“Parece que estamos delirando"

O professsor Ildo Sauer, da Universidade de São Paulo (USP), afirmou ser contra a construção de usinas nucleares para gerar energia por conta da vasta opção de matrizes energéticas que o Brasil possui. A declaração foi dada em...

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O professsor Ildo Sauer, da Universidade de São Paulo (USP), afirmou ser contra a construção de usinas nucleares para gerar energia por conta da vasta opção de matrizes energéticas que o Brasil possui. A declaração foi dada em sua palestra no seminário nacional "Energia, Desenvolvimento e Soberania: Estratégias da CUT".

Sobre a retomada da construção da usina Angra 3, localizada em Angra dos Reis (RJ), Ildo comentou que o custo do megawatt/hora é muito além do que outras opções, como a energia hidrelétrica, pode fornecer. Segundo seu cálculo, o valor MW/h pode chegar a R$680,00. “Parece que estamos delirando”, afirmou o especialista, diante de confirmação de Edson Lobão, ministro das Minas e Energia, de construir cinqüenta usinas nucleares nos próximos 50 anos. As previsões são que a Angra 3 deverá estar em operação em um prazo de cinco anos.

Custo da energia

Ildo, em sua palestra, também afirmou que se faz extremamente necessário debater modelo de organização da indústria elétrica nacional. "Atualmente, cerca de 600 grandes empresas conseguem compram energia das distribuidoras. Pelo modelo energético brasileiro, vão ao mercado livre de energia, onde conseguem comprar a preço de custo”, afirmou o pesquisador. Ele se refere às distribuidoras que entregam energia às residências e conseguem um preço bem menor que aquele pago pelo consumidor comum.

 



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1 comment

  1. José Domingos

    O prof. Ildo Sauer tem toda razão em considerar delírio a fala do Min. Lobão sobre as 50 usinas nucleares, à razão de uma por ano, sabe-se lá a partir de quando. Uma fala irresponsável, porque descolada de qualquer contexto de planejamento energético, para que possa ser analisada em sua relação com outras eventuais medidas. E que acende novamente o sinal vermelho a respeito de uma eventual retomada de planos militares quanto à construção de artefatos nucleares. Isso só evidencia a necessidade de a sociedade se mobilizar para criar formas de acompanhamento e controle das decisões sobre energia, autônomas em relação ao governo e às agências reguladoras desse campo. Especialistas em questões científicas e técnicas das universidades, conhecedores da política das empresas que militam nos sindicatos do setor, ambientalistas e técnicos de organizações não governamentais, agentes do ministério público poderiam se juntar e buscar o apoio da sociedade para criar instâncias de controle social, formas democráticas de governança que permitiriam amplicar a participação nas decisões em setor tão estratégico quanto o energético. Talvez seja essa uma forma de evitarmos andar para trás nas opções energéticas do país.

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