“É preciso recolocar a reforma agrária em pauta no país”, afirma líder do MST

Os movimentos sociais que lutam pela redistribuição de terras, intelectuais e representantes do governos federal estarão reunidos nesta sexta-feira, 25, na Universidade Federal da Bahia (UFBA) para discutir a pauta da reforma agrária dentro...

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Os movimentos sociais que lutam pela redistribuição de terras, intelectuais e representantes do governos federal estarão reunidos nesta sexta-feira, 25, na Universidade Federal da Bahia (UFBA) para discutir a pauta da reforma agrária dentro das agendas de governo e dos partidos atualmente. O seminário ainda homenageará o falecido parlamentar Adão Preto (PT), que ajudou a fundar o MST e, dentro da Câmara Federal, elaborou diversos projetos de lei em prol do povo do campo.

“O pano de fundo do seminário é tentar recolocar o debate da reforma agrária em pauta”, diz Lucia Barbosa, dirigente nacional do MST na Bahia. Ela criticou a falta de propostas tanto do governo federal como dos partidos para a distribuição de terras e recursos para a afixação da população no campo.

Ela critica que, durante o auge da crise econômica, o governo não colocou o tema como saída para o desemprego e para a miséria. “A reforma agrária é uma saída para a crise ambiental, é um dos caminhos para a saída de todas essas encruzilhadas a reforma agrária, e isso não tá sendo colocado”.

Estão previstos, para participarem da abertura do seminário, o governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), o ex-governador, Valdir Pires (PT), Valmir Assunção, secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza do Estado da Bahia, Profa. Marília Lomanto, Eliana Rolemberg, Roberto Muniz, Secretário de Agricultura, Luís Gugé, superintendente do INCRA – BA, Prof. Jorge Portugal, Antonio Santos, Prof. Samuel Vida, Lourisvaldo Valentim, reitor da UNEB e Naomar Almeida, reitor da UFBA.

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, estará presente em um painel com João Pedro Stédile e Francine Damasceno, da Corte Interamericana de Direitos Humanos, para discutir como a criminalização dos movimentos sociais é colocada como justificativa para o abandono da pauta por reforma agrária.

Ao fim do dia haverá uma homenagem a Adão Preto, com a participação de seu filho, Adelar, que atualmente milita no MST.

CPMI
Na quarta-feira passada, 16, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) e os deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) protocolaram um pedido de abertura de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar denúncias de repasses ilegais de verbas públicas para o MST. A senadora justificou o ato acusando o movimento de nunca ter “nenhum propósito de conseguir um pedaço de terra. É um grupo criminoso, que age à margem da lei, que produz intranquilidade e violência no campo”.

Lucia acusou o grupo de parlamentares de tentarem deslegitimar a luta por terra no país. Em nota, o movimento afirmou que, “em 25 anos, tentaram destruir o nosso movimento por meio da violência de grupos armados contratados por latifundiários, da perseguição dos órgãos repressores do Estado e de setores do Poder Judiciário, da criminalização pela mídia burguesa e até mesmo com CPIs”. Em protesto à ação dos parlamentares, um grupo de intelectuais e simpatizantes do movimento já assinaram petição online contra a instalação da CPMI.



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