Balanço das eleições europeias: direita à frente

Nas eleições europeias, a direita ficou à frente, enquanto os partidos filiados no Partido Socialista Europeu sofreram um sério revés nos quatro maiores países da UE: Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália. As maiores derrotas foram...

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Nas eleições europeias, a direita ficou à frente, enquanto os partidos filiados no Partido Socialista Europeu sofreram um sério revés nos quatro maiores países da UE: Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália. As maiores derrotas foram sofridas pelos trabalhistas ingleses, que passaram a terceiro partido; e pelos socialistas franceses, que perderam mais de metade dos seus eurodeputados.

Na Alemanha, a CDU-CSU (direita democrata cristã) da chanceler Angela Merkel perdeu 7 deputados e 6,6%, mas foi a força política mais votada, com 42 eleitos. O SPD (sociais-democratas) obteve 20,8%, menos 0,7% que em 2004, mantendo 23 eleitos. Os liberais ganharam 5 deputados, passando de 7 para 12, enquanto os Verdes elegeram 14 deputados (mais um que em 2004) e o Partido da Esquerda (Die Linke) elegeu 8 deputados, mais um que em 2004 e subindo 1,4 pontos percentuais.

Já na França, o partido do presidente Sarkozy, a UMP, foi o mais votado, saindo reforçado em número de votos e mandatos. O Partido Socialista Francês baixou de 28,9% para 16,8% e perdeu 17 mandatos, elegendo 14 deputados. A grande subida foi da formação Europe Ecologie, encabeçada por Daniel Cohen-Bendit, que obteve 16,2% e elegeu 14 deputados, mais do dobro do que os Verdes tinham obtido em 2004. A Front de Gauche teve 6,3% e elegeu quatro deputados, mais um que o PCF obtivera em 2004, apesar de a percentagem ser mais baixa. O NPA obteve 4,8%, mas não elegeu nenhum deputado.

Os trabalhistas ingeleses sofreram uma grande derrota, perdendo 6 deputados e passando de 22,6% para 15,3%. Com esta queda do partido de Blair e Gordon Brown, o segundo lugar, atrás dos conservadores, foi ocupado pelo UKIP, um partido conservador, que defende a saída da União Europeia. O BNP (Partido Nacionalista Britânico) de extrema direita, elegeu dois deputados, pela primeira vez.

Itália e Portugal

Na Itália, o partido de Berlusconi e Fini (PdL) foi o mais votado, subindo em relação a 2004, tal como a Liga do Norte, o outro partido de extrema direita, aliado de Berlusconi. O Partido Democrático perdeu 3 deputados em relação ao que tinha obtido a Oliveira, uma aliança de centro.

À esquerda, todas as formações deixaram de ter deputados, Verdes, Refundação e Comunistas de Itália baixaram significativamente e não elegeram nenhum deputado. O partido do juiz Di Pietro, Itália dos Valores, foi o grande ganhador, passando de 2 para 8 deputados.

Em Portugal, o Bloco de Esquerda foi o terceiro partido nas eleições europeias, com 10,74%, elegendo três deputados. O PSD, com 31,68%, elegeu 8 deputados e foi o partido mais votado, enquanto o PS obteve 26,58% e 7 eleitos, perdendo 5 deputados.

Em 2004, o Bloco de Esquerda obteve 167.039 votos, 4,92% e elegera pela primeira vez um eurodeputado: Miguel Portas (ver entrevista concedida à Fórum aqui). O PS foi em 2004 o grande vencedor, com 1.511.214 votos, 44,52% e elegendo 12 deputados. Já  estas eleições, o Partido Socialista perdeu cinco deputados, sendo o único  que perdeu mandatos, apesar do número de deputados eleitos por Portugal ter sido reduzido de 24 para 22. O PSD elegeu mais um eurodeputado e o Bloco de Esquerda mais dois, Marisa Matias e Rui Tavares.

Com informações do Esquerda.net.

Leia também: Os impasses do Parlamento Europeu.



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