Foi oló: Christopher Hitchens (1949-2011), o maior polemista do nosso tempo

Hitch em Belfast, com o inseparável cigarro. Foto: Edward McNamara Do trotsquismo no qual militou...

1730 40
Hitch em Belfast, com o inseparável cigarro. Foto: Edward McNamara

Do trotsquismo no qual militou entre 1966 e 1976, Christopher Hitchens herdou – e nunca abandonou – o gosto pela polêmica, a total ausência de receio de ser minoria e o horror a qualquer tipo de discurso feito para agradar o senso comum dos fariseus. Mais ou menos como um músico de ouvidos bem treinados reconheceria o dedilhar de Jimi Hendrix ou Johnny Marr aos primeiros acordes, os leitores de Hitch identificaríamos qualquer frase sua imediatamente, mesmo que descontextualizada. Com adjetivação abundante mas nunca óbvia, orações subordinadas de um barroquismo que levava a vocação pragmática da língua inglesa aos seus limites, fechamentos devastadores para o adversário—e ele sempre tinha um adversário—, Hitch escrevia como ninguém. Ao contrário da grande maioria dos que escrevem como ninguém, ele também falava admiravelmente: era um orador potentíssimo, capaz de reduzir o oponente ao ridículo em questão de minutos. O debate protagonizado por ele e por Stephen Fry, em 2009, contra um arcebispo da Nigéria e uma deputada conservadora britânica, sobre se a Igreja Católica seria uma força “para o bem”, é um dos maiores espancamentos verbais de que se tem notícia. Foi o grande polemista do nosso tempo.

Os obituários falarão abundantemente do “giro” conservador de Hitch nos anos 2000, durante os quais ele adotou a cidadania estadunidense, apoiou a Guerra do Iraque, rompeu sua longa colaboração com o periódico progressista The Nation e desfez de forma escandalosa praticamente todas as amizades que havia formado na esquerda: Gore Vidal, Noam Chomsky, Tariq Ali, Edward Said e Alexander Cockburn, para ficar só nos mais famosos. Mas prefiro sublinhar aqui o que considero a grande lição de Hitch para o nosso tempo, particularmente importante no Brasil de hoje. Ele personificava como ninguém o compromisso ético nº 1 de qualquer intelectual público que se preze: a coragem de estar em minoria e a recusa a fazer qualquer concessão ao senso comum dominante. Nada exemplifica melhor essa característica sua que o livro sobre a Madre de Teresa de Calcutá, demolida por Hitch como uma exploradora da pobreza, fanática, fundamentalista e fraudulenta, segundo suas próprias palavras.

Palavras eram coisas que Hitch não economizava, e a sucessão de efes no artigo lincado não é gratuita. Hitch adorava aliterações. Uma das demolições retóricas mais divertidas, na longa lista que acumulou ao longo da vida, ocorreu quando um evangélico lhe perguntou: “se você estivesse numa cidade estrangeira, e um grupo de homens desconhecidos viesse na sua direção, você se sentiria mais ou menos seguro se soubesse que eles vêm de um encontro religioso?”. O evangélico, evidentemente, espera um “sim, mais”, como resposta. Hitch fulmina, devastador: posso lhe garantir com absoluta certeza que me sinto muito mais ameaçado se este for o caso, porque já passei por essa experiência. Para ficar só na letra B? Belfast, Belgrado, Belém, Bagdá, Bombaim e Beirute. Nocaute, fim da discussão.

