“É a crise deles, mas é a nossa solução”, diz Susan George

A solenidade oficial de abertura do Fórum Social Mundial Temático da Bahia contou com a conferência de Susan George, autora de diversos livros, dirigente da ATTAC-França (Associação pela Taxação das Transações Financeiras em Apoio...

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A solenidade oficial de abertura do Fórum Social Mundial Temático da Bahia contou com a conferência de Susan George, autora de diversos livros, dirigente da ATTAC-França (Associação pela Taxação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos) e presidente do conselho de administração do Transnacional Institute (Amsterdã). Na noite do dia 29, ela falou sobre “A convergência das Crises” ao público participante do FSM 2010 no Teatro Castro Alves.

Para Susan, o mundo não está vivendo uma crise financeira apenas, “vive um processo crônico que começou há 30 anos”. O início, segundo Susan, está ligado aos governos neoliberais do início da década de 1980 de Margaret Thatcher, na Inglaterra, e Ronald Reagan, nos EUA. “Ficou provado que o neoliberalismo não funciona e se esse tipo de economia continuar daqui a dois ou três anos teremos uma nova bolha que se tornará uma crise”, destacou.

“O dinheiro dos trabalhadores está sendo transferido para o mercado de capitais” criticou e disse que enquanto isso cresce o desemprego e a desigualdade no mundo. “Mesmo após a crise financeira, 8,5 milhões de pessoas concentram 38 trilhões de dólares, algo como três vezes o PIB da Europa. A riqueza do mundo está concentrada, como se estivesse no topo de uma pirâmide”.

<b>“Remédios reais” </b>
Susan defendeu “remédios reais” para acabar com o que chamou de crise múltipla: “O G-20 acredita que tem um remédio, mas eu não acredito que seja dar trilhões de dólares para ajudar bancos, que são recompensados pela crise que criaram”.

O que, para Susan, seria eficaz nesse processo crônico de crise seria reverter a ordem de importância dos “ciclos” que organizam o mundo: “Hoje o financeiro está ditando as leis”. Em seguida, para ela, estaria a economia real e a questão ambiental estaria por último. No entanto, Susan acredita que a preocupação com o meio ambiente deveria pautar o mundo.

Susan apontou caminhos para reverter essa ordem. O primeiro deles seria nacionalizar e socializar os bancos: “Os bancos deveriam ser uma entidade pública, e o crédito, um bem comum”. Outro caminho, para ela, é a “economia deveria ser democratizada”. Sobre o meio ambiente, Susan defendeu que os governos invistam em alternativas “verdes” e defendeu o fim da dívida dos países pobres. “Poderiam propor, em troca, reflorestamento sobre o controle das comunidades, e os governos ficariam livres para gastar com saúde e educação”.

<b>Revolução</b>

“Sou pela revolução, mas não sei onde está o Palácio do Czar”, disse Susan, tentando responder a questão se seria possível fazer esse tipo de mudança no capitalismo. “Temos que tentar agora, não temos tempo”.

Susan disse que fazendo alianças entre os ativistas, como ocorre há dez anos no FSM, há chance de mudanças. “Nesses dez anos foram construídas redes, temos muito a nosso favor, pessoas, ideias. Temos que nos unir, a crise está trazendo oportunidade para nós. É a crise deles, mas é a nossa solução”.



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