Pinheirinho: terreno pode não ter sido dos alemães; e Selecta não pagava IPTU desde 1982

Na semana passada, publiquei uma história sobre uma possível origem do terreno do Pinheirinho, onde moravam as 1,6 mil famílias expulsas pela polícia e pela Guarda Civil de São José dos Campos. As terras...

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Na semana passada, publiquei uma história sobre uma possível origem do terreno do Pinheirinho, onde moravam as 1,6 mil famílias expulsas pela polícia e pela Guarda Civil de São José dos Campos. As terras teriam chegado às mãos da Selecta, de Naji Nahas, por caminhos bem tortuosos. A área seria propriedade de quatro irmãos alemães que teriam sido brutalmente assassinados e, sem deixar herdeiros. Por isso a propriedade teria ido parar na mão do Estado.

Essa versão circulou pela internet, com alguns historiadores corroborando a origem das terras do Pinheirinho. Na ocasião, a professora de história da Universidade do Vale do Paraíba (Univap) Valéria Zanetti de Almeida disse ter pesquisado e ouvido depoimentos de moradores antigos, que confirmavam a chacina dos irmãos Kubitzky.

Porém, após a divulgação desse fato, alguns historiadores começaram a levantar outras hipóteses da origem das terras. Na Fórum, também decidimos investigar a história.

Nesta segunda, 30, o repórter da Fórum, Igor Carvalho, que acompanhou toda a violência no despejo da população do Pinheirinho, voltou a São José dos Campos com a missão de encontrar os documentos que confirmassem os 100 anos de história do terreno.

Pois bem, aí vai o que os documentos mostram: Em 1959, o terreno chamado de Bairro do rio Comprido pertencia a Bechara Lahud. Em 10 de fevereiro de 1962, passou para os nomes de Paulo Lahud e Reston Lahud. Em 31 de março de 1975, para Reston Lahud. Em 27 de junho de 1978, Benedito Bento Filho comprou de Reston. E no dia 17 de dezembro de 1982, a área teria sido comprada pela Selecta, pertencente a Naji Nahas.

Com a falência do império de Nahas no final dos anos 1980, o terreno foi penhorado em 4 de dezembro de 1992. Porque desde a compra do terreno, a Selecta não pagava o IPTU, como explicou Denis Ometto, advogado do movimento dos moradores do Pinheirinho.

Os alemães Kubitzky assassinados em 1969, não aparecem na origem do Pinheirinho. Mas, de acordo com a apuração da Fórum, as terras dos irmãos fazem fronteira com o terreno e por isso a área é chamada de Bairro dos Alemães. Foi no Bairro dos Alemães, que cerca de 2 mil famílias ficaram abrigadas numa igreja após serem expulsas do Pinheirinho.

A Fórum ainda está apurando essa história, que ainda tem outros componentes que vão bater na operação Satiagraha.

A reportagem completa será publicada na edição de fevereiro da revista. O mais importante, porém, é que após a penhora, a prefeitura poderia ter tornado a área de interesse social. O que não ocorreu, mesmo com as famílias utilizando-a como moradia desde 2004.

Uma comissão nacional, intermediada pelo governo Lula, em 2006, para propor uma solução sequer foi recebida pela prefeitura de São José dos Campos. Na época, sob o comando do tucano Emanuel Fernandes.

Dessa história toda, nada justifica a violência e a falta de vontade política de governos em encontrarem uma solução para as famílias terem o direito à moradia digna.



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5 comments

  1. Gabriela Responder

    que horror! torna tudo ainda mais nefasto, como se já nao tivesse sido por si só expulsar famílias de suas casas pra favorecer o Nahas
    por favor, caros reporteres, continuem investigando seriamente, quem sabe a mesma (in)justiça que decretou aquele crime contra criancinhas e suas famílias em nome da especulação possa voltar atrás com a comprovação dessas origens nebulosas (satiagraha no meio ainda por cima)?
    é preciso reagir em todas as frentes, inclusive nessa frente judicial (mas não só, está claro)

  2. maria alcina dias torgo Responder

    Temos muitos casos aqui no Rio de Janeiro,iguais ao que aconteceu em Pinheirinho,aqui como lá ,também a policia militar invade com ordens do tribunal e seus comparsas e socios nos grilos de terras,junto com os capas pretas do tribunal e das construtoras,o Protogenes Queiroz.

  3. I Responder

    Adriana, Pinheirinho e Rio Comprido são duas coisas distintas!

    http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5581964-EI8139,00-Pinheirinho+exmoradores+ocupam+casas+abandonadas+em+area+de+risco.html

  4. Eduardo Homem Responder

    Deveríamos pedir a opinião dos inúmeros Partidos existentes e abrir espaço para suas respostas.

    Eduardo Homem
    M.R.L.B.
    Rio

  5. Angela L. Responder

    O típico esquenta de grilagem de terras, a tática é ir desde as possiveis vendas que consolidam toda uma documentação “legal”, e a típica engorda de terreno. ( a terra fica ociosa enquanto os contribuintes vão pagando as melhorias urbanas no entorno, os equipamentos urbanos, até que a valorização final entra no bolso de alguém, ou um grupo(de grátis como se diz por aí ) afinal tem até divida de IPTU.Não deixa de ser um grande negócio lucrativo e tb criminoso. Deixar isto acontecer a partir de 88, do advento da Constiuição FEderal, é crime! cabe ações de improbidade administrativa aos gestores púbicos afinal não cumpriram os artigos 182 e 183 da CF que declaram a terra de interesse social. E além deste crime contra população que necessita da terra para morar, do direito garantido na CF, a grilagem de terras anda solta em outras paisagens no estado de São Paulo. Para este fato chama-se a atenção dos ministérios públicos estadual e federal para darem uma verificada no Petar, Vale da Ribeira, onde comprovadamente quadrilhas de grilheiros usurpam terras públicas,protegidas por legislação ambiental além de ameaçaram populações nativas.


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