Hitch chegou ao rol dos best-sellers com seu God is not Great, seguramente o melhor livro entre a abundante literatura do neo-ateísmo capitaneada por Richard Dawkins. As demolições de Bill Clinton e Henry Kissinger também adquiriram certa notoriedade.  Mas sua grande obra, a meu modo de ver, é também a mais sucinta: Letters to a Young Contrarian [Cartas a um jovem contestador, na edição brasileira], breve volume de 141 páginas, deveria ser lido por qualquer um que se interesse pelo mundo das ideias, seja lá qual for sua tendência política ou especialização. Entre seus alunos da New School, em Nova York, em 2000, um deles lhe faz o desafio de estabelecer qual seria o rumo para um intelectual que passou pelos levantamentos revolucionários de 1968 e vive hoje na ressaca da financeirização completa do mundo. Ele aceita o desafio e toma inspiração nas Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke. Em 18 missivas inesquecíveis, ele repassa a ética, a estética e a política que deveriam orientar, segundo ele, o verdadeiro radical—palavra que, aliás, ele adorava e nunca abandonaria. As Cartas são um texto digno de George Orwell, herói intelectual a quem ele tampouco jamais renunciou.

Suas memórias, Hitch 22, mostram sem sombra de afetação o traço que o acompanhou durante toda a vida: ele não tinha medo de nada. Nunca escolheu o momento mais fácil para suas viagens: Portugal em 1975, Buenos Aires em 1977, Palestina em plena Intifada, Uganda no meio da guerra civil, Belfast no auge do horror, a lista é infindável. Foi uma daquelas grandes ironias da História que ele tenha morrido na cama, zombando até o final dos religiosos que rezavam por ele e aguardavam uma conversão que—sabíamos os seus leitores—jamais viria. Prefiro não guardar dele a memória de sua chegada ao Iraque junto com as tropas de ocupação estadunidenses. Muito melhor é cultivar a lembrança de um brevo papo em Parati, depois que ele fizera picadinho de Fernando Gabeira num debate. Ali eu lhe dizia, depois de me apresentar, que um dia encararia um debate com ele sobre a Guerra do Iraque e a política externa dos EUA para o Oriente Médio, pois eu achava inaceitável sua conversão a ela. A resposta foi puro Hitch: é só você marcar hora e local. O cabra não fugia da raia, e essa é a grande lição que deixa, para além de sua absurda erudição, seus dotes de polemista e sua legendária memória, a um mundo de novo assombrado pela mediocridade do consenso.

Descansa em paz, velho trotsko. O mundo amanheceu bem menos brilhante sem você.



No artigo

40 comments

  1. Bernardo Santos Responder

    Belo texto. O que ele tinha debatido com o Gabeira?

    1. Idelber Responder

      Era um debate sobre a esquerda, em geral. Não foi uma das grandes performances de Hitch, porque houve vários golpes abaixo da cintura — alusões ao passado “terrorista” de Gabeira, por exemplo. Gabeira poderia ter manipulado o fato de estar em seu país para vencer o debate, mas não foi capaz. Apanhou que foi de dar dó.

  2. Heitor Responder

    Caro Idelber,
    quais seriam os argumentos de Hitchens para a defesa da guerra do Iraque?

    1. Idelber Responder

      Caro Heitor, passavam basicamente pela demonização do Saddam–figura sobre a qual, claro, nenhum opositor sério da guerra jamais teve nenhuma ilusão. Se quiser uma boa compilação dos argumentos dele, é só ouvir (ou assistir a) este debate com o Deputado escocês George Galloway, ferrenho opositor da guerra.

  3. ufa Responder

    Tem uma boa resenha do NPTO do God is not Great aqui: http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=4558

    1. Idelber Responder

      Grande Celso! Fabulosa resenha. Só não concordo com que o Galloway seja “intolerável”. De resto, adorei.

  4. icaro Responder

    Viva Hitchens

  5. Rodrigo Responder

    Pra mim ele era apenas um boderline social. E quanto a espancamentos, ele levou uma sova extremamente humilhante daquele apologeta conservador, o Lane Craig. Foi como depenar frango escaldado.

    1. Bernardo Santos Responder

      Rodrigo, vc tem link para essa discussão com o Craig? Pq também já ouvi dizer que o Dawkins tinha sido “arrasado” pelo William Lane Craig, e quando fui ver os vídeos e textos, para mim era bem o contrário.

