Haiti: ONU enfrenta sua pior tragédia

O terremoto que devastou o Haiti esta semana pode se converter no pior desastre para a Organização das Nações Unidas nesse país, onde seu pessoal passa de nove mil pessoas, entre soldados das forças...

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O terremoto que devastou o Haiti esta semana pode se converter no pior desastre para a Organização das Nações Unidas nesse país, onde seu pessoal passa de nove mil pessoas, entre soldados das forças de paz e funcionários internacionais e locais. A ONU se prepara para a pior das situações possíveis, na qual sofreria mais de cem baixas devido ao tremor de terra de sete graus na escala Richter ocorrido na terça-feira.

A devastação do Haiti pode ser “uma das tragédias mais horríveis na historia das forças de paz da ONU”, disse Alain Leroy, secretário-geral adjunto para Operações de Manutenção da Paz. A Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), criada em junho de 2004, tinha cerca de três mil soldados e policias em Porto Príncipe e arredores, onde houve os maiores danos, e outros seis mil distribuídos no resto do país.

O Hotel Christopher, que funcionava como sede da ONU no Haiti, desmoronou e possivelmente haja entre cem e 150 pessoas sob seus escombros. Susan Malcora, secretária-geral adjunta do Departamento de Apoio no Terreno, apenas confirmou até quarta-feira 16 vitimas fatais, sendo 11 do Brasil, três da Jordânia, uma da Argentina e outra do Chade, além de 56 feridos.

Ao mesmo tempo, informou que estão desaparecidos outros 150 funcionários, entre eles o representante especial no Haiti, Hedi Annabi, o oficial da ONU de maior status nesse país. Leroy disse aos jornalistas que não podia confirmar se Annabi estava com vida. A ONU havia sofrido uma de suas maiores perdas humanas em agosto de 2003 com o atentado à bomba contra sua sede em Bagdá, quando morreram 22 de seus funcionários, entre eles o representante especial no Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, e sua chefe pessoal, Nadie Younes.

Se as previsões no Haiti se confirmarem, ofuscarão completamente a tragédia de Bagdá. Até a noite de quarta-feira, a ONU não podia dar nenhum número preciso sobre vitimas devido ao corte das telecomunicações entre Nova York e Porto Príncipe. “Ainda não temos o número de mortos ou feridos, mas tememos que possa chegar a centenas. Os serviços médicos estão atolados de trabalho atendendo os feridos”, disse na terça-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

A ONU também tinha dezenas de funcionários que não pertenciam à missão de paz, inclusive do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, do Fundo das Nações Unidas para a Infância, da Organização Mundial da Saúde e do Programa Mundial de Alimentos. Ban disse que a informação sobre o alcance completo dos danos era escassa.

O reconhecimento inicial e as avaliações aéreas deixaram claro que o tremor teve um efeito devastador na capital, enquanto o resto do país não parece ter sofrido maiores danos, disse Ban. “Como sabem, os prédios e a infrestrutura sofreram graves danos em toda a capital. Os serviços básicos, como água e eletricidade, deixaram de funcionar quase completamente”, acrescentou. O secretário-geral adjunto para Assuntos Humanitários, John Holmes, disse à imprensa que a ONU também está muito preocupada com a população de Porto Príncipe e seus arredores, em geral.

“Estamos fazendo os maiores esforços possíveis para começar a operação humanitária”, disse Holmes. A prioridade são os trabalhos de busca e resgate, porque muitos estão sob os escombros, não só nos prédios da ONU, mas em toda parte, disse. “Sabemos que há equipes de busca a caminho dos Estados Unidos, China, França, República Dominicana e outros países”, acrescentou.

Por IPS/Envolverde



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1 comment

  1. Artur

    Lamentamos muito o que ocorreu no Haiti!! nós brasileiros estamos com a consciência tranquila ajudamos no que pudemos, o Brasil está dando um banho nos americanos em questão de humanidade e de assistência ao povo Haitiano!!!

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