Para Benjamin, portanto, esquerda é exatamente o oposto de progressismo: a crença no progresso paulatino das coisas, nos avanços lineares e inevitáveis, na corrente pra frente da História, é a marca registrada de todo conformismo, mesmo que assinado por gente que se apresente como “de esquerda”.

Deste texto—muito menos uma coleção de teses sobre a História e muito mais uma intervenção na luta em momento de derrota—, depreende-se o que seria a definição benjaminiana de esquerda: ela é a força política que encara a luta nutrindo-se da imagem dos avós escravizados, não dos netos liberados. Eis aí uma definição de esquerda que o progressista, cativo do narcótico da corrente pra frente da História, não entenderá nunca.

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A ideia de que “já não existem esquerda e direita” é das mais antigas construídas pela direita, sabemos disso. Mas isso é diferente de não entender que possam haver dimensões contraditórias no interior de um mesmo movimento político, especialmente no enlouquecido presidencialismo de coalizão brasileiro. Foi o caso, acredito eu, no Governo Lula. Nem o esquerdista mais radical negaria que o Ministério da Cultura de Gilberto Gil e Juca Ferreira, por exemplo, adotou políticas que poderíamos legitimamente qualificar como de esquerda: os Pontos de Cultura, o questionamento e a desmontagem dos dogmas da propriedade intelectual, a promoção da ética hacker do compartilhamento, entre muitas outras. Nem o esquerdista mais radical negaria que a política externa de Celso Amorim também teve momentos assim, como na ação decisiva contra a ALCA e na recusa a qualquer tratoragem sobre Bolívia e Equador—como pediam a imprensa e a direita brasileiras—quando esses países tentaram renegociar acordos que lhes eram desfavoráveis. Nem o defensor mais entusiasmado do Governo Lula deveria negar (muitos negam, eu sei) que houve aspectos de genuína política de direita, como na ajuda a que Sarney derrotasse Cristina Almeida na eleição para o Senado no Amapá ou no abraço a Ricardo Teixeira, que sepultou um incipiente movimento de democratização na estrutura feudal e corrupta do futebol brasileiro. Para não falar, claro, do Ministério das Comunicações ou da Agricultura.

Sobre o que é continuidade e descontinuidade entre o Governo Lula e o Governo Dilma, eu falei um pouco em outro texto. Aqui, gostaria de notar uma tendência bastante visível na base do governo atual, que pode ter suas precursoras na base do governo anterior, mas que é muito mais pronunciada agora. Refiro-me a uma política que sistematicamente contradiz a autodefinição de seus praticantes como “esquerda”: a prática de se dedicar a atacar e desqualificar os mais fracos e silenciar sobre as atrocidades dos poderosos. Que os movimentos que representam os mais fracos hoje—indígenas, ribeirinhos, desalojados pela Copa, gays, lésbicas, travestis e transexuais, trabalhadores sem-terra, lavradores, quilombolas, operários grevistas em embate com a burocracia sindical, mão de obra escrava e migrante—possam ter cometido seus erros políticos, ou mesmo ter sido presa ocasional do oportunismo, é algo que eu estou disposto aceitar como um fato possível, bastante provável até.

O que é inaceitável é acreditar que ainda é esquerda quem tripudia sobre os “fracassos” desses movimentos enquanto se cala sobre os verdadeiramente poderosos hoje alojados de forma tão confortável no governo. Afinal de contas, “Dilmão concordou com tudo”, disse Kátia Abreu, comemorando seu sucesso, contrapartida perfeita dos “fracassos” dos mais fracos, sobre os quais o falso esquerdista agora tripudia. Contra essa falsa esquerda, eu prefiro ficar com Darcy Ribeiro: “meus fracassos são as minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.



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16 comments

  1. Francisco Responder

    Só lamento que você tenha se esquecido de mencionar os servidores públicos, em especial os professores e os técnicos-administrativos da Educação, que foram tratorados por um governo que prefere pagar salários de marajá a inutilidades como os funcionários da Ancine que reconhecer o valor de quem se dedica a educar as novas gerações.

    1. Idelber Responder

      Com certeza os profissionais da Educação, vilipendiados uma e outra vez, estão na lista.

      1. João Paulo Responder

        Dificilmente os professores de universidades federais (se é o caso aludido acima) podem ser colocados na contra dos tripudiados que estão na contramão. Não sei dos técnicos, mas com toda certeza a disputa salarial com o governo não era uma questão de desequilíbrio de poder e histórico de fracasso como os mencionados no artigo.