  6. Rodrigo Responder

    O site ‘Common Sense Atheism’, chegara a admitir que o tal Craig “spanked Hitchens like a foolish child” – “espancou Hitchens como se fosse uma criança imbecil”.

    1. Idelber Responder

      Também achei que contra o Bill Maher, sobre a guerra do Iraque, ele não se saiu bem, não.

      1. Bernardo Santos Responder

        E tem como alguém se sair bem discutindo com o Bill Maher? O cara é DEUS (é, eu sei…)

  7. alexandre barbosa de souza Responder

    eu estava nessa flip, ele foi muito escroto, sinto muito pelo passado trotskista e tal, li depois aquele cartas a um jovem contestador… ele estava lá defendendo o bush com argumentos ultra-racionais, desqualificando as perguntas por falta de dados sobre israel etc. em suma, virou um tremendo capacho do imperialismo americano

  8. marcos nunes Responder

    Era muito contestável em seus argumentos, quye administrava sem muito rigor e, muitas vezes, tentava sepultar opositores em quantidades sem fim de sandices logicamente bem estruturadas, mas de perceptível sabor sofista. Não era burro, porém; preservava, sobretudo, uma ilusão de “independência”, mas a baseava em informações muitas vezes furadas – como no que se refere à Guerra do Iraque. No combate pró-ateísmo, confundia o combate às instituições religiosas com o impulso de caráter indisfarçavelmente religioso que todo ser humano parece possuir, pois sem isso qualquer utopia seria nada além de uma ilusão proteinada. Divertido e irreverente, parece que tem mais admiradores por esses aspectos do que por sua versão de metamorfose ambulante pendente para o ocidentalismo.

    1. Bernardo Santos Responder

      Marcos, acho que dificilmente o Hitchens “confundia” essas duas coisas. É meio que consenso entre os ateus humanistas que o fato de que o ser humano possa (possa) possuir um “impulso de caráter indisfarçavelmente religioso” não significa que as premissas defendidas por qualquer religião sejam verdadeiras (e.g. que Deus exista), ou sequer que esse “impulso” seja uma coisa boa.

      Como primatas, nós também temos “impulsos indisfarçáveis” para a violência, o que não significa que a violência seja boa ou desejável.

      1. marcos nunes Responder

        Bernardo, eu não acredito na existência de nenhum deus, mas vejo que o sentimento da esperança tem em si um grau de religiosidade inato. Se é bom ou ruim, talvez não caiba discutir (seria como cogitar se ter sede ou fome é bom ou ruim). O impulso para a violência está associado à autopreservação e, nesses termos, também não pode ser considerado como bom ou ruim; somente a exacerbação da violência e sua sistematização enquanto estratégia de poder é que pode ser assim considerada. talvez não fosse mesmo “confusão” de Hitchens; talvez fosse apenas má fé ou, como ele bem gostaria de denominar, antifé, determinada por uma leitura somente histórica e com objetivos suspeitos. No caso dele, muito suspeitos.

  9. Rodrigo Responder

    Defendeu o massacre daqueles que estavam levando ajuda humanitária no comboio para Gaza por parte de Israel, também…

  10. Rodrigo Responder

    Triste é receber apoio da Revista Fórum…

    1. Idelber Responder

      Não entendi, Rodrigo, sua frase está sem sujeito. O que ou quem a Revista Fórum apoiou? Lembre-se que aqui eu falo em meu próprio nome, não da Revista.

