Futepoca: Belluzzo e Virilio pouco otimistas com o pós-crise

Após o início da crise nos EUA, muitos viram ali o prenúncio do fim do capitalismo. Talvez não do sistema em si, mas pelo menos do seu modelo financista. Já outros atribuem o crash...

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Após o início da crise nos EUA, muitos viram ali o prenúncio do fim do capitalismo. Talvez não do sistema em si, mas pelo menos do seu modelo financista. Já outros atribuem o crash provocado pelo mercado hipotecário estadunidense como uma daquelas crises cíclicas do sistema, que alteraria algumas normas, fecharia alguns empreendimentos, ceifaria empregos, mas depois tudo voltaria a um estado dito “normal”.
Isto posto, fica uma pergunta: o que virá depois disso? E algo pertinente é ponderar sobre como a esquerda vai se portar diante de um ou outro cenário. Duas visões a respeito do pós-crise não são muito animadoras, tampouco esperançosas. A primeira é do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, já entrevistado pelo Futepoca e que, em entrevista à revista Fórum de outubro , vislumbra a possibilidade de uma saída mais “fascistóide”, bem ao gosto de uma parcela significativa da sociedade estadunidense. “Não quero fazer apostas nessa direção, mas se fosse apostar no que vai acontecer, não o faria em uma saída mais progressista tipo New Deal, mas em uma mais reacionária. A sociedade americana está “preparada” para uma saída mais fascistóide. A destruição de certas percepções foi muito profunda.”
Já o filósofo francês Paul Virilio, em entrevista ao Le Monde publicada na Carta Maior, crê ser impossível fazer uma análise da crise atual sem que seja considerada o que chama de “economia política da velocidade”, gerada pelo progresso das técnicas. E invoca a responsabilidade da esquerda para discutir o futuro imediato. “Essa economia da riqueza se tornou uma economia da velocidade. É de resto o problema da esquerda. Eles aplicam os velhos esquemas, proclamam a morte do capitalismo, esperando mais justiça social. Esse diagnóstico é um pouco apressado. Temos realmente um grande bebê no colo…Se o Estado não assume a medida desse futurismo do instante, poderíamos ao contrário ver chegar um capitalismo sem limites”.
Confira a íntegra da entrevista de Belluzzo aqui e a de Virilio aqui .

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