Concurso premiará cinco professores com ida ao FSM de Senegal

Durante o Fórum Social Mundial 2010, na Grande Porto Alegre, a revista Fórum e a Fundação Banco do Brasil lançaram o 2º Concurso Aprender e Ensinar Tecnologias Sociais. O evento aconteceu na tarde do...

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Durante o Fórum Social Mundial 2010, na Grande Porto Alegre, a revista Fórum e a Fundação Banco do Brasil lançaram o 2º Concurso Aprender e Ensinar Tecnologias Sociais. O evento aconteceu na tarde do dia 27, na cidade de Canoas, uma das cidades-sede deste FSM que celebrou sua 10ª edição. Na primeira edição, realizada em 2008, o Concurso recebeu 2.640 inscrições, de professores de 980 cidades brasileiras.

Podem participar professores de ensino fundamental da rede pública ou de espaços não-formais de educação com a mesma faixa de ensino, independentemente da idade dos alunos. Cinquenta deles, 10 de cada região do país, serão selecionados como finalistas e, no mês de julho, irão a uma oficina em Brasília, onde conceitos de tecnologia social serão aprofundados.

Após essa segunda fase, as práticas inscritas serão trabalhadas como projetos pelos finalistas. Desses 50, um de cada região, o que totalizará cinco vencedores, terá todas as suas despesas de hospedagem e estadia pagas para participar do FSM de Senegal, na África, que acontecerá em janeiro de 2011. Mesmo aqueles que não vierem a ser finalistas serão contemplados com uma assinatura da revista Fórum e com o livro Geração de Trabalho e Renda (vários autores, Ed. Publisher Brasil).

O objetivo do concurso é reconhecer, apoiar e disseminar o uso da tecnologia social na educação. Até porque muitos professores utilizam a tecnologia social na sala de aula, mas às vezes nem se dão conta. Jacques Pena, presidente da Fundação Banco do Brasil, sustenta que o concurso é uma oportunidade para dar visibilidade a essas iniciativas. “Precisamos reconhecer e apoiar essas experiências. É um trabalho sobretudo de mobilização dos educadores para que eles percebam o uso da tecnologia social como um instrumento de transformação e inclusão social”. Ele também entende que o Concurso é um estímulo para que continuem atuando nesse caminho. “O prêmio fortalece a capacidade de essas pequenas experiências transcenderem”, comentou. 

Secretário de Educação de Canoas, Paulo Ritter, que participou do lançamento, destacou a importância do concurso: “Essa experiência é um reconhecimento daquilo que a sociedade capitalista exclui no aprendizado do saber formal”. Na opinião de Ritter, com a utilização da tecnologia social, o saber histórico da comunidade é valorizado.

Experiências premiadas

Dois dos professores premiados da primeira edição do concurso estiveram em Canoas e mostraram concretamente do que os organizadores falavam. Edinalva Pinheiro dos Santos, de Arapiraca (AL), premiada pela região Nordeste, teve a ideia de construir uma horta comunitária na escola; o projeto cresceu e se transformou na Farmácia Viva. Mobilizando alunos, pais, funcionários e professores, e fomentando a economia solidária, a Farmácia Viva passou a produzir remédios naturais para a comunidade. A partir de plantas e ervas fitoterápicas, seguindo as receitas históricas dos moradores mais antigos do local, a Farmácia Viva faz xarope para gripe, para disenteria, bala de hortelã e gengibre para a garganta, sabonete de arruda e coco para piolho, entre outros produtos. A professora disse que como são remédios preventivos, a saúde da comunidade melhorou muito depois que começaram a ser utilizados.

“O concurso abriu caminhos para o projeto, estamos comercializando e disseminando para outras 31 escolas rurais e urbanas da região, e pretendemos construir um laboratório em Arapiraca para levar o uso ao SUS. Isso já está sendo conversado com a prefeitura municipal e ter vencido o concurso foi fundamental para que as coisas acontecessem”, contou Edinalva.

Além de ser uma solução, o uso de tecnologia social é instrumento pedagógico. “Utilizamos todas as disciplinas: matemática, para construir a horta, ciências, para falar das propriedades das ervas; também fizemos um abecedário das plantas medicinais e um livro de receitas, e com eles trabalhamos o português e redação. A iniciativa trouxe entusiasmo para a escola”, explicou.

Edner Abeline, vencedor da região Sul da primeira edição e também presente no lançamento, constrói com seus alunos do oitavo ano um forno à base de energia solar, com material reciclado, nas aulas de Ciências. “Conseguimos uma prática que se encaixa perfeitamente na teoria e trabalhamos conceitos de energia e meio ambiente. É possível cozinhar tudo, o que se necessita é de mais tempo”. Edner diz que com o forno é possível esterilizar água e até cozinhar feijão, o que leva “três horas sem panela de pressão”. Os resultados no aprendizado são bastante significativos, segundo ele. “As notas dos alunos sobem e o número de faltas é menor no período em que estamos trabalhando com o forno.”

Inscrições vão até o dia 24 de maio
– Pré-inscrição e inscrição: 1 de fevereiro a 24 de maio;
– Fase de julgamento da 1ª fase: de 25 de maio a 14 de junho, quando serão anunciados os 50 finalistas;
– Confirmação de participação dos finalistas no evento de Brasília: até 23 de junho. No caso de o finalista não enviar email confirmando sua participação no encontro, serão chamados os classificados na lista de suplentes de cada região.
– Encontro dos finalistas: 10, 11 e 12 de julho, em Brasília.
– Envio do projeto final dos 50 selecionados: 13 de julho a 15 de agosto.
– Divulgação dos cinco vencedores: 15 de setembro.
– Os primeiros cinco mil inscritos receberão uma assinatura da revista Fórum com validade até outubro de 2010 e o segundo volume do livro Geração de Trabalho e Renda, publicado em parceria pela Fundação Banco do Brasil e a Editora Publisher Brasil. Os 50 finalistas, além de participarem da oficina em Brasília, serão premiados com troféus e uma assinatura anual da Fórum.

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Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum 83. Nas bancas.



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