  11. Mauro Responder

    O Hitchens e sua briga com a esquerda e contra o consenso (afinal, chutar Bush era chutar “cachorro morto”) me faz lembrar outro brilhante polemista, que foi Paulo Francis. Vivendo em Nova York havia longos anos e só voltando ao Brasil para pequenas temporadas, falava inúmeras “barbaridades” para chocar a inteligentsia de esquerda (esquerda de festa, segundo ele), especialmente a tribo que ele conviveu na Zona Sul do Rio, nos anos 50 e 60. Tudo para ser o “diferente”, questionar o consenso. Assumiu com afinco esse papel (afinal, foi crítico de teatro e talvez acreditasse que viver fosse interpretar papéis, uma persona) até se confundir por completo com ele, caminhando mais radicalmente rumo a direita, a ponto de babar de raiva na tv ao falar contra o aborto. Até que em 1996, em um período mais longo no Brasil, descobriu, para seu horror, que tinha se convertido em “maioria”. Era admirado, não ofendido ou criticado. Ficou espantado ao ver como a elite intelectual e artística, salvo exceções, vibrava com FHC e seu governo “modernizante”. Parece que não gostou nada disso e ao voltar a NY passou a desancar FHC e sua administração no Manhattan Connection. Mas não conseguiu encontrar um rumo em suas críticas. Voltar para a esquerda não dava, pareceria esquizofrênico. Como criticar pessoas e ideias que defendia um pouco antes? Morreu logo depois, sem ter tempo de responder a essa pergunta e vestir sua nova persona, desgostoso, processado pela Petrobras, que era dirigida na época por gente que lia sua coluna no Globo de domingo com prazer.
    Sei lá, refletindo sobre essas duas brilhantes figuras, penso que enfrentar o consenso é importante, necessário quase sempre, mas fazer disso o norte de suas manifestações intelectuais é correr o risco de em algum momento do caminho passar a dar bom dia a cavalo.

  12. Gabriel Gabbaqrdo Responder

    Pra que falar de giro conservador de Hitchens? Ele sempre foi o que, segundo o Idelber, ele se tornou após um “giro”. O trotskista elitista, o humanista que ficou horrorizado com as atrocidades da Argentina dos militares – mas não o suficiente para deixar de apoiar Margaret Thatcher, que defendia o Chile dos militares -, o indivíduo que “personificava (…) a coragem de estar em minoria e a recusa a fazer qualquer concessão ao senso comum dominante” e que, quando as cartas foram colocadas na mesa, agiu bovina e -ousaria eu dizer?- covardemente, apoiando as invasões do Iraque e do Afeganistão, precisando esperar o ano de 2008 para que chegasse à conclusão de que o waterboarding era tortura.

    Sem contar que o Idelber sequer menciona aquele que foi o maior amor da vida de Hitchens: a grana. Coloco seriamente em dúvida se Hitchens seria tão estridente quanto foi se não soubesse que teria retorno financeiro garantido com suas polêmicas – que, novamente ao contrário do que o Idelber pensa, acredito que não foram tão geniais assim: se desmascarar a Madre Teresa e atacar Henry Kissinger e Bill Clinton (mas não o neoimperalismo norte-americano, ou o complexo militar industrial) virou genialidade e coragem, então o mundo não caiu na “mediocridade do consenso”; ele já era medíocre ontem, mas apenas um pouco (um pouco) menos consensual.

  13. Marola Responder

    Quanta babação de ovo, ainda bem que o Glenn Greenwald http://tinyurl.com/7k4qbbp e Richard Seymour http://leninology.blogspot.com/ botam as coisas em pratos limpos.

    1. Idelber Responder

      Não creio que alguém que argumenta pela necessidade de estudar teologia tenha colocado nada em “pratos limpos” mas, em todo caso, isso sou eu. Eu, por exemplo, jamais iria à casa de alguém para dizer que um obituário em que se ressaltam as qualidades do recém morto para o anfitrião — apesar dos defeitos e canalhices do defunto, e Hitch os tinha em abundância — são “babação de ovo”. Eu simplesmente optaria por ler (ou não) e deixar que o anfitrião fizesse seu luto em paz.

      Mas isso sou eu, né?

  14. Idelber Responder

    Tô rindo até agora do obituário do Seymour. Hitchens “não entendia as complexidades da teoria literária”. Jisuis, que coisa patética de se escrever como obituário!