        1. João Paulo Responder

          “na CONTA dos tripudiados…”

    2. Ronaldo Responder

      Francisco.

      Existe um equívoco básico em seu comentário. Os servidores públicos das agências não possuem salários de Marajás, mas sim justos. Eu sou servidor da Ancine e recebia um salário maior no mercado de trabalho antes de passar no concurso.

      A distorção está exatamente nos salários que são pagos aos professores, pesquisadores, garis, balconistas e quaisquer outras profissões que deseje listar aqui. O próprio governo já afirmou que o salário mínimo deveria ser algo acima de R$3000,00 (não lembro qual foi a instituição nem o valor certo …).

      Pela sua reclamação, ao criticar os salários da ANCINE (e por consequência de todas as agências regulatórias) fica a impressão que se os professores ganhassem os salários das agências e as agências ganhassem salários de professores a situação estaria “justa”. Estou com uma impressão errada ou é isso mesmo? Cobrir a cabeça para descobrir o pá (a ordem dos fatores não altera o produro) não resolve o problema.

      O que precisaria ser feito no Brasil (e eu duvido que vá nessa direção, já que não interessa…) é um movimento similar ao da Koréia do Sul, aonde os professores foram valorizados não somente financeiramente, com um dos maiores salários pagos a servidores, mas também socialmente. Professor ir para sala de aula para ser desreipeitado ou até mesmo apanhar é um absurdo típico de sociedades permissivistas, que infelizmente é o caminho que o Brasil está trilhando.

      Espero estar contribuindo para uma discussão saudável.

      Grato.

  2. Anelise Responder

    Concordo professor, minha ressalva é sobre o que Katia Abreu teria dito. Há que se ter muito cuidado pra não cair em armadilha fácil nesses tempos bélicos em que importa mais quem é mais de esquerda, quem é burro, ignorante, quem tem má-fé etc. O cuidado deve ser redobrado pra não cairmos na velha máxima de achar que só os que pensam como nós são inteligentes.Que a Kátia Abreu escreve errado, se expressa mal, todos nós sabemos, é fácil comprovar até mesmo no seu twitter, mas daí a ter falado abertamente e ainda usado a expressão ” Dilmão” acho pouco provável.A mania de transformar os supostos em verídicos parece que transcendeu o jornalismo e se espalhou tanto de um lado como de outro.
    Uma pena, já que mesmo sendo governistas, muitos tem sim honestidade intelectual e independência pra criticar o governo. Poderiam unir forças mas a disputa toma outro caminho e a intolerância se espalha, infelizmente.
    Tenho constatado que cada vez mais se torna menor o bom combate em detrimento de velhas implicâncias muitas vezes até pueris.Poucos escolhidos são aceitos…

    1. Idelber Responder

      De acordo com quase tudo, caríssima, mas aponto só que: 1) do “Dilmão” de Kátia Abreu há testemunhas, e não é uma só. Em todo caso, essa palavra em si importa pouco. O que é revelador mesmo é a frase completa. 2) Ao péssimo português de Kátia Abreu não houve menção minha. Não é o que importa aqui, em definitivo. No demais, de acordo :)

      1. Anelise Responder

        Me expressei mal, nada tem a ver com a expressão em si, mas com o conteúdo, tanto é que coloquei “ter falado abertamente E ainda”. Quis exemplificar com uma nota se torna verdade, e quanto ao português demonstrar que é de fácil comprovação embora você não tenha mencionado. No mais, é sim de importância menor diante do seu texto certeiro :)

  3. Sônia Responder

    A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), citada no texto seria a que, segundo a reportagem da CartaCapital, teria integrado a quadrilha que tomou 105 mil hectares de terras de 80 famílias de camponeses no município de Campos Lindos (TO). Seria a mesma, juntamente com o irmão grilaram 2,4 mil hectares, desembolsando R$ 8 por hectare? Ainda segundo a denúncia, as suas duas fazendas são improdutivas. Seria Kátia Abreu também é alvo de ação civil do Ministério Público na Justiça de Tocantins por descumprir o Código Florestal e desrespeitar os povos indígenas? Seria ela ainda acusada de desviar R$ 650 mil dos cofres da CNA para financiar a sua campanha ao Senado? Seria a mesma que vive na mídia desqlalificando o MST,buscando criminalizá-lo, taxando-o de ilegítimo com a alegação de “movimento político”?
    Quanto ao MST ser um “movimento político”, qual o problema? Só a CNA e outras entidades de direita podem fazer política?
    Então, leitora Anelise, devo ser burra,pois não vejo no texto como voce diz “falta de cuidado ou armadilha fácil nesses tempos bélicos em que importa mais quem é mais de esquerda, quem é burro, ignorante, quem tem má-fé etc”. Também não vi falta de cuidado para não cairmos na velha máxima de achar que só os que pensam como nós são inteligentes.O que vi foi um apelo pela coerência.

