Crítico-Spam: “Guerra ao Terror”

Esse “Guerra ao Terror” (uma tradução ridícula para “The Hurt Locker”) é mais um caso de delírio coletivo dos profissionais da opinião que colocam no pedestal um filme fraco que não chega nem aos...

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Esse “Guerra ao Terror” (uma tradução ridícula para “The Hurt Locker”) é mais um caso de delírio coletivo dos profissionais da opinião que colocam no pedestal um filme fraco que não chega nem aos pés de outros filmes de guerra como “Platoon”, “Três Reis” ou mesmo “O Resgate do Soldado Ryan” (que era tecnicamente impressionante).

Até entendo que cause certo impacto nos Estados Unidos, afinal são eles que estão metidos até o pescoço naquele atoleiro servindo de bucha de canhão enquanto algumas corporações ligadas aos neocons do partido Republicano faturam em cima da guerra. Agora, indicar esse blefe para nove Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, só pode ser piada (e quando eu digo que esse prêmio não pode ser levado a sério tem gente que acha ruim)!

Não há história a ser contada e o filme resume-se a uma série de episódios envolvendo uma equipe de especialistas em desarmar bombas, comandada por um sujeito estúpido e irresponsável que coloca seus colegas em risco todo o tempo. Há uma tentativa forçada de afirmar que o rapaz é “viciado em guerra”, como sugere uma frase no início do filme, mas tudo não passa de desculpa para gerar situações de suspense onde somos obrigados a torcer para os patéticos soldadinhos do Tio Sam, sempre atônitos e perdidos no meio daquele deserto cheio de barbudos usando turbante.

Tecnicamente o filme é precário, todo filmado naquele estilo “docudrama” que já deu o que tinha que dar, com câmera de High Definition trepidando na mão e um excesso de zooms que só servem para torrar o saco do espectador. Não dá nem para falar em direção de fotografia num filme desses, já que tudo é filmado com luzes naturais, o que deixa as cenas noturnas num breu total. Não se trata nem de opção estética, como já fizeram por exemplo Clint Eastwood em “Os Imperdoáveis” ou Stanley Kubrick em “Barry Lyndon”. É falta de recursos mesmo.

A direção de Kathryn Bigelow é medíocre e o fato mais marcante de sua presença atrás das câmeras, que tem gerado faniquitos em alguns profissionais da opinião, é ela ser ex-mulher do James Cameron, que também concorre ao Oscar como Melhor Diretor pelo ridículo “Avatar”. Vejam só que coisa importante!

Os diálogos são frouxos e soam forçados saindo das bocas de um grupo de atores inexpressivos (não se deixe enganar pelo nome de alguns famosos no elenco, como Ralph Fiennes e Guy Pierce, pois eles aparecem em pontinhas minúsculas). O filme nem mesmo tem uma mensagem firme contra a guerra. No máximo ensina que “a guerra não é bolinho”, algo que certamente vai impressionar um alienígena pacífico que chegou à Terra hoje. Se não bastasse tudo isso, “Guerra ao Terror” é chato pra burro, do tipo que você não vê a hora que acabe – e suas duas horas de duração parecem o dobro!

Veja por sua conta e risco, mas não diga que eu não avisei.

Cotação: *

Texto publicado no blog Tudo em Cima



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