Assassinatos e torturas de cunho homofóbico crescem no Iraque

Homossexuais iraquianos estão sendo torturados e mortos por milícias xiitas numa campanha sistemática que se alastra de Bagdá para várias outras cidades. De acordo com a Human Rights Watch há indícios da colaboração das forças de segurança...

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Homossexuais iraquianos estão sendo torturados e mortos por milícias xiitas numa campanha sistemática que se alastra de Bagdá para várias outras cidades. De acordo com a Human Rights Watch há indícios da colaboração das forças de segurança nesta "limpeza social". "São cometidos crimes com impunidade, intencionalmente admoestadores, com corpos atirados para o lixo ou pendurados nas ruas como avisos", lê-se no documento.

Os crimes começaram em Bagdá e se espalharam por diversas outras cidades. Foram encontrados diversos cadáveres de homossexuais com a palavra "pervertido" gravada no peito.

A campanha é em grande parte atribuída a extremistas xiitas que perseguem comportamentos considerados não-islâmicos, referindo-se também casos de espancamento e assassinato de mulheres por não taparem a cabeça e à colocação de bombas em lojas de bebidas.

No relatório de 67 páginas intitulado "Eles nos querem exterminados: assassinato, tortura, orientação sexual e gênero no Iraque", a Humans Right Watch denuncia que os assassinatos não só não foram investigados – estima-se que sejam da ordem das centenas e nunca foi encontrado nenhum culpado – como as forças de segurança já se juntaram aos criminosos.

Um iraquiano de 35 anos contou à Human Rights Watch que o seu companheiro de dez anos havia sido assassinado. Quatro homens armados tinham entrado na casa dos pais do companheiro. "Insultaram-no e levaram-no, em frente aos pais", disse. "Foi encontrado no bairro no dia seguinte. Tiraram o seu cadáver no lixo. Os órgãos genitais tinham sido cortados e um pedaço da garganta arrancado." O homem que contou a história à Human Rights Watch tinha saído da cidade onde os dois viviam, e estava com dificuldades em falar devido ao trauma.

Outro dos homossexuais ouvidos pela organização internacional, um jovem de 18 anos, conta que dois amigos seus foram assassinados. Dias mais tarde, alguém deixou um envelope com uma bala e uma nota: "Por que ainda está aqui? Está pronto para morrer?".

O sexo consensual entre dois homens adultos não é punido pela lei iraquiana. Algumas vítimas que conseguiram escapar fugiram para países onde os atos homossexuais são crime, como o Líbano ou o Egito, onde mesmo assim se sentiram em maior segurança.

O relatório, em inglês, pode ser consultado aqui.

Por Esquerda.net.



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