  4. Marcelo Arno Nerling Responder

    Destaco: ‘isso é diferente de não entender que possam haver dimensões contraditórias no interior de um mesmo movimento político, especialmente no enlouquecido presidencialismo de coalizão brasileiro’.
    ‘Refiro-me a uma política que sistematicamente contradiz a autodefinição de seus praticantes como ‘esquerda’: a prática de se dedicar a atacar e desqualificar os mais fracos e silenciar sobre as atrocidades dos poderosos’. Idelber Avelar

  5. Moacyr Responder

    Fico com o Zizék: “com essa esquerda, quem precisa de direita?”

    Só não entendo porque essa série de autocríticas vem APÓS a acirrada campanha presidencial explícita, majoritariamente acrítica, sustentada no extinto Biscoito Fino.

  6. marcos nunes Responder

    “Meus fracassos são as minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”. Ah, tá. Mas o cara que venceu gosta muito bem de estar em seu lugar, e zomba perfeitamente ciente de sua superioridade material sobre a suposta superioridade moral do perdedor, que pode comemorar feliz suas derrotas, assim ratificando o mérito daqueles que venceram para continuar fazendo tudo o que fazem.

  7. BH114 anos Responder

    Hoje Belo Horizonte completa 114 anos e temos mais o que reclamar do que comemorar. Aqui está a prova http://www.youtube.com/watch?v=IQZz9NUIgbk

