Opinião: Lula assina acordo com Vaticano nesta quinta sobre ensino religioso

Em 13 de novembro, o presidente Lula terá audiência privada com o Papa Bento XVI para assinar o acordo Brasil-Santa Sé, que trata, dentre outras questões, do ensino religioso no Brasil. A visita retoma...

133 1

Em 13 de novembro, o presidente Lula terá audiência privada com o Papa Bento XVI para assinar o acordo Brasil-Santa Sé, que trata, dentre outras questões, do ensino religioso no Brasil. A visita retoma agenda tratada durante a vinda de Bento XVI ao Brasil e foi noticiada pela imprensa internacional e pelo Itamaraty.

O conteúdo do documento não foi ainda publicizado. Destaca-se apenas que está compatível com a legislação brasileira. De acordo com o jornal argentino El Clarín, o convênio incluirá o ensino religioso, de forma plural, nos currículos das escolas públicas “del gigantesco país sudamericano”.

A ONG “Católicas pelo Direito de Decidir” divulgou carta aberta questionando a assinatura do acordo. O texto menciona a ausência de debate público e manifesta preocupação “diante da possibilidade de que os termos desse acordo firam o princípio constitucional da separação Estado/Igreja. Preocupa-nos ainda que uma proposição de ensino religioso venha a infringir tanto o princípio de laicidade quanto a cultura de respeito à pluralidade religiosa e a manifestação pública de não adesão à qualquer crença”.

O estranhamento é motivado pelo significado político da assinatura do documento e seu conflito com o princípio de laicidade do Estado brasileiro e com a “forma plural” que se propõe a prática de ensino religioso no país.

“O fato do Presidente firmar acordo com o Vaticano já significa, a princípio, o tratamento diferenciado de uma crença religiosa em detrimento das demais, as quais, por questões que dizem respeito unicamente às próprias confissões, não dispõem de instrumentos institucionais nos moldes da Igreja Católica”, alerta Salomão Ximenes, advogado e coordenador do programa Ação na Justiça, da Ação Educativa.

Ausente do debate público, o tema merece destaque e problematização nos veículos de comunicação do país.

_______________________
O Observatório da Educação monitora a conjuntura da educação, em âmbito nacional, para incidir nos temas ou enfoques adotados pela mídia e que pautam o debate público em torno da Educação.



No artigo

1 comment

  1. oto rodrigues

    A religião predominante na Palestina na época de Jesus era o judaismo, sendo ele próprio um judeu. Ele mostrou-os quão errados estavam. Convidou-os a acertarem o caminho. Mas nunca exigiu que seus dirigentes e, mais ainda, que o governo secular da região, no caso os romanos, obrigassem as crianças a ouvirem os ensinos do Filho de Deus em escolas ou qualquer outro lugar onde certamente haviam filhos de seguidores do judaismo e de outras minorias. Tenho dúvidas da força e poder de qualquer religião que precise valer de leis humanas para impor suas doutrinas e pensamentos a todos. Com esta atitude, ela confessa seu erro ou fraqueza. Jesus nunca obrigou São Pedro, São João ou qualquer outro, inclusive Judas Iscariotes, a aceitar seus ensinos.Ele estava com a verdade, mas sempre deixou as pessoas em livre arbítrio. Os católicos romanos, hoje, querem repetir o erro dos judeus daquela época: mostram intolerancia para com a opinião diferente, e quer obrigar almas incautas a aceitarem sua doutrina. Quantas cruzes serão erguidas no calvário atual para os que não aceitarem tal infâmia? Querem ensinar religião aos filhos, mas na verdade ensinarão ódio, preconceito e hipocrisia. Se eu quiser que meu filho siga uma tal doutrina religiosa, eu farei com ele frequente uma tal igreja ou uma escola mantida por esta igreja. Se meu vizinho achar que seu filho não deva aprender sobre esta religião, ele tem todo o direito, a Constituição federal o garante, de levar seu filho a outra seita ou a nenhuma, e assim por diante.

Comments are closed.


x