Comissão interina e falta de recursos põem reconstrução do país em risco

As marcas de destruição deixadas pelo terremoto que atingiu o Haiti no dia 12 de janeiro deste ano parecem que demorarão a ser curadas. Se a reconstrução do país já não seria fácil com...

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As marcas de destruição deixadas pelo terremoto que atingiu o Haiti no dia 12 de janeiro deste ano parecem que demorarão a ser curadas. Se a reconstrução do país já não seria fácil com a ajuda internacional, sem ela, está ainda mais difícil. Em julho deste ano, seis meses após o sismo, pouco se havia feito pelo país caribenho.

De acordo com material divulgado por Jubileu Sul/Américas durante o Fórum Social das Américas – realizado no mês passado em Assunção, no Paraguai – o plano para a construção de um “Novo Haiti” ainda é algo distante da realidade do país. A maior parte da doação prometida ainda não chegou à nação e a Comissão Interina para a Reconstrução do Haiti (CIRH) – formada em março passado de maneira “antidemocrática” -, até julho deste ano, ainda não tinha começado as atividades.

Um artigo assinado por Isabel MacDonald em 28 de julho revela que muito do que foi prometido por líderes ocidentais no início no ano ainda não foi cumprido. “Mais de seis meses depois do terremoto, o plano para o ‘novo futuro do Haiti’ (um esforço ‘liderado por haitiano’ e que, curiosamente, foi criado sob a supervisão do Banco Mundial por uma comissão composta por 20 membros com direito a voto, dos quais só sete eram haitianos) parece algo distante, se temos em conta os ‘esforços humanitários’ que se realizaram até o momento”, afirmou.

Prova disso é que, segundo ela, acordou-se, durante a Conferência de Doadores da Organização das Nações Unidas (ONU) realizada no início do ano, doar 5,4 bilhões de dólares ao país caribenho nos próximos anos. No entanto, até julho, apenas cerca de 10% dessa quantia já havia sido desembolsada para o Haiti, sendo pelo menos dois terços sob a forma de “alívio da dívida”.

Além disso, MacDonald denunciou que ainda não foi desembolsado nada dos 180 milhões de dólares prometidos pelo governo da França através de contribuições a agências da ONU e da Cruz Vermelha. Dos 1,3 bilhões de dólares recolhidos por grupos de socorro dos Estados Unidos e dos 609 milhões conseguidos pela Cruz Vermelha estadunidense e por Serviços Católicos de Socorro, as organizações, juntas gastaram apenas 179 milhões.

Enquanto isso, milhares de haitianos e haitianas continuam sem ter onde morar e mais de 200 mil nem sequer têm um toldo ou uma lona para se abrigar. Até julho, apenas 4,5% dos “refúgios temporais” previstos haviam sido construídos.

CIRH

Não é só a falta de recursos que prejudica a reconstrução plena e soberana do país devastado pelo terremoto. Para a Plataforma de Ação por um Desenvolvimento Alternativo (Padpa), instrumentos como a Comissão Interina de Reconstrução do Haiti (CIRH) vão de encontro com o processo de reconstrução baseado na soberania nacional.

“Denunciamos que a CIRH é um instrumento que busca dar o toque final ao processo de recolonização de nosso país e é também a crônica de um fracasso anunciado”, afirmou a Plataforma em comunicado divulgado em julho passado.

De acordo com Padpa, a ideia de formar a Comissão é para coordenar os recursos e realizar o Plano de Ação para a Recuperação e o Desenvolvimento Nacional (PARDN) adotado pelo governo do país sem nenhum acordo com os demais atores da sociedade haitiana. Tal Plano, na visão da Plataforma, não garante nenhuma saída para a crise.

“A CIRH vem complementar o dispositivo implementado em 2004 e constituído pela Força Multinacional Interina (FMI), em fevereiro de 2004 e pela Minustah [Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti], em junho de 2004. Com a erradicação completa de nossos espaços de soberania, a CIRH dá o toque final ao dispositivo de ocupação e administração internacional”, reforçou.

O artigo de Isabel MacDonald e o pronunciamento da Padpa foram divulgados por Jubileu Sul/Américas durante o Fórum Social das Américas. Para ler o material, acesse: http://web.wamani.apc.org/apc-aa/img_upload/5f8ea6081bb954c62998139d98c954e6/folleto_haiti_agosto_2010.pdf

* Por Adital. Foto de http://www.flickr.com/photos/44293646@N02/4270053123/sizes/m/in/photostream/



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2 comments

  1. Gabriel

    Ajuda internacional ao Haiti era essencial na reconstrução deste país. Assim como a atuação da grande mídia na cobertura do terremoto que destruiu o que restava de um país em ruínas, a famigerada ajuda internacional alimentou a esperança de milhões de haitianos. Dizem que até a esperança morre, e se for por depender deste tipo de ajuda, vai morrer de fome mesmo.

  2. Gabriel

    Ajuda internacional ao Haiti era essencial na reconstrução deste país. Assim como a atuação da grande mídia na cobertura do terremoto que destruiu o que restava de um país em ruínas, a famigerada ajuda internacional alimentou a esperança de milhões de haitianos. Dizem que até a esperança morre, e se for por depender deste tipo de ajuda, vai morrer de fome mesmo.

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