Expulsos de terras, indígenas ainda enfrentam ameaças no Mato Grosso do Sul

Cerca de 130 indígenas da comunidade Laranjeira Ñanderu, que estão acampados à margem da BR-163, no Mato Grosso do Sul, continuam sendo ameaçados por empregados de fazendeiros, que manobram carros em alta velocidade próximo...

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Cerca de 130 indígenas da comunidade Laranjeira Ñanderu, que estão acampados à margem da BR-163, no Mato Grosso do Sul, continuam sendo ameaçados por empregados de fazendeiros, que manobram carros em alta velocidade próximo das barracas dos índios. No dia 14 de setembro, os fazendeiros incendiaram casas e os pertences que restaram na aldeia de onde os indígenas foram despejados.

Segundo José Almeida (Zezinho), liderança da comunidade, no dia 9 de setembro, a Polícia Federal concedeu 48 horas para que eles desocupassem a aldeia em que viviam há quase dois anos. Os indígenas transportaram a maior parte de seus bens, incluindo camas e colchões, em bicicletas pelo caminho de 4 km entre a aldeia e a BR-163. No fim do dia 11 de setembro, ainda restavam na aldeia diversos objetos e o sapê (palha), que os Guarani usam para cobrir a casa.  “Pedimos para a PF falar com o fazendeiro, pois a gente ia trazer o sapê e o resto das coisas. A gente não podia voltar lá depois do prazo da PF, pois o fazendeiro fechou tudo. Dois dias depois, a gente viu o fogo alto vindo da aldeia”, relata Zezinho.

O Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul (MPF-MS), recebeu relatos dos indígenas, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), sobre o ocorrido. Depois de analisá-los, pode ser requerida a instalação de um inquérito para investigar o incêndio e as denúncias de ameaças. Segundo Zezinho, a Funai não foi no acampamento depois do incêndio. A PRF foi acionada na noite do ocorrido e foi ao local. Além disso, os indígenas recorreram à polícia para protegê-los de algumas intimidações dos empregados dos fazendeiros, que estavam impedindo os Guarani de buscar água em um rio fora da fazenda.

Zezinho afirma que, durante as noites, carros continuam passando para assustar a comunidade. Empregados dos fazendeiros estariam manobrando em rápida velocidade em frente ao acampamento e focalizando luzes para as barracas, assustando os indígenas.
 
A liderança também afirmou que, desde o despejo, três índios (entre adultos e crianças), ficaram doentes. Ele suspeita que a causa seja o excessivo calor embaixo das lonas pretas durante o dia, por isso, os indígenas queriam o sapê, para amenizar a insalubridade embaixo da barraca.

Processo
A ordem de reintegração de posse foi dada pela Justiça Federal do Mato Grosso do Sul. A Funai e o MPF-MS recorreram ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que chegou a suspender temporariamente a ordem de reintegração.

Com informações do Brasil de Fato



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