Criminalização dos movimentos sociais em foco no 14º Grito dos Excluídos

O 14º Grito dos Excluídos teve como tema “Vida em Primeiro Lugar: direitos e participação popular”. Foram manifestações e mobilizações em todo país no domingo, 7 de setembro. “No Grito dos Excluídos não...

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O 14º Grito dos Excluídos teve como tema “Vida em Primeiro Lugar: direitos e participação popular”. Foram manifestações e mobilizações em todo país no domingo, 7 de setembro.

“No Grito dos Excluídos não existe lugar para políticos ou partidos oportunistas”, defendeu João Paulo Rodrigues, representante da Via Campesina e do MST em entrevista coletiva no lançamento do grito, na quinta-feira, 4. “Existe sim lugar para as camadas mais pobres da sociedade reivindicar seus direitos”, sustenta.

Ele revela que os principais focos do MST este ano são a criminalização dos movimentos sociais, o agronegócio para produção de etanol e para o biocombustível e da soja e carne bovina para exportação. As grandes plantações de eucalipto, chamado de “deserto verde” pelo movimento, também está na pauta. “O MST também vai entrar na luta pela proteção dos mega-campos de petróleo recém descobertos no litoral brasileiro”, garante.

Para ele, a luta em defesa do petróleo é semelhante à organizada no plebiscito pela re-estatização da Vale do Rio Doce. “Não mudamos de bandeira, nossa bandeira principal ainda é a luta pela reforma agrária, mas antes de tudo somos brasileiros e o petróleo é nosso, não deve ser privatizado, deve gerar riquezas para o nosso povo”, defendeu.

Antonia Carrara representante da Pastoral Operária afirmou que o momento é de “gritar e agir, pois a classe operária corre o risco de perder direitos conquistados”. Ela acredita que a vida dos trabalhadores se encontra em risco, não só pelas jornadas excessivas como por acidentes. “Não somos máquinas, somos mãos que afagam”, pregou.

“Esta oportunidade é muito importante para as pessoas que vivem na rua e que tem o grito preso na garganta poderem gritar aos quatro cantos que existem ,têm direitos e querem paz”, explicou Róbson Mendonça, representante dos movimentos da população em situação de rua “Somos vistos mais não somos enxergados”, completou.

Raposa Serra do Sol
O bispo dom Pedro Luís Stringhini, da CNBB e das Pastorais Sociais lembrou a necessidade de se solidarizar com os indígenas especialmente da Raposa Serra do Sol, território onde a retirada de não-índios está interrompida e em análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “É o momento de criticar as políticas que não priorizam o bem do povo, um modelo econômico que depreda o meio ambiente. Que o dia da Pátria seja o dia do cidadão, que seja o dia da Pátria sejam todos os dias do ano”.

História
O Grito dos Excluídos nasceu de um processo que ficou conhecido como “semana de dois anos”. Entre os anos de 93 e 94 a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou a 2ª Semana Social Brasileira. Paróquias espalhadas por todo país criaram grupos para debater e buscar soluções sobre os problemas sociais do país.

Em 1995 foi realizado o 1º Grito dos Excluídos, com o lema “A Vida em primeiro lugar”,por iniciativa das Pastorais Sociais em 1994,tendo em vista a Campanha da Fraternidade que apresentava o tema “ A fraternidade e os excluídos”.

Uma das características do Grito dos Excluídos é a participação de pastorais sociais, igrejas, Mutirão contra a Miséria, movimentos sociais e sindicais entre outros na organização.



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