Golpistas passam a acusar embaixada brasileira de servir de base à resitência popular

A Frente Nacional contra o golpe do Estado de Honduras continua, nesta quinta-feira (24), com mobilizações em bairros e outras comunidades em busca da restituição da ordem constitucional do país. Segundo representantes de entidades...

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A Frente Nacional contra o golpe do Estado de Honduras continua, nesta quinta-feira (24), com mobilizações em bairros e outras comunidades em busca da restituição da ordem constitucional do país.

Segundo representantes de entidades que compõem a Frente, a oposição ao golpe militar de 28 de junho será mantida até a volta ao poder do presidente legítimo, Manuel Zelaya.

Na quarta-feira (23), manifestantes realizaram uma grande marcha para a embaixada brasileira à capital hondurenha, Tegucigalpa, onde Zelaya está abrigado desde segunda-feira, quando retornou ao seu país de surpresa. Agentes da polícia, porém, fecharam a passagem a cerca de três quadras da missão diplomática, cercada por soldados, impedindo a continuação da marcha.

Durante a noite de quarta-feira, em muitos bairros de Tegucigalpa, a população continuou com suas mobilizações antigolpistas e, em várias áreas, os protestos foram reprimidos com violência por policiais.

O coordenador geral da Frente, Juan Barahona, mostrou otimismo e afirmou que "a resistência está em todas partes e é difícil que os golpistas a possam controlar, por isso a vitória do povo está cada vez mais perto".

Nesta quinta, o governo golpista suspendeu o toque de recolher imposto na última segunda-feira (21), depois do retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya. Com isso, os quatro aeroportos do país foram reabertos, porém os voos internacionais continuam suspensos.

Zelaya recebe representante do governo Micheletti Na noite de quarta-feira, o presidente constitucional Manuel Zelaya recebeu na embaixada brasileira uma visita não oficial de um delegado do governo golpista de Roberto Micheletti.

O encontro foi confirmado pela enviada da emissora Telesur à Tegucigalpa, Adriana Sívorí, que destacou o catáter não oficial da reunião que se estendeu por quase uma hora.

Depois da conversa, Zelaya informou que não houve mudança na posição dos golpistas e garantiu ainda que "não querem dialogar, muito menos deixar o poder".

Durante a semana, Micheletti chegou a anunciar disposição para negociar com Zelaya, desde que o presidente deposto aceite as eleições marcadas para o fim de novembro. O presidente golpista descartou, no entanto, o retorno de Zelaya ao poder, e garantiu que uma eventual negociação não invalidaria o pedido de prisão feito pela Justiça hondurenha.

Golpistas atacam Lula O governo golpista também acusou nesta quinta-feira o governo de Luiz Inácio Lula da Silva de se intrometer em assuntos internos hondurenhos e responsabilizou Lula pela vida e segurança de Manuel Zelaya e das pessoas que estão próximo da embaixada em Tegucigalpa.

Em um comunicado da Secretaria de Relações Exteriores do governo de Micheletti, rechaçou-se a intervenção de Lula durante a Assembleia Geral da ONU na quarta, em Nova York, quando o líder brasileiro fez um apelo pela restituição da ordem constitucinal.

"Resulta evidente a intromissão do governo do Senhor Luís da Silva em assuntos internos de Honduras", pontuou o texto, que ainda acusou Lula de fazer da sede "uma plataforma de propaganda política e concentração de pessoas armadas que ameaçam a paz e a ordem pública interna de Honduras".

Apoio e preocupação Na quarta-feira (23), a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou a criação de grupo de legisladores
para viajar a Honduras com o objetivo de avaliar a situação da embaixada brasileira no país.

Os membros da Comissão decidiram acolher o requerimento apresentado na terça-feira pelos deputados Iván Valente (Psol) e Fernando Gabeira (PV).

A medida soma-se a uma moção de repúdio adotada pelo plenário da Câmara contra o governo golpista, que cortou o fornecimento de água, luz e telefone e impôs um cerco militar ao prédio da missão brasileira.

Já o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou que a instabilidade em Honduras não oferece condições para a realização de eleições previstas para 29 de novembro e, por isso, decidiu suspender a assistência eleitoral ao país centroamericano.

Ban Ki-moon "não acredita que haja atualmente condições para realizar um pleito que devolva a paz e a estabilidade ao país", afirmou Michèle Montas, porta-voz da ONU, que também expressou preocupação com a situação atual de Honduras, onde há inúmeras denúncias de violações aos direitos humanos.

"O secretário-geral está convencido de que a conclusão da crise em Honduras precisa de um acordo e apoia os esforços regionais para alcançá-lo", enfatizou.

A porta-voz ressaltou ainda que, além da ONU, a Organização dos Estados Americanos (OEA) é favorável a um acordo entre as partes por meio de diálogo pacífico.

Com informações da Agência Brasil de Fato.



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