IDEC defende restrição da publicidade infantil de fast-food

A publicidade de redes de fast-food e de alimentos não-saudáveis para crianças utilizam de estratégias que misturam o mundo do entretenimento e o dos negócios perante o público infantil. É o que afirma a coordenadora executiva do...

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A publicidade de redes de fast-food e de alimentos não-saudáveis para crianças utilizam de estratégias que misturam o mundo do entretenimento e o dos negócios perante o público infantil. É o que afirma a coordenadora executiva do IDEC, Lisa Gunn, sobre o uso de personagens de desenho animado, mascotes da marca, brinquedos e brindes para estimular a venda de alimentos geralmente com alto teor de gordura, açúcares e sais. "Quando entra um personagem de desenho, a criança de até 12 anos não tem capacidade de diferenciar a mensagem publicitária de um programa de entretenimento", avalia.

A Consumers International (CI) realizou uma pesquisa neste ano em que levantou técnicas publicitárias utilizadas pelas maiores redes de fast-food no planeta para conquistar o público infantil. Dos 14 países pesquisados, em todos adotam-se práticas apelativas promovendo alimentos não-saudáveis às crianças