Como os europeus veem a imigração

Os imigrantes são menos do que se pensa, o apoio à legalização está aumentando e uma larga maioria da opinião pública acha que deviam ter direitos iguais aos cidadãos nativos. Estas são algumas das...

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Os imigrantes são menos do que se pensa, o apoio à legalização está aumentando e uma larga maioria da opinião pública acha que deviam ter direitos iguais aos cidadãos nativos. Estas são algumas das mais surpreendentes conclusões da sondagem “Transtalantic Trends: Immigration” realizada na América do Norte e na Europa.

Pelo segundo ano consecutivo o relatório “Transatlantic Trends: Immigration” foi divulgado esta semana em Bruxelas. É uma sondagem realizada na primeira quinzena de setembro 2009 a cerca de mil homens e mulheres com idade igual ou superior a 18 anos. Os países seleccionados são aqueles com grandes questões relacionadas com a imigração: Itália, Espanha, Holanda, Reino Unido, França, Alemanha, Estados Unidos da América e Canadá. O estudo é apoiado por cinco entidades – The German Marshall Fund of the United States; The Bradley Foundation; Compagnia di San Paolo; Barrow Cadbury Trust; Fundación BBVA (www.transatlantictrends.org).

O relatório revelou algumas alterações importantes ao longo de 2009 e introduziu uma série de novas questões e tópicos num número crescente de países. Após uma análise dos resultados, alguns temas principais emergiram que poderia ser importante para os decisores políticos.

A porcentagem dos inquiridos que viram a imigração como um problema mais do que uma oportunidade aumentou nos países europeus em sete pontos. As visões negativas estavam intimamente ligadas à orientação política; nos Estados Unidos, por exemplo, aqueles que se descrevem a si mesmos como republicanos estavam 15 pontos mais propensos a dizer que a imigração foi um problema maior em 2009 do que em 2008.

A pesquisa descobriu que os efeitos da crise econômica sobre a percepção da imigração são complexos; a maioria não acredita que os imigrantes ficam com os empregos dos nativos ou que reduzem os seus salários. No entanto, em nível familiar, verificou-se que as famílias que enfrentam sérias dificuldades financeiras nos últimos 12 meses tendem a estar mais preocupadas com a imigração legal do que aquelas cuja situação financeira manteve-se ou que até melhorou.

O público desenhou uma linha muito clara entre imigrantes legais e ilegais e a imigração ilegal foi visto muito negativamente por pessoas de ambos os lados do Atlântico. Por outro lado, a existência de programas de emprego permanente para imigrantes são preferidos a regimes temporários: os inquiridos achavam que os imigrantes permanentes integram-se melhor na sociedade.

Já as políticas preferenciais para combater a imigração ilegal variam muito de país para país. Países mediterrânicos preferem a política de aumento da ajuda ao desenvolvimento aos países de origem; os britânicos favorecem o reforço dos controles nas fronteiras; alemães e holandeses preferem sanções mais severas para os empregadores que contratam imigrantes ilegais.

Em questões de integração, a maioria dos entrevistados concorda que a imigração aumenta a cultura nacional e aprova políticas de governo para dar a imigrantes legais benefícios sociais e direitos de participação política. Por outro lado, a maioria desaprova que o governo pague os cursos de línguas nacionais. Algumas nuances sobre a integração também foram encontradas quando os entrevistados foram questionados sobre a maior barreira à integração. Para americanos, italianos e franceses, a discriminação social é a maior barreira, enquanto maiorias ou pluralidades em todos os outros países pesquisados pensam que a falta de vontade de integração dos próprios imigrantes é a maior barreira.

As pessoas mostraram diferentes níveis de satisfação com a forma como seus governos controlam a imigração. Uma percentagem bastante elevada de alemães e canadianos considerara que os seus governos estavam a fazer um bom de gestão da imigração, enquanto britânicos, espanhóis, americanos e italianos foram os mais insatisfeitos com o trabalho dos governos. A imigração, no entanto, vai além de ser apenas uma questão nacional. Há um apoio considerável nos países da Europa continental para abordar a imigração ao nível da União Europeia. Já os americanos e canadianos apoiam as decisões tomadas a nível nacional.

Finalmente, uma grande lição a tirar deste relatório: o público parece saber pouco sobre os imigrantes que vivem em seus países, incluindo os respectivos números. Em todos os países pesquisados as pessoas sobrestimam o número de imigrantes por ampla margem. Educar o público sobre a situação da imigração nos respectivos países seria uma tarefa de valor e contribuiria para os debates de políticas futuras.

Por BE Internacional.



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1 comment

  1. lucas

    Creio que todo o artigo, na integra, esta correcto. Porem, sendo um imigrante, acho necessario nos incluir neste estudo, de modo a vermos as duas vertentes; ou seja: ha sim, imensa discriminaçao de todos os paises do mundo, sendo que os mais conservatorios apresentam elevada percentagem em relaçao aos mais liberais- nao querendo me perder no conteudo, isso esta tudo interligado, nao so com a situaçao economico do pais mas tambem com a sua historia,a mentalidade dos habitantes entre outros aspectos- porem temos que ver a reacçao dos imigrantes face a isso, e comparar as duas de modo a que possamos encontrar uma soluçao. Sinceramente, nao vi nenhuma proposta aprofundada neste sentido, e acho que isso faz falta, ja que principalmente so se observa o lado dos habitantes do pais e nao dos imigrantes.

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