Caso de desaparecidos colombianos completa 23 anos de impunidade

Nesta sexta-feira, 7, em Bogotá, os familiares dos desaparecidos da cafeteria do Palácio da Justiça celebram 23 anos de luta pela busca da verdade e da justiça. Em comunicado, os familiares denunciam a impunidade...

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Nesta sexta-feira, 7, em Bogotá, os familiares dos desaparecidos da cafeteria do Palácio da Justiça celebram 23 anos de luta pela busca da verdade e da justiça. Em comunicado, os familiares denunciam a impunidade dos crimes cometidos contra seus parentes. Segundo eles, as provas dos seqüestros, torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados, sob ordem das instâncias militares são contundentes.

No comunicado, os familiares se mostram indignados pelas decisões tomadas por juízes de Bogotá. Eles informam que, em uma delas, o juiz não assumiu os compromissos derivados de administrar justiça e permitiu que os prazos se vencessem ao não realizar a tempo a audiência pública de julgamento contra o coronel aposentando Edilberto Sanchez Rubiano e outros membros do B2 do exército nacional, permitindo assim que esses militares acusados de crimes de lesa humanidade estejam hoje em liberdade.

A outra decisão foi a concessão a Alfonso Plazas veja e mais tempo do que teve em 23 anos durante os quais não conseguiu evadir sua responsabilidade diante dos fatos e dos desaparecidos do Palácio da Justiça em 1985. O Ministério Público ordenou a captura de onze militares, entre eles os ex-generais Arias Cabrales e Ivan Ramírez e os ex-coronéis Plazas veja e Edilberto Sanchez Rubiano. De acordo com os familiares, o fato de que o caso de Rubiano tenha vencido, não significa que ele poderá burlar a justiça e aqueles que reclamam verdade e justiça.

Os familiares afirmam também que os 23 conjuntos de restos ósseos exumados em uma vala comum do cemitério do sul referidos por Plazas como os restos dos desaparecidos não correspondem aos do Palácio da Justiça, segundo análises de DNA do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forense do Laboratório de Genética Forense da Fiscalía General da Nação em cooperação com os laboratórios de DNA da Guarda Civil e da Universidade de Granada, na Espanha.

No comunicado, os familiares dos desaparecidos expõem uma série de demandas. Entre elas, o prosseguimento do processo investigativo por parte da fiscal quarta delegada e do fiscal geral Mario Iguarán diante da Corte Suprema de Justiça. Pedem também que o vice-fiscal geral da Nação não desconheça os fatos que provam que os familiares foram seqüestrados e que permita que os responsáveis devam responder por crimes hediondos e sejam julgados por juízes especializados.

Outra demanda diz respeito à tomada de medidas pertinentes para que Rubiano seja implicado claramente no seqüestro, desaparecimento, tortura e assassinato os parentes. Informam ainda que estão estudando e analisando a solicitação de uma denúncia diante da autoridade disciplinar competente sobre a lentidão e o não cumprimento dos termos processuais, o que aumentaria significativamente as denúncias diante da Comissão de Direitos Humanos da OEA.

"São 23 anos de luta, em que todos os familiares dos desaparecidos do Palácio de Justiça começamos com essa batalha a partir de 6 de novembro de 1985, mas ninguém nos escutou, passaram seis presidentes e nenhum deles pôs atenção ao cruel crime de estado contra a vida e contra a justiça colombiana, o atual presidente Álvaro Uribe Vélez jamais nos atendeu, pelo contrário, nomeou, isso sim, o ex-coronel Plazas Vega como diretor de Narcóticos consciente das acusações que pesavam sobre suas costas, que antes havia saído dessa entidade em meio a um escândalo de corrupção", destaca.



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