Fórum 69 nas bancas: 20 anos sem Chico Mendes

Por muitas vezes deparamo-nos com alguns vocábulos que, de tão utilizados e surrados, parecem perder o sentido original. É o caso de palavras como “herói”, “brilhante” e “visionário”, que volta e meia são aplicados...

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Por muitas vezes deparamo-nos com alguns vocábulos que, de tão utilizados e surrados, parecem perder o sentido original. É o caso de palavras como “herói”, “brilhante” e “visionário”, que volta e meia são aplicados a pessoas que, embora tenham a sua importância, não poderiam ser igualadas aos seres humanos que de fato justificam a existência dessas denominações.
No entanto, quando se fala em Chico Mendes, ao contrário, parece que nenhuma dessas palavras – mesmo que juntas – consegue abarcar a amplitude de significados que a sua vida alcançou para quem veio depois dele. Foi ele quem conseguiu transformar uma luta que estaria restrita a um determinado local em uma causa que agregasse inúmeras pessoas em torno de um bem comum.
E não foi nada fácil para um seringueiro, alfabetizado já adulto, compreender a importância da luta que travaria. E o porquê de realizá-la, abrindo mão de coisas como o convívio familiar e a própria segurança. Ainda mais difícil a tarefa se pensarmos no contexto em que ela foi realizada. Um estado sem Estado, dominado pela violência e pelo banditismo, onde ir em busca de Justiça era um exercício mais que inglório, beirando a utopia.
Até mesmo achar aliados à época não era simples. Na esquerda, o pensamento ambiental não era algo consolidado e o discurso em defesa do verde soava estranho ao meio. Por outro lado, muitos defensores do meio ambiente não conseguiam ver o homem integrado ao bioma amazônico, esquecendo de incluir o pârametro humano na defesa das florestas. Chico Mendes mostrou na prática que não havia contradição entre uma visão e outra.
Ao mesmo tempo que soube articular apoios e dialogar com setores distintos, Chico também buscou o enfrentamento quando necessário. De forma pacífica, mas nem por isso pouco eficiente. Assim, não só garantiu conquistas imediatas como também assegurou outras que viriam depois da sua morte, transformando definitivamente o debate sobre a realidade da região em que nasceu, cresceu e aprendeu a respeitar, fazendo com que o mundo também a olhasse com respeito.
Por conta disso, não é exagero falar em uma Amazônia antes e depois de Chico Mendes. E, ao se completarem 20 anos de sua morte, não só é possível ver os avanços obtidos graças a sua luta como também perceber a permanência de suas idéias em projetos vindouros ou que já estão sendo elaborados tanto na região como em outras partes do planeta. Por isso, Fórum vem retratar nessa edição um pouco da sua trajetória. Em época de fim de ano, em geral carregada de significados relativos à esperança e renovação, esperamos inspirar um pouco cada um dos leitores – e lutadores – para 2009.

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