Frente Ampla faz últimos movimentos para tentar ganhar no primeiro turno

A três dias das eleições presidenciais e legislativas que acontecem no próximo domingo, a coligação que lidera as pesquisas com o candidato José Pepe Mujica, fez dois movimentos para tentar ganhar ainda no primeiro turno. Na parte...

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A três dias das eleições presidenciais e legislativas que acontecem no próximo domingo, a coligação que lidera as pesquisas com o candidato José Pepe Mujica, fez dois movimentos para tentar ganhar ainda no primeiro turno.

Na parte da manhã, no Congresso Nacional, lançou um documento em que propõe um acordo antes das eleições com todas as forças políticas para quatro “políticas de Estado”: educação, segurança, meio ambiente e energia. Foi um ato rápido, em que o candidato Pepe Mujica leu um documento previamente escrito. Lançou a bola para a oposição, que já respondeu, como previsível, que isso é apenas uma manobra eleitoral de fim de campanha.

A tentativa foi clara de convencer os indecisos que decidirão se haverá segundo turno. Cabe uma explicação. No Uruguai não são descontados os votos brancos e nulos, diferentemente do que acontece no Brasil. Pelas últimas pesquisas, a coligação da Frente Ampla aparece com números que indicam entre 46% e 49% dos votos. Todos os adversários somados ficariam com cerca de 45%. Se for realmente esse o resultado, haverá segundo turno, por conta dos brancos e nulos.

A singularidade do pleito eleitoral é que a coligação que lidera deve conseguir maioria no Parlamento, mas terá de enfrentar o segundo turno para presidente. É bom lembrar que no Uruguai deputados e senadores são escolhidos por meio de lista fechada de cada partido.

A política como o futebol

Mas o ato político mais importante para tentar definir as eleições já no domingo foi o ultimo comício da Frente Ampla, em Montevidéu. Mais de dez quarteirões nas seis pistas da Avenida 18 de Julio, a principal da cidade, ficaram lotados em uma noite de quarta-feira fria, com 14º C.

Para explicar tanta gente na rua nos dois dias em que a equipe de reportagem de Fórum está em Montevidéu, só mesmo conversando com as pessoas comuns. Ontem, depois do ato no Congresso, fomos perguntar a um cabo da Guarda Nacional sobre uma estátua que estava ali em frente. Era a de um ex-presidente,José Battle y Ordóñez, que ele diz ser o primeiro presidente com ideias socialistas a chegar ao poder, no começo do século 20. Daí passou a descrever a história do país, citando Marx e Engels, até chegar às eleições de domingo.

Pouco antes do comício, num café, à pergunta sobre as eleições, a garçonete explica porque não quer que um mesmo partido domine o Congresso e a presidência ao mesmo tempo, dizendo-se defensora da divisão de poderes etc. Falou por mais de 20 minutos sobre suas expectativas, preferências e desconfianças.

A sensação é que, como no Brasil qualquer um é um técnico de futebol, aqui todos são cientistas políticos. As pessoas adoram falar de política e têm argumentos para justificar qualquer posição, seja o taxista, o guarda ou a garçonete.

Fotos de Gerardo Lazzari.

Veja também: O clima pré-eleitoral em Montevidéu.

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