Chávez defende Banco do Sul para enfrentar crise

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defendeu nesta terça-feira, em Manaus, a ativação do Banco do Sul para defender o continente sul-americano da crise financeira internacional. "Não podemos e não devemos perder um dia...

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defendeu nesta terça-feira, em Manaus, a ativação do Banco do Sul para defender o continente sul-americano da crise financeira internacional.

"Não podemos e não devemos perder um dia a mais na ativação do Banco do Sul", declarou Chávez durante encontro com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o equatoriano Rafael Correa e o boliviano Evo Morales, nesta terça-feira em Manaus.

"O Banco do Sul, por meio de um fundo de financiamento, de cooperação, vai assegurar desenvolvimento dos povos (para), definitivamente, nos desamarrarmos do nefasto sistema neoliberal que está acabando com o mundo", acrescentou.

Chávez fez a declaração ao ser questionado sobre o impacto da crise do sistema financeiro dos EUA na América Latina, cuja principal conseqüência pode ser a restrição no acesso ao crédito.

"É importante que cada país revise sua situação para superar este ‘crack‘, que, considero, será pior do que o de 1929 e vai afetar todo o mundo", afirmou.

"Nenhum país pode dizer que não será afetado enquanto estiver conectado com o modelo financeiro mundial", acrescentou.

Para o presidente venezuelano, os países da região têm que "partir para a ofensiva" para não sentirem os reflexos da recessão.

"A melhor estratégia é a ofensiva. Enquanto se afunda o neoliberalismo, nós avançaremos na unidade de maneira muito concreta com o Banco do Sul", afirmou.

Obstáculos ao acordo
Chávez disse que "trâmites burocráticos" estariam impedindo a concretização do acordo para a criação do banco, anunciado há um ano. Participam das negociações Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Porém, de acordo com uma fonte diplomática venezuelana ouvida pela BBC Brasil, o principal obstáculo para a aprovação do acordo estaria no poder de decisão que cada país terá na administração do banco.

Segundo esta fonte, o governo brasileiro propõe que o voto dos países com maior participação econômica tenha maior peso.

Já o governo equatoriano argumenta que essa prática é a mesma aplicada pelo Banco Mundial e defende que os votos dos países membros tenham o mesmo peso, independente do peso econômico.

O tema entrou na pauta de discussão do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Chávez, Correa e o presidente da Bolívia Evo Morales.

O presidente venezuelano, no entanto, disse esperar que o Banco do Sul comece a operar ainda este ano.

"Espero que até o final do ano possamos colocar em marcha o Banco do Sul. Enquanto os bancos capitalistas se afundam, que nasça o Banco do Sul", afirmou Chávez ao final da reunião multilateral.



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