Honduras: após posse de Lobo, continuam violações aos direitos humanos

Ao que tudo indica, a posse de Porfirio Lobo, presidente eleito nas questionadas eleições de novembro passado, não resultou em uma mudança significativa na situação de Honduras. Em menos de um mês após Lobo...

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Ao que tudo indica, a posse de Porfirio Lobo, presidente eleito nas questionadas eleições de novembro passado, não resultou em uma mudança significativa na situação de Honduras. Em menos de um mês após Lobo assumir o poder do país, o Comitê de Familiares de Detidos Desaparecidos em Honduras (Cofadeh) já registrou 254 violações aos direitos humanos.

Isso, de acordo com relatório do Comitê divulgado na última terça-feira (23), equivale a cerca de nove casos de violações por dia. Segundo Cofadeh, em apenas 28 dias, registrou-se: 53 detenções ilegais, duas agressões sexuais, dois assassinatos, oito casos de torturas, dois sequestros, 14 invasões de domicílio, e 23 bairros perfilados como resistentes pelas forças de segurança foram batidos. Além disso, mais de 150 pessoas saíram do país como refugiados políticos.

Os assassinatos de militantes políticos contra o golpe também têm tornado-se uma realidade comum no governo Lobo. De acordo com comunicado da Organização Internacional de Direitos Humanos pelo Direito a Alimentar-se (Fian), pelo menos três membros da resistência morreram no atual regime: Vanesa Zepeda, Julio Fúnez Benítez e Claudia Larissa Brizuela.

Claudia Brizuela, por exemplo, era filha de Pedro Brizuela, dirigente popular e membro da resistência. Segundo informações de Fian, a militante foi assassinada com arma de fogo na frente dos filhos, "o que confirma que todos estes feitos de terror têm em comum a finalidade de desanimar os/as cidadãos/ãs que de opõem ao atual despotismo".

A morte da integrante da resistência também foi destacada no comunicado divulgado hoje (25) pela Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP): "Condenamos o assassinato de Claudia Brizuela, membro ativo da Frente Nacional de Resistência Popular na cidade de San Pedro Sula. Responsabilizamos os corpos de segurança do Estado por este feito que nos enche de luto, mas que se converte em mais uma razão para buscar justiça e derrotar a ditadura terrorista implantada pela oligarquia e pelo imperialismo".

As agressões físicas não são as únicas violações aos direitos de hondurenhos e hondurenhas cometidas pelo governo de Porfirio Lobo. Segundo comunicado da FNRP, a estabilidade trabalhista de milhares de funcionários públicos também está ameaçada pelas ações de Lobo, quem também suspendeu a merenda e a matrícula escolar gratuita.

"Denunciamos o enorme latrocínio dos recursos do Estado que se vem dando de maneira contínua desde o golpe de Estado; concessões dolosas, contratos leoninos, e roubo flagrante dos fundos públicos. Atos que estão sendo imputados exclusivamente na fase da ditadura encabeçada por Roberto Micheletti, mas que se seguem no regime de fato de Pepe Lobo para beneficiar a classe social privilegiada que usurpa o poder", acrescenta a Frente.

Por Adital.



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