Contaminação do rio Paraíba do Sul foi apenas “arte de criança levada”, afirma presidente da Servatis

Urich Meier, presidente da Servatis, empresa que lançou mais de oito mil litros do pesticida endosulfan no Paraíba do Sul, participou de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), sobre os...

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Urich Meier, presidente da Servatis, empresa que lançou mais de oito mil litros do pesticida endosulfan no Paraíba do Sul, participou de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), sobre os problemas ambientais do Sul Fluminense. Durante o evento, promovido pelo deputado estadual André do PV, Meier comparou o desastre ambiental ao comportamento de uma criança levada. "Comparo este acidente ao comportamento de uma criança que faz arte. Se seu filho começar a fazer uma besteira, o pai, naturalmente dá uma palmada no bumbum da criança. O que está acontecendo com a Servatis é que a empresa está apanhando até a morte. Isso é retaliação. Toda a punição tem que ter um limite. Está na hora do perdão.
Na mesma audiência, Meier voltou a defender a retomada da fabricação de endosulfan às margens do Paraíba, embargada pela Secretaria Estadual do Ambiente alguns dias depois do acidente. "Proibir a fabricação do endosulfan do estado é demagogia. Estamos prontos para voltar a fabricar o Endosulafn. O Brasil agora está importando este produto da China. Estes países (os 60 países onde o endosulfan é proibido) controlam as pragas com produtos substitutos. No caso do Brasil, isso é diferente! Sou contra o projeto (do deputado André do PV e Inês Pandeló) que proíbe a instalação de indústrias que produzam, comercializam e manipulam endosulfan ao longo do Rio Paraíba do Sul. Toda a indústria precisa de água para funcionar. Não podemos ser transferidos para um pólo industrial, como sugere o deputado". Já o deputado André do PV rebateu o presidente da Servatis. "Desde o acidente até hoje, a Servatis foi tratada de forma muito cortês. Ninguém aqui bateu além da conta. O Estado do Rio está até complacente com a Servatis. Este acidente não pode ser comparado a uma atitude de uma criança. Essa empresa prejudicou 6 milhões de pessoas, matou toneladas de peixes, provocou uma catástrofe. Se este acidente tivesse acontecido na Alemanha, a Servatis tinha sido fechada e os dirigentes responsabilizados. O manuseio do Endolsufan ao longo do Paraíba do Sul não deve ser permitido em hipótese nenhuma. Defendo a retirada destas empresas da margem do rio. Defendo a transferência dessas empresas para pólos industriais. Isso acontece nos Estados Unidos", alegou o parlamentar.

Compensação Ambiental

Durante a audiência, o deputado estadual André do PV, propôs Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) relativos à compensação ambiental em audiência púbica.

De acordo com André, que também é presidente da Comissão de Meio Ambiente na Alerj, a demora da empresa Servatis em cumprir o TAC firmado é resultado da falta de fiscalização do cumprimento dos termos. “É preciso que os TACs sejam colocados em prática e que isso faça com que as empresas tenham mais responsabilidade e possam, em casos de crimes ambientais, serem controladas de forma mais eficaz”, defendeu.

O deputado ainda cobrou do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mais fiscalização sobre as empresas poluidoras do sul do estado. A região foi alvo no ano passado de um dos maiores desastres ambientais da história do Rio de Janeiro, com o derramamento do pesticida Endoulfan nas águas do rio Paraíba do Sul. A formulação e produção da substância podem vir a ser proibidas pelo governo estadual, conforme sugestão da secretária do Meio Ambiente Marilene Ramos.

Saiba mais sobre o desastre ambiental na reportagem multimídia da Revista Fórum.



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