    Hitch não era um acadêmico de teoria literária. É mais ou menos como dizer, quando o Ronaldo Gorducho morrer, que ele não entendia as complexidades do 3-5-2. Ridículo.

    1. Marola Responder

      Patético e sem a menor noção de ridículo é desejar que o “velho trotsko” descanse em paz. Isso sem mencionar o uso do talento literário como uma espécie de fator mitigante que redimiria o finado junto à posteridade. Uma figura que tece loas a efetividade das cluster bombs como nesta passagem (thanks, Greenwald): “If you’re actually certain that you’re hitting only a concentration of enemy troops…then it’s pretty good because those steel pellets will go straight through somebody and out the other side and through somebody else. And if they’re bearing a Koran over their heart, it’ll go straight through that, too. So they won’t be able to say, “Ah, I was bearing a Koran over my heart and guess what, the missile stopped halfway through.” No way, ’cause it’ll go straight through that as well. They’ll be dead, in other words.”, não merece dó de nenhum ser vivente. Apoiar a agressão imperialista no Iraque não é um pecadilho qualquer. É pena que eu não acredito em inferno, porque se o mesmo existisse é para lá que eu gostaria que êle fosse mandado.

      Considero, e digo isso sinceramente, brilhante e enriquecedora sua participação no debate político que se trava no nosso país, mas acho essa encomiástica apreciação do legado de Hitchens uma tremenda bola fora.

      1. Idelber Responder

        Marola, eu agradeço o elogio à minha participação nos debates políticos do país. Eu sou assim mesmo, velho. Alguém morreu, alguém que foi importante e formativo para mim, eu vou me lembrar das coisas boas. Você pode listar todas as merdas que Hitch escreveu na última década: eu vou concordar com tudo. O elogio à Guerra do Iraque, as ridículas perorações sobre “Islamo-fascismo”, e tudo o mais que você possa elencar. Eu não as escondi. Dizer, num obituário, “prefiro não me lembrar agora do apoio à invasão do Iraque”, é uma forma de avisar ao leitor desavisado para procurar informação sobre aquilo. Mas Hitch foi também formativo pra mim. Não concordo de jeito nenhum com o texto do Seymour. O do Greenwald é bem melhor. Enfim, amanhã, eu e você estaremos juntos de novo denunciando o que Hitch escreveu sobre a “guerra ao terror” nesta década. Mas não me arrependo do obituário. E, de novo, obrigado pelo elogio à minha intervenção nos debates políticos do Brasil. Abraço.

  15. Rodrigo Responder

    Idelber,

    é porque eu vejo o Hitchens como perfeitamente encaixado no perfil editorial da Revista Época, não da Revista Fórum. Não consigo conceber alguém que apoiara a morte daqueles que estavam levando suprimento à Palestina furando o bloqueio de Israel, entre outras coisas completamente tocas do cara, tenha uma efusiva homenagem apoiadora aqui. Acho que se só se for por “coragem de ser minoria e do contra” for virtude per se, logo poderemos também fazer uns louros aos revisionistas do holocausto.

  16. Idelber Responder

    Mas eu tô gostando do fato de que tanta gente tenha se indignado. É sinal de que o blog anda com leitores de esquerda atentos. Isso é bom. Só digo uma coisa: não joguem fora, com as merdas que Hitch escreveu sobre Iraque, “guerra ao terror” etc., todas as coisas bacanas que ele também escreveu. Muito especialmente as “Cartas a um jovem contestador”.

  17. Ana Maria Responder

    Ressaltar as sandices de Christopher Hitchens é valorizar rabugices e cultivar ressentimentos.

    1. Marola Responder

      Ana Maria, vc deixou a bola na marca do penalty, sou obrigado a chutar. Vc gostaria de ser chamada de puta por causa das suas opiniões políticas em desacordo com as de, digamos, Reinaldo Azevedo? Pois bem, foi o que aconteceu com as Dixie Chicks xingadas dessa forma por CH. É bem possível que vc hoje estaria cultivando uma pontinha de ressentimento se isso lhe acontecesse. Pimenta nos olhos dos outros não arde.

