Deputados uruguaios votam descriminalização do aborto

Os deputados uruguaios se preparam para votar nesta terça-feira, 4, um projeto de lei que contempla a legalização do aborto em meio a ameaças de excomunhão por parte da Igreja Católica e com militantes...

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Os deputados uruguaios se preparam para votar nesta terça-feira, 4, um projeto de lei que contempla a legalização do aborto em meio a ameaças de excomunhão por parte da Igreja Católica e com militantes contra e a favor mobilizados em torno da controvertida iniciativa.

O projeto de Saúde Sexual e Reprodutiva, aprovado no Senado, tem grandes chances de ser ratificado na Câmara dos Deputados ainda que o presidente Tabaré Vázquez tenha dito por diversas vezes que o vetará.

A Mesa Coordenadora Nacional Pela Vida se reuniu nesta segunda-feira em frente à Universidade da República para marchar até a Praça Cagancha, no centro, sob o slogan "Pelo direito a nascer, a ter mãe e pai e pelos direitos dos pais".

A organização Mulher e Saúde, favorável ao projeto, acompanhará in loco a sessão dos deputados que se antecipa ao projeto que prevê que "toda mulher tem direito a decidir sobre a interrupção da gravidez durante as primeiras 12 semanas de gestação".

Os parlamentares dos partidos Nacional, Colorado e Independente, em sua maioria, não votarão o projeto de lei que buscaria obter sanção com os votos da governista Frente Ampla.

A legislação em vigor no Uruguai desde 1938 só admite a interrupção da gravidez em caso de violação ou risco de vida da mãe, e prevê penas de prisão para os autores de abortos, consentidos ou não.

Apesar das normas vigentes, no Uruguai se praticam mais de 30 mil abortos por ano, com cerca de 12 mortes devido às condições inadequadas em que se costumam realizar a maioria dessas intervenções clandestinas.

Segundo uma pesquisa realizada este ano pela empresa privada Cifra, 49% dos uruguaios consultados estão a favor da descriminalização do aborto e 39% contra.

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