Artigo: Um Fórum para a Amazônia

Ao completar um ano, o Fórum Amazônia Sustentável pode contabilizar alguns avanços. Foram realizados lançamentos em São Paulo e Manaus, além de uma importante parceria com o Movimento Nossa São Paulo, que desembocou na...

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Ao completar um ano, o Fórum Amazônia Sustentável pode contabilizar alguns avanços. Foram realizados lançamentos em São Paulo e Manaus, além de uma importante parceria com o Movimento Nossa São Paulo, que desembocou na criação de diversos pactos para garantir uma relação mais transparente e sustentável entre o Sul/Sudeste do Brasil e a Amazônia. Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos e membro da Comissão Executiva do Fórum, acredita que este primeiro anos foi um período rico em experiências e diálogos. “Em um ano as crianças ainda nem sabem andar”, diz Young.

No entanto, os desafios são ainda maiores, já que em 2009 o país deve levar à Conferência de Mudanças Climática de Copenhagen uma proposta que contemple modelos de desenvolvimento sustentável para a Amazônia. Também o reforço do trabalho do Fórum em um modelo de abordagem por cadeias produtivas é um caminho que a atuação neste primeiro ano mostrou ser importante. Esta constatação vem dos reflexos positivos do Conexões Sustentáveis, que está sendo construído em parceria com o Movimento Nossa São Paulo.

O primeiro dia de reuniões, em Manaus, mostrou uma unidade em torno de diversos temas e poucos dissensos entre os signatários. Neste ano, também, o Fórum ganhou corpo. Dos pouco mais de 70 signatários que assinaram a Carta Compromisso em Belém, hoje são mais de 130 organizações e empresas que estão comprometidas com os princípios do desenvolvimento sustentável na região. Mas, como uma organização que cresce e busca seu papel em um processo dinâmico de desenvolvimento, o Fórum está se reconstruindo, discutindo sua governança e estabelecendo suas prioridades entre as milhares de demandas que surgem através de seus atores.

Algumas constatações, no entanto, ficam como linhas de ação. A consolidação da idéia de que o sistema financeiro tem um papel estrutural na construção da sustentabilidade na região. Na mesa Instrumentos Econômicos para uma Amazônia Sustentável, o representante do IFC, Reginaldo Magalhães, deixou claro que não há como delinear um plano de desenvolvimento se as instituições financeiras não estiverem preparadas para mudar os paradigmas de desenvolvimento com os quais trabalham. Vários exemplos mostram que os bancos ainda estão dimensionando sua oferta de crédito de acordo com os modelos de “terra desmatada é terra produtiva”. Não há, ainda, modelos financeiros de valoração da floresta em pé.

Existem inovações, principalmente nos fundos Amazônia, que é gerido pelo BNDES e recebe recursos nacionais e internacionais (por enquanto a Dinamarca é o primeiro e único doador), que vai apoiar a transformação de processos produtivos de forma a substituir a ilegalidade e a insustentabilidade por atividades de geração de renda e inclusão cidadã. Mas ainda está no começo, como contou o diretor de sustentabilidade do banco, Márcio Macedo. Segundo ele o fundo ainda é novo e a gestão nos próximos meses é que vai demonstrar o que poderá ser feito. Macedo é otimista em relação a novos doadores, inclusive entre empresas brasileiras.

O ex-secretário de meio ambiente do Estado do Amazonas, Virgílio Viana, atual secretário executivo da Fundação Amazonas Sustentável, é outro que está otimista. Para ele existem forma inovadoras de gestão de florestas, que podem utilizar fundos para mudar os paradigmas dos povos da floresta. “Precisamos que os próprios povos da floresta sejam seus guardiões, para isto temos de oferecer condições de vida que substituam a exploração predatória dos recursos naturais e que consigam valorizar o trabalho de preservação”, explica Virgílio.

Em uma das falas que mais mobilizou o público do Fórum, o consultor Sergio Abranches, comentarista de sustentabilidade da rádio CBN, disse que não se pode mais esperar que um poder central traga todas as soluções para a Amazônia. Para ele é preciso que a região (e o Fórum é um instrumento legítimo para isto) construa suas próprias propostas de desenvolvimento, diferente daquele que vem se repetindo ao longo dos séculos XIX e XX. “Não podemos mais pensar desenvolvimento como Arthur Bernardes, para quem desmatar e construir estradas era considerado o progresso do Brasil”, e concluiu: “Estas teses apenas nos levaram através de conceitos como subdesenvolvidos, em desenvolvimento e, agora, emergentes, ou seja, a reboque”.

Ricardo Young vê o futuro do Fórum com otimismo e seus temas com preocupação. “Temos pouco tempo para construir alternativas que mostram que o Brasil é capaz de estabelecer uma governança sobre a região”, disse.

Nesta quarta-feira o Fórum está trabalhando na reconstrução de seus próprios sistemas de governança e participação, de forma a garantir a capilaridade da ação entre todos os sues signatários e uma relação mais abrangente com a sociedade.

Envolverde/Fórum Amazônia Sustentável



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