Defensoria do Rio Grande recebe denúncia de estudantes africanos vítimas de racismo e violência policial

"Outros amigos que chegaram ano passado também contam isso para nós. Às vezes as pessoas ficam te olhando com uma cara feia. Sem que tu tenhas feito nada, a pessoa está desconfiada de ti".

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“Outros amigos que chegaram ano passado também contam isso para nós. Às vezes as pessoas ficam te olhando com uma cara feia. Sem que tu tenhas feito nada, a pessoa está desconfiada de ti”.

Por Idelber Avelar

Os estudantes Tibulle Sossou, natural da República do Benin, e Sagesse Kalla, da República Democrática do Congo, denunciaram que no último dia 17 de janeiro, ao se dirigirem de ônibus à sede da PF em Porto Alegre para realizar os trâmites de seus vistos, foram retirados do veículo, revistados, algemados e agredidos pela polícia militar.

Uma polícial presente no ônibus, segundo o relato dos estudantes, desconfiou da procedência dos tênis usados por um dos jovens e ligou de seu celular. O ônibus foi cercado por quatro viaturas da Brigada Militar e os dois estudantes africanos foram revistados na frente dos outros passageiros. Sagesse Kalla relatou: “Estávamos conversando em francês dentro do ônibus e uma policial, que estava no coletivo, ficou nos olhando, principalmente para os nossos tênis. Ela pegou o celular e chamou as viaturas”.

Tibulle Sossou contou como foi a experiência: “Durante a abordagem, fui agredido com uma ‘gravata’ e dois socos na nuca. Nunca ninguém tinha apontado uma arma para a minha cabeça, eu fiquei triste e com muita vergonha. Muita gente passava e ficava olhando”, diz Sossou. Depois teriam sido soltos sem nenhum pedido de desculpas: “Um policial ainda falou que isso aconteceu porque somos negros e que esse tipo de abordagem é comum no Brasil”. Sagesse veio cursar pós-graduação em biologia na Furg. Sossou será aluno de pós-graduação, também na Furg, em Oceanologia. Ambos são falantes nativos de francês e estão começando a dominar o português.

Na quinta-feira, dia 26, o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) do Rio Grande do Sul, Jair Krischke, divulgou o caso à imprensa. Kalla e Sossou registraram ocorrência policial e também fizeram ocorrência na Corregedoria da Brigada Militar. Krische declarou, na quinta: “Foi uma manifestação expressa de racismo, abuso de autoridade e constrangimento ilegal. A polícia age assim com qualquer negro, seja brasileiro ou estrangeiro. Precisamos dar um basta no despreparo da Brigada”.

Posteriormente, o defensor público João Otávio Carmona Paz, dirigente do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, os recebeu e confirmou que levará a denúncia ao Ministério Público, à Corregedoria da Polícia Militar e à Polícia Civil para que o caso seja investigado. As gravações da câmara do ônibus serão solicitadas.

No vídeo abaixo, o comandante do policiamento da capital gaúcha, Coronel Atamar Cabreira, apresenta as desculpas, explicações e promete investigação do caso:

Com informações do Portal Geledés e do site da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul.



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