Governo e oposição avançam em acordo para solucionar crise política na Bolívia

Depois de quase 18 horas de reunião, lideranças políticas da Bolívia chegaram a um acordo que pode ser o marco de um novo processo institucional no país. Reunidos em Cochabamba, a cerca de 500...

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Depois de quase 18 horas de reunião, lideranças políticas da Bolívia chegaram a um acordo que pode ser o marco de um novo processo institucional no país. Reunidos em Cochabamba, a cerca de 500 quilômetros da capital La Paz, foram estabelecidas na madrugada desta sexta-feira, 19, as bases de entendimento entre governo e oposição, o que pode por fim a semanas de conflitos, protestos e provocações.

Nesse período, pelos menos 20 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, em choques entre governo e oposição que quase levaram o país a uma escalada de violência generalizada.

O encontro contou com a presença do presidente Evo Morales, de ministros de estado, deputados, governadores, diplomatas de sete países, de membros da Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização das Nações Unidas (ONU), União Européia (UE) e de religiosos católicos, evangélicos e metodistas. O Brasil esteve representado pelo embaixador na Bolívia, Frederico de Araújo, e pelo cônsul em Cochabamba, Álvaro de Oliveira.

O encontro foi considerado positivo pelo governador de Tarija, Mário Rossio, um dos principais negociadores da oposição. “Foi um dia duro, mas faz parte do processo. Temos visões distintas em alguns temas e coincidências em outros. O importante é que nós decidimos instalar o diálogo, que chegou a ficar frágil em alguns momentos, mas começa a amadurecer aos poucos”, afirmou ao término da reunião, por volta das 2h.

Os detalhes acertados no encontro também foram passados pelo vice-ministro de Descentralização, Fabian Yassic. Segundo ele, foram definidas três comissões de trabalho, que começam a as atividades no início da tarde de hoje: uma vai se concentrar na questão da distribuição dos lucros da exploração do gás e do petróleo entre governo central e departamentos, outra vai trabalhar a autonomia administrativa dos departamento e mudanças na nova Constituição, e a terceira, um novo pacto institucional.

Yassic afirmou que os entendimentos devem terminar com os bloqueios feitos por indígenas apoiadores de Evo nas principais estradas do país. “Estes avanços que estamos tendo, sem dúvida, vão proporcionar que as medidas de pressão possam ser suspensas”, disse ele, informando também que as últimas instituições públicas que haviam sido invadidas pela oposição já tinham sido entregues. A reunião prossegue pelo menos até sábado, 20, quando novamente terá a presença de Evo Morales, que hoje viaja ao Panamá para receber o título de honoris causa de uma universidade local.

Agência Brasil



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