  8. Janah Responder

    Tu & Tano – as aventuras de Gerson Carneiro no twitter.
    O Tu & Tano da noite passada foi com a Lúcia Hippólito. Acompanhem.
    Férias! Mandarei notícias… @hippolitolucia
    Mas não esqueça de colocar o telefone no gancho, senão ele vai ficar piscando. @GersonCarneiro
    telefone no gancho?! Coisa antiga. Mas prometo que mando notícias frescas, Gerson. Bom Natal para vc e toda a família. @hippolitolucia
    É que eu imaginei que telefone que pisca só pode ser aqueles de gancho. @GersonCarneiro
    Tudo pisca no Natal, reparou? Bom Natal para vc e toda a sua família. Tentarei mandar notícias de Paris @hippolitolucia
    mas meu marido quer que eu descanse, pq estou precisada. É que Paris é tão linda, que não resisto a mandar umas notinhas @hippolitolucia
    Vai para Paris? Dica: leve um exemplar de “A Privataria Tucana” para o filho dos outros do FHC. @GersonCarneiro
    é, defender tucano deve dar uma trabalheira… deve cansar mesmo. @GersonCarneiro
    Boa viagem. Ficarei aqui na PB comendo uma buchada, um sarrabuio. Na volta passe aqui. @GersonCarneiro
    nas férias?! Acho que vc me odeia @hippolitolucia
    FHC já esteve aqui. Comeu buchada, andou de jegue. Disse que adorou. @GersonCarneiro
    Sinceramente não sei quem vc é. Caiu na minha TL e alguém me disse que vc poderia ser alguém que tem um telefone que pisca. @GersonCarneiro
    Tb não sei quem vc é. Nâo vamos perder tempo com que a gente não conhece, não é mesmo? Tchau. @hippolitolucia
    Tiau. @GersonCarneiro
    buchada é divina. Quando bem feita, é um prato supersofisticado @hippolitolucia
    não sou tucana @hippolitolucia
    Nãããããããão!!! @GersonCarneiro
    Mas vc tem um ódio mortal do Lula, não? @GersonCarneiro
    Sou analista política. Não levo sentimentos privados para minhas análises. Vejo méritos enormes e defeitos enormes em Lula @hippolitolucia
    Mas vc ficou às vias da comemoração quando soube que o Lula estava com câncer. Isso vc não pode negar. Está gravado. @GersonCarneiro
    que isso, cara?! Disse que ele nunca se poupou. É mentira? E a fatura chegou de modo cruel.
    Comemoração?! Jamais @hippolitolucia
    Aquele comentário sobre o câncer do Lula não foi análise. Foi torcida. @GersonCarneiro
    Lula teve papel importante na política brasileira. Sempre disse isso e tb está gravado e escrito no meu último livro. @hippolitolucia
    Lula não teve. Ele tem. E faz a oposição tremer apenas com a insinuação de indicação de um possível candidato em SP. @GersonCarneiro
    Dizer que ele adquiriu câncer porque falava demais foi uma coisa louca. Fosse assim Zeca Pagodinho já teria ido pro saco. @GersonCarneiro
    Estou à vontade para criticá-lo, ao contrário de gente que puxou seu saco e depois tomou-se de ódio. Não amo nem odeio @hippolitolucia
    Não. Sente com calma e ouça seu comentário. É uma coisa delirante. Chega às raias da comemoração. @GersonCarneiro
    Quando você fala sobre o Lula você deixa transparecer um sentimento muito forte de oposição ao Lula. É indisfarçável. @GersonCarneiro
    Isso vai além da simples análise política. @GersonCarneiro
    Vc se define como “analista política”. Então faça uma análise política sobre o impacto do livro “A Privataria Tucana”. Topa? @GersonCarneiro
    não li. Nâo faço o “não li e não gostei”. Assim que ler, faço a análise. Claro que topo. @hippolitolucia
    Não venha com essa de não li. Faça então uma análise, por enquanto, não sobre o conteúdo, mas sobre o lançamento do livro. @GersonCarneiro
    O livro foi lançado, sem publicidade alguma da velha mídia, em 48 h vendeu 30 mil exemplares. E deixou a tucanada aflita. @GersonCarneiro
    Não pode fazer uma análise desse fato? @GersonCarneiro
    Sem ler o prontuário do Lula você fez análise sobre a doença do Lula, não foi? @GersonCarneiro
    Repito: sem ler o prontuário do Lula você fez análise sobre a doença do Lula. Agora vem com essa de “não li o livro”! @GersonCarneiro
    Respeito tanto o Lula que o quero recuperado. Sei que ele detestaria ser adorado como coitadinho. Ele é da luta @hippolitolucia
    Não tenho pressa, tá. Pode pensar, e consultar quem quiser, mas seria bom que respondesse. Lula já teria respondido. @GersonCarneiro
    não li ainda, Beto. E como disse ao Gerson, não faço o gênero “não li e não gostei” @hippolitolucia
    Mas você não leu o prontuário do Lula e deu até a causa da moléstia dele. @GersonCarneiro
    quando voltar da folga de Natal, pretendo ler e vou comentar sim @hippolitolucia
    Não esqueça de me responder. Vou esperar, hein. @GersonCarneiro
    Acho que dona @hippolitolucia foi dormir. Bons sonhos! @GersonCarneiro
    vou mandar notícias de Paris e da crise européia. Um grande Natal para vc e toda a sua família. Gerson – @hippolitolucia
    Não. Deixe a crise europeia pra lá. Eu quero é me esbaldar nesse paraíso que o Lula criou. @GersonCarneiro
    Estou encantado com dona @hippolitolucia . Ela quer que o Lula morra mas desejou um feliz Natal pra mim e pra minha família. Que meigo! @GersonCarneiro
    lindinho @hippolitolucia
    Mãinha também acha @GersonCarneiro
    – FIM –
    PS: Esse perfil da Lúcia Hippólito é recente. Pude concluir que ela é novata no twitter. No momento desse diálogo ela tinha cerca de 470 seguidores e havia tuitado apenas 170 vezes. Teve a sorte de eu tê-la escolhido para esse “sparring”. Um bom teste para começar a ocupar espaço.

  9. Janah Responder

    Ok, Moderador!
    Se não passar é tucano!

  10. Denis Correa Responder

    Excelente texto. Concordo com quase tudo. Só não concordo com a ideia de que toda opinião de que “não existem esquerda e direita” seja uma posição de direita. Talvez seja uma posição pragmática, anti-ideológica, e até mesmo anti-histórica, mas não necessariamente de direita.

    Explico: uma coisa é negar que existem conflitos sociais, e que tudo é regulado pela mão invisível (isto é direita), outra coisa é identificar que a esquerda e a direita não representam mais as lutas sociais, e daí seguem-se as buscas da “nova esquerda”, que faz com que a Esquerda oscile entre a social democracia liberal e o regime autoritário socialista. Mas, nada impede que a mudança venha de fora da direita e da esquerda. A esquerda um dia foi inventada, e um dia poderá acabar. Além disso, é fundamental que todo crítica da esquerda não seja combatida como uma posição de direita.

    Adorei a ideia de que a esquerda é historicamente enraizada, pensa nos avós escravos e não nos netos libertos. Mas a história é um fármaco que pode curar quando doente, e adoecer quando saudável.


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