Escola Florestan Fernandes completa cinco anos

Em janeiro de 2005 nasceu a primeira Universidade Popular do Brasil: a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). A escola nasceu como iniciativa do MST em construir uma instituição de educação superior com cursos técnicos...

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Em janeiro de 2005 nasceu a primeira Universidade Popular do Brasil: a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). A escola nasceu como iniciativa do MST em construir uma instituição de educação superior com cursos técnicos mas que também proporcionasse uma formação crítica voltada para a realidade do campo e para as diversidades sociais e culturais do Brasil. O objetivo é que os estudantes saiam da universidade com capacidade de pensar e articular ações que se contrapusessem ao status quo. Amanhã, 6, ocorrerá uma série de atividades em comemoração ao aniversário da Escola (ver abaixo).

A inauguração da ENFF surgiu após muitos debates iniciados pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, que durante o 3º Fórum Social Mundial realizado em Porto Alegre, em 2003, propôs aos movimentos a criação de uma universidade popular dos movimentos sociais. A ideia era proporcionar um espaço em que os militantes dos movimentos, cientistas sociais e outros interessados tivessem um espaço de “auto-educação”, independente dos interesses do mercado. Dois anos depois, a universidade é lançada durante o FSM de 2005.

Em artigo publicado em 2003, Boaventura afirma que o objetivo da universidade popular não é “formar quadros e dirigentes de ONG e movimentos sociais”. “O objectivo geral é contribuir para que o conhecimento da globalização alternativa seja tão global quanto ela e que, nesse processo, as ações transformadoras sejam mais esclarecidas e eficazes e os seus protagonistas, mais competentes e reflexivos”, diz o sociólogo no artigo.

O município de Guararema foi o escolhido para abrigar a Escola. Entre os cursos oferecidos pela escola há Filosofia Política, Teoria do Conhecimento, Sociologia Rural, Economia Política de Agricultura, História Social do Brasil, Conjuntura Internacional, Administração e Gestão Social, além de cursos de especialização em educação no campo, administração cooperativista, pedagogia da terra, planejamento agrícola, técnicas agroindustriais. A Escola ainda mantém convênios com universidades públicas, como o Curso de Realidade Brasileira oferecido na Unicamp, o Teorias Sociais, ministrado na UERJ, Realidade Latino-Americana na UFMG e História na UFPB.

Como todos os cursos são gratuitos, a escola se mantem com doações de movimentos sociais, de estudantes ou com convênios mantidos com outras instituições de ensino. A manutenção da Escola é garantida pelos próprios estudantes, que ficam responsáveis por tarefas e serviços internos da escola.

A Escola Florestan Fernandes é ainda a única iniciativa de universidade popular no Brasil, mas conta com exemplos parecidos em outros países, como a Universidad Campesina San Jose de Apartado (Colômbia), Univesidad Popular Madres de la Plaza de Mayo (Argentina), Universitá Popolare di Roma (Itália) e a Urban Popular University (Estados Unidos).

Programação

9h – Debate “O papel da formação política e ideológica no atual momento histórico: desafios e perspectivas”, com participação de Ademar Bogo (MST), Isabel Monal (Cuba), Luiz Carlos de Freitas (UNICAMP).

13h – Apresentações culturais.

Rua José Francisco Raposo, 1140 – Parateí.



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