Governo interino de Honduras cometeu abusos, aponta Anistia

A Anistia Internacional divulgou hoje que o governo interino de Honduras, que dará lugar amanhã ao presidente eleito pela população Porfírio Lobo, fez “uso excessivo da força” durante protestos populares que pediam a restituição...

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A Anistia Internacional divulgou hoje que o governo interino de Honduras, que dará lugar amanhã ao presidente eleito pela população Porfírio Lobo, fez “uso excessivo da força” durante protestos populares que pediam a restituição de Manuel Zelaya à presidência da república.

No documento publicado pela organização, fala-se que “centenas de pessoas que se opunham ao golpe de Estado foram agredidas e detidas pelas forças de segurança durante os protestos nos meses seguintes (à deposição de Zelaya). Mais de dez teriam sido mortas durante os conflitos, de acordo com relatos”.

As denúncias de violação dos direitos humanos são baseadas em relatos de testemunhas, que ainda declararam ter assistido a “execuções ilegais”, “torturas” e “prisões arbitrárias” contra membros da oposição pelas forças policiais e ameaças a ativistas de direitos humanos, líderes oposicionistas e juízes.

A Anistia ainda pede no documento que o novo presidente investigue as denúncias para “que os abusos cometidos desde o golpe não sejam esquecidos e fiquem impunes”. No entanto, Lobo já declarou que proporá uma lei que anistie delitos políticos que teriam sido cometidos tanto pelos militares como pelos partidários de Zelaya após sua destituição. A lei pode ser aprovada na próxima terça-feira, 2 de fevereiro.

Lobo assumirá o cargo de presidente amanhã, 27. No último dia 20, o presidente eleito assinou um acordo com a República Dominicana que permite a Zelaya seguir para o país vizinho como hóspede.

O ex-candidato presidencial Efraín Diaz afirmou que Porfírio Lobo deu “passos positivos”, mas deixou de tocar em medidas que ele considera fundamentais para o momento político, como a criação de uma Comissão da Verdade para investigar os abusos denunciados pela Anistia Internacional.

Apesar da tentativa de conciliação dos partidários de Zelaya com as forças militares que o depuseram, Porfírio Lobo não teve sua eleição reconhecida por diversos países, entre eles o Brasil. Para a analista política Delma Mejia, o acordo com a República Dominicana faz parte da tentativa de agradar a comunidade internacional, que está em sua maioria contra o processo político que tem ocorrido em Honduras.

Com informações da BBC.



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