Celebridades, glúten e auto-ajuda na festa de Marina Silva

Os ambientalistas Vitor Fasano e Cristiane Torloni chegaram de óculos escuros ao bufê Rosa Rosarium, em Pinheiros, no domingo, para a festa-filiação de Marina Silva no PV. O disfarce não funcionou e a dupla...

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Os ambientalistas Vitor Fasano e Cristiane Torloni chegaram de óculos escuros ao bufê Rosa Rosarium, em Pinheiros, no domingo, para a festa-filiação de Marina Silva no PV. O disfarce não funcionou e a dupla pop-green logo foi identificada pelos “militantes” que se empanturravam de glúten em volta da mesa do salão principal.

Vitor e Cristiane sentaram-se na primeira fila ao lado de outra celebridade, Maria Cristina Mendes Caldeira. Lembra dela? Trata-se da socialite que ficou famosa depois de infernizar a vida do ex-marido, Valdemar da Costa Neto, nos tempos do mensalão. A moça, engajada que é, trajava uma camiseta verde com a estampa de Chico Mendes. Assim como seu cãozinho, um beagle. Todo de verde, o bem comportado animal passou a cerimônia em seu colo sem dar um latido.

Para esse repórter, Maria Cristina contou que impôs uma condição para voltar ao PV: “Pedi a Marina que ela fizesse uma depuração e acabasse com a corrupção na legenda”. Dizendo-se “empreendora social”, a ex-Costa Neto contou que está abrindo um instituto. O nome? Mendes Caldeira. A missão? “Ser despachante do bem”.

José Penna, o presidente do partido, chegou de terno, gravata e cercado por três seguranças. Ele não é assim um Fasano, mas foi prontamente reconhecido pelos ativistas uniformizados, que chegaram em caravanas de ônibus. As claques iam ficando claras conforme a mestre de cerimônia ia citando os nomes do presentes.

A pergunta do dia era se Juca Ferreira iria aparecer. Único verde do governo Lula e defensor da candidatura Dilma, Juca foi. Temendo apupos, chegou colado em Marina. O herdeiro de Gil na Cultura definitivamente não estava à vontade. Recusou o centro e sentou-se no canto da mesa das autoridades. Evitou também o microfone e, no fim, depois do hino nacional, saiu em passos rápidos. Esbarrou porém nos repórteres, que queriam saber: “O senhor vai apoiar Dilma Rouseff ou Marina Silva?”. Bastante irritado, responde: “Isso não é pergunta, é provocação”. Não era, mas tudo bem.

O aguardado discurso de Marina foi pontuado por toques do escritor Augusto Cury, mestre da auto-ajuda. E terminou em choro da candidata. Marina encerrou o discurso dizendo que mudou de casa, mas não de rua. Juca gostou. “Isso mostra que ela não será uma candidata de oposição”. O reportariado presente não deu muita bola para esse detalhe, que simplesmente encerra qualquer especulação.

Marina Silva vai estar no palanque do PT no segundo turno. Ela não se curvaria aos capos tucanos do partido. A propósito, ficou bem claro que, a partir de agora, ela é sócia majoritária da legenda. O grupo que cuidará da campanha foi formado no domingo com a seguinte configuração: 10 indicados por ela, 10 pelo partido e mais o presidente Penna. O evento de filiação de Marina Silva foi um retrato do que será o PV em 2010: um partido com uma líder carismática, muitas celebridades, pitadas de auto-ajuda e absolutamente nenhuma consistência. Falta aos verdes, enfim, amadurecer…

Foto: Antonio Cruz/ABr



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2 comments

  1. Joaquim

    Acho que as vezes os jornalistas forçam um pouco a história. Lógicos que devemos realizar crítica, caso haja. Não achei nada de mais essa festa. E outra, nunca poderemos esquecer, que a base da política, são as relações com todas as pessoas de todas as ideologias, por isso o Lula está em alta no mundo Todo. Talvez se as pessoas não gostarem da Marina Silva, Poderiamos colocar alguém do PSDB pra ver se a gente consegue privatizar o resto deo Brasil, ou quem sabe um Maluf, ou Blairo Maggi da vida no poder, pra roubar e fazer ou acabar com os nossos ecossistemas incondicionalmente para produzir monocultura para exportação. Devemos abrir um pouco mais nossos pensamentos para os problemas em voga e não acho que esse artigo está realizando isso.

  2. Joaquim

    Acho que as vezes os jornalistas forçam um pouco a história. Lógicos que devemos realizar crítica, caso haja. Não achei nada de mais essa festa. E outra, nunca poderemos esquecer, que a base da política, são as relações com todas as pessoas de todas as ideologias, por isso o Lula está em alta no mundo Todo. Talvez se as pessoas não gostarem da Marina Silva, Poderiamos colocar alguém do PSDB pra ver se a gente consegue privatizar o resto deo Brasil, ou quem sabe um Maluf, ou Blairo Maggi da vida no poder, pra roubar e fazer ou acabar com os nossos ecossistemas incondicionalmente para produzir monocultura para exportação. Devemos abrir um pouco mais nossos pensamentos para os problemas em voga e não acho que esse artigo está realizando isso.

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