Para tornar concretos os ideais

Quando surgiu o Fórum Social Mundial, em 2001, na cidade de Porto Alegre, o pensamento único era dominante, tanto que a principal contraposição era feita justamente em relação ao Fórum Econômico de Davos. Passados...

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Quando surgiu o Fórum Social Mundial, em 2001, na cidade de Porto Alegre, o pensamento único era dominante, tanto que a principal contraposição era feita justamente em relação ao Fórum Econômico de Davos. Passados oito anos, os próprios figurões que ainda freqüentam o esvaziado evento suíço têm que levar em consideração aquilo que é discutido no FSM e o social entrou definitivamente na pauta de qualquer discussão em nível mundial.
Mas se o pensamento único já não existe e as diversas forças progressistas já conseguem se articular de forma a se unir em torno de bandeiras comuns, também é verdade que o que se produziu em termos práticos para concretizar os ideais de um outro mundo possível ainda é pouco. As experiências no campo da economia, por exemplo, são restritas e guardam pouca relação entre si, o que prejudica a construção de alternativas sólidas ao modelo clássico em que o lucro prevalece.
Mas o fato é que as iniciativas existem e algumas são estimulantes para se projetar um futuro de menor desigualdade social. A entrevista de capa desta edição, com o professor Ladislau Dowbor, evidencia o período de transformações radicais pelo qual passamos, com aprofundamento das inovações tecnológicas e reformulação de conceitos em diversas áreas do conhecimento. Com isso, abre-se uma janela de oportunidades para aqueles que discutem como viabilizar uma mudança efetiva de modelo econômico.
Os princípios da economia solidária, as tecnologias sociais e o cooperativismo encontram solo fértil hoje, tanto em termos práticos como também em estudos e pesquisas acadêmicas. Por isso, é necessário que haja uma comunicação cada vez maior entre os diversos empreendimentos existentes, e cabe não apenas à sociedade civil, que já se movimenta nesse sentido, mas também ao Poder Público em todos os seus níveis começar a olhar com mais atenção a essa área. Um momento como esse, em que até mesmo as empresas capitalistas passam a ver com outros olhos o associativismo, não pode, e nem deve, ser desperdiçado por quem sempre almejou a mudança real. F



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