Golpistas liberam aeroportos em Honduras, mas repressão continua

O governo golpista de Roberto Micheletti, em Honduras, liberou hoje, 24 de setembro, o funcionamento dos quatro aeroportos internacionais do país. A medida entra em vigor junto com o fim do toque de recolher, que...

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O governo golpista de Roberto Micheletti, em Honduras, liberou hoje, 24 de setembro, o funcionamento dos quatro aeroportos internacionais do país. A medida entra em vigor junto com o fim do toque de recolher, que vigorava desde segunda e foi encerrado após dias de tumulto e violência. Os conflitos entre manifestantes a favor de Zelaya e o exército hondurenho resultaram em pelo menos duas mortes confirmadas.

O diretor de Aeronáutica Civil de Honduras, Alfredo San Martín, confirmou à "Rádio América" que, "com a suspensão do toque de recolher, se normalizam as operações nos quatro aeroportos internacionais do país". No entanto, momentaneamente só os voos locais estão liberados. 

San Martín disse confiar em que serão retomados "o mais breve possível os voos internacionais". Segundo ele, "uma decisão que depende da Presidência da República". Honduras tem aeroportos internacionais em Tegucigalpa, San Pedro Sula, e nas caribenhas La Ceiba e Roatán. 

Mortes e prisões

Após a suspensão do toque de recolher, o governo golpista fez um pedido para que os setores público e privado normalizem suas atividades. A medida restritiva esteve em vigor desde segunda-feira, mas ontem foi suspensa durante sete horas para que a população pudesse comprar alimentos, água e combustíveis e foi restabelecida às 17h (20h de Brasília), até terminar hoje.

Há relatos de que os suprimentos em supermercados estão acabando, pois centenas de hondurenhos buscam estocar alimentos em casa. Os postos de gasolina e bancos registraram movimento maior que o normal ontem.

O porta-voz da polícia nacional, Orlin Cerrato, disse à imprensa que um homem morreu nesta quarta em um hospital do Instituto Hondurenho de Seguridade Social depois de ser ferido na noite de terça-feira em um enfrentamento com policiais na capital Tegucigalpa. O outro morto é um ativista do movimento de resistência contra o golpe de Estado que participava de um protesto.

O porta-voz não forneceu a identidade de nenhuma das vítimas. Cerrato confirmou ainda que 113 pessoas foram liberadas nesta quarta-feira depois de terem sido detidas na terça quando participavam de protestos em pontos distintos da capital.

O presidente do Comitê de Defesa dos Direitos Humanos de Honduras, Andrés Pavón, disse à agência AFP que mais de 100 pessoas foram presas nesta quarta depois de uma manifestação pró-Zelaya.

A Anistia Internacional denunciou um aumento das agressões policiais, as prisões em massa de manifestantes contrários ao governo interino de Honduras e a intimidação de ativistas dos direitos humanos no país. "A situação em Honduras só pode ser descrita como alarmante", disse Susan Lee, diretora da Anistia para as Américas, em comunicado emitido pela organização.

Depois do retorno de Zelaya a Tegucigalpa, a Anistia Internacional afirma que muitos manifestantes foram agredidos na terça-feira pelas forças policiais e que centenas foram presos na capital. "Os ataques contra os defensores dos direitos humanos, a suspensão dos meios de comunicação, as agressões da polícia e as informações de prisões massivas indicam que os direitos humanos e a vigência da lei correm sérios riscos em Honduras", ressalta Susan.   

A Anistia Internacional acredita que, para acabar com a crise, o presidente interino Roberto Micheletti deve "parar com a política de repressão e violência" e, em troca "respeitar os direitos à liberdade e à expressão de associação". Além disso, a entidade insiste que a comunidade internacional deve "buscar urgentemente uma solução, antes que a crise de direitos humanos em Honduras se aprofunde".

Com agências



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