Ana Maria Prestes defende Rafael Corrêa, acusado de “neoliberal”

Parte da programação do Seminário de Avaliação dos 10 Anos dos Fórum Social Mundial, a mesa de painelistas foi composta pelo professor Zraih Ab Der Kadel, representante do Forum des Alternatives du Maroc (Marrocos);...

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Parte da programação do Seminário de Avaliação dos 10 Anos dos Fórum Social Mundial, a mesa de painelistas foi composta pelo professor Zraih Ab Der Kadel, representante do Forum des Alternatives du Maroc (Marrocos); Mercia Andrews, do Trust for Community Outreach and Education (África do Sul); sociólogo Marco Deriu, da Universidade de Parma (Itália); Ana Maria Prestes, da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae); Segundo Churuchumbi, do movimento Ecuarunari (Confederación Kichwa del Ecuador); e Daniel Pasqual, coordenador do Comitê Via Campesina (Guatemala). A mediação da mesa ficou por conta do sindicalista Lélio Falcão, da Força Sindical.

Na abertura da discussão, o presidente do Parlamento gaúcho, deputado Ivar Pavan (PT), afirmou que o modelo de consumo norte-americano é insustentável. Um dos problemas resultantes é o desequilíbrio ambiental, destacou. Na visão de Pavan, o bem viver passa por uma sociedade focada na vida: “Uma sociedade focada na vida é uma sociedade democrática, equilibrada socialmente, diversa culturalmente e economicamente viável”.

FSM tem que propor pautas
A insustentabilidade do modo capitalista de produção, tanto econômica, quanto social e ambientalmente foi apontada por todos os painelistas. A sulafricana Mercia Andrews destacou ainda importância da superação da divisão social do trabalho existente entre homens e mulheres na construção de uma nova sociedade, que possibilite o "bem-viver".

Zraih Abderkadel falou sobre a crise de perspectiva das esquerdas após a queda do muro de Berlim e defendeu o Fórum Social Mundial como um espaço de diálogo para o desenvolvimento de um novo processo, para construir o novo mundo "que agora nos parece possível" e que teria por pilares os direitos humanos, a justiça social e a preservação da natureza. Para o marroquino, cabe ao Fórum estabelecer o que é prioritário e consensual, para que cada movimento, cada país, possa trabalhar a construção deste novo mundo possível a partir das discussões do FSM.

O representante de Marrocos ressaltou ainda que este debate de "bem-viver", ou de uma sociedade com condições dignas de vida é um debate novo, visto que o debate predominante na história do Marrocos foi a libertação do coloniaalismo estadunidense, inglês e francês. Já o equatoriano Segundo Churuchumbi, crítico de Rafael Corrêa, esclareceu que este termo vem da cultura indígena e é um tema milenar.

Em sua fala, Churuchumbi desferiu inúmeras críticas ao presidente do Equador, Rafael Corrêa, acusando-o de neoliberal, de querer privatizar as águas e de humilhar a população indígena do país.

A brasileira Ana Maria Prestes iniciou sua fala demarcando a importância, dentro do debate de 10 anos de FSM, de valorizar o aniversário de uma década também da assembleia dos movimentos sociais que se organiza a cada edição do Fórum. Ainda no âmbito da avaliação do fenômeno FSM, Ana Maria o valorizou como espaço que "tem a capacidade de fazer sobressair nas nossas discussões questões reprimidas secular, milenarmente" e deu como exemplos a própria discussão sobre "bem-viver", que na sua avaliação é resultado do sucesso do FSM ocorrido em Belém em 2009 e a grande participação de povos e organizações indígenas naquela edição. Outro exemplo citado pela estudante foi o debate sobre as castas, que ocorreu na edição 2004 do Fórum Social Mundial, na Índia.

Em contraponto às críticas apresentadas a Rafel Corrêa, Ana Maria disse que a América Latina vive uma situação especial e que a eleição de governos progressistas, que estabelecem uma relação diferenciada com os movimentos sociais, deve também entrar na avaliação dos 10 anos de FSM. E citou os governos da Bolívia, da Venezuela, do Brasil, do Uruguai, da Argentina e também o governo de Rafael Corrêa, no Equador. Para sustentar sua posição, argumentou que as próprias reformas constitucionais relizadas na Bolívia e também no Equador incorporam o conceito de bem viver no seu texto.

Ao final de sua intervenção, Ana Maria defendeu ainda que a sustentabilidade não pode se contrapor ao desenvolvimento, e concluiu que o desenvolvimento tecnológico e até industrial podem servir à emancipação ou ao aumento do grau de opressão, mas não são maléficos ouo benéficos à humanidade por si.

Com informações do Vermelho.

Foto de Luana Bonone.



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