Escola deve ser parceira no combate ao abuso sexual infantil, defende especialista

São Paulo – O dever de ensinar crianças a reagir às diversas formas de abuso sexual não é só obrigação dos pais, a escola também deve ser protetora das crianças, defende a professora do...

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São Paulo – O dever de ensinar crianças a reagir às diversas formas de abuso sexual não é só obrigação dos pais, a escola também deve ser protetora das crianças, defende a professora do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) Rachel de Faria Brino em sua tese de doutorado. Durante cerca de um ano, Rachel visitou 24 escolas municipais de educação infantil e ensinou 101 professores como orientar as crianças a se defenderem do abuso sexual.

A coordenadora do Laboratório de Análise de Prevenção à Violência (Lapreve) da Ufscar, Lúcia Williams Cavalcante de Albuquerque, orientou o trabalho de Rachel e constatou que os professores tinham um conhecimento superficial sobre o tema. Segundo ela, muitos nunca haviam lido nenhum livro sobre abuso contra crianças e não sabiam qual era o papel da escola no combate ao problema. "As informações que tinham era de programas de auditório", disse.

Os professores que fizeram as oficinas ensinavam cerca de três mil crianças de 4 e 5 anos de idade; em São Carlos o número de notificações aumentou e a idade das vítimas diminuiu, o que na opinião de Lúcia é extremamente positivo. "Isso mostra que crianças menores já sofriam abusos e os agressores não eram denunciados", explicou.

Segundo Rachel, as atividades dos professores com as crianças consistiam em fazer com que os pequenos reconheçam um comportamento que não gostem, dizer não ao agressor e contar a alguém que confiassem, como pais e professores, por exemplo. "As oficinas são feitas de forma lúdica, com fantoches, bonecos e teatro", explicou Lúcia. Segundo a coordenadora, todas as dramatizações eram realizadas de forma discreta, "sem chegar nos finalmentes".

"O importante dessas oficinas é que a criança aprenda a dizer não, a denunciar o agressor e a desenvolver um mecanismo de negativas", disse Rachel, que orientou também os professores a detectar possíveis sinais de que a criança foi abusada.

"Quando a criança muda repentinamente de comportamento, fica muito retraída e começa a desenvolver um comportamento sexualizado pode ser que ela tenha sofrido algum tipo de agressão", alertou.

Para Lúcia Williams, a iniciativa de prevenção pode ser decisiva para acabar com o abuso sexual. "Estudos comprovam que a vítima repete o comportamento, se tornando agressor no futuro. Se interromper esta cadeia de violência na infância, o abuso sexual pode desaparecer".

Com informações da Agência Brasil.



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