      1. Ana Maria Responder

        Marola, se eu assim fosse chamada, com certeza eu ficaria melindrada. No entanto, eu não cultivaria esse melindre e nem cometeria a deselegância de levantar brados de protesto quando alguém ressaltasse qualidades – ou o que assim considerasse – do autor do chamamento.
        Mas a questão em pauta não são as reações e posturas que um indivíduo possa ter ao ser agredido ou injustiçado. A questão que levantei é sobre a pertinência da indignação e da revolta frente à aclamação de um atributo de alguém que, em sua ousadia e implacabilidade, foi insolente a ponto de pôr em dúvida sua própria credibilidade. Com todo respeito, acho desnecessário e aborrecido.

  18. Bruno Responder

    Idelber,
    Estou sentindo falta de seus bons textos para esse caso do Privataria Tucana e do silencio da midia. E, ainda tem muita gente que acha que quando a midia faz uma denuncia contra o PT ela esta interessada em apurar algo.

  19. João Paulo Rodrigues Responder

    Não se deve jogar fora as coisas boas que Hitchens escreveu. Sobretudo porque apoiar a invasão do Iraque estava certo (a despeito de não ser pelos motivos corretos e manipulada com mentiras). Só estava errado pro Saddam.

  20. Silvana Gentile Responder

    A virada conservadora daqueles que alimentaram nossos ideais mais do que revolucionários (e muitas das nossas ações, embora não tanto revolucionárias) são um mistério para mim e para muitos. Será que há uma explicação pra isso? Hitchens morreu antes de você, Idelber “marcar hora e local”. Como tributo a ele, revele: qual seria a tônica do debate de sua parte?

    1. Idelber Responder

      Bem, os argumentos conhecidos, não, Silvana? A ilegalidade da guerra; o fato de ela ter sido fundamentada com mentiras; o fato de não ter melhorado em absoluto a vida dos iraquianos; as centenas de milhares de mortes; o fato de ter tornado o Oriente Médio um lugar ainda mais inseguro e tenso. Enfim, não é um ponto de vista difícil de se defender.

  21. Rodrigo Responder

    Vou cobrar homenagens aqui no aniversário da morte do Paulo Francis, hein? Não quero ver ninguém levangando brados de protesto ressentidos, até porque a guerra das Malvinas só foi ruim para a Argentina :P

    1. Idelber Responder

      Rodrigo:

      Menas, né? Hitch podia ter todos os defeitos do mundo. Mas nunca se referiu a Charlotte e Emily Brontë como “gêmeas”, nem nunca disse que Beethoven “ficou indignado com Mozart em 1770”, nem nunca errou citações, datas, autorias e fatos como Francis.

      Não estão na mesma divisão, de jeito nenhum.

      1. André Kenji De Sousa Responder

        Acho que há uma semelhança entre os dois, mas por outro motivo. Na época em que Francis estava no seu auge qualquer mané poderia ficar hospedado em Nova York e simplesmente resumir o que via na banca de jornais e posar de culto aqui no Brasil. Hoje, com a internet, qualquer um dá para fazer o mesmo estando no Brasil. E como hobby.

        Mas a grande maioria de pessoas com menos de trinta anos, que não viu o Paulo Francis em folhas de jornal impresso nunca entendeu direito essa devoção a ele. Eu mesmo só fui me tocar sobre ele quando adolescente, quando vi vários jornais e revistas falando sobre sua morte, e nunca entendi direito essa devoção. Acho que muita gente também não entende a devoção a Hitchens.

        Eu, pessoalmente, tendo a concordar com Cockburn, em cada linha, sobre ele. Sempre achei Hitchens superestimado para dedéu e os elogios de gente como William Bennet e a página editorial do Wall Street Journal dizem muita coisa.


x