Houtart: mais que financeira, crise também é social, alimentar, climática e energética

O belga François Houtart, do Fórum de Alternativas e membro do Conselho Internacional do FSM, defendeu a crise mundial não é só financeira, mas também social, alimentar, climática e energética com todas as suas...

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O belga François Houtart, do Fórum de Alternativas e membro do Conselho Internacional do FSM, defendeu a crise mundial não é só financeira, mas também social, alimentar, climática e energética com todas as suas consequências. Por isso, o Fórum Social Mundial não pode defender apenas a regulamentação do mercado. "Precisamos de propostas alternativas à lógica do capitalismo, que é a causa das crises, e o FSM é o local onde podemos chegar a elas", sustenta.

O ativista faz parte da Alta Comissão da ONU para rever o sistema financeiro global. Ele conta que, nas conversas com os outros integrantes, só se trabalha com a possibilidade de regular o mercado. "Eu pergunto: reformar para quê? Para que as empresas automobilísticas voltem a produzir carros poluentes e a dominar a vida de cidades inteiras?" Até grandes investidores ouvidos pela comissão chegaram a defender a extinsão dos paraísos fiscais, uma das primeiras bandeiras erguidas pelos movimentos do FSM.

"O Fórum Social Mundial é uma bagunça, é desorganizado, mas existe", comemora. "Há dez anos, o único fórum mundial era Davos, hoje é diferente." O encontro representou o começo da criação de uma consciência global de mudança e permitiu a criação e o fortalecimento de redes. Apesar disso, ele acredita que é preciso autocrítica para reconhecer que o Fórum poderia ter feito mais.

Para fazer do Fórum o espaço em que se formulam essas alternativas, ele defende que se formem redes de redes, para fazer com que movimentos de diferentes temáticas tracem objetivos comuns. Outro ponto apontado por Houtart foi a necessidade de os movimentos se relacionarem com partidos políticos, porque algumas das mudanças desejadas pelo movimento necessitam do Estado. "A necessidade de afirmação de autonomia dos movimentos sociais e ONGs em relação aos partidos trouxe uma rejeição da política por parte de alguns grupos em algumas partes do mundo", explica. Ela ressalva que isso não ocorre com tanta frequência na América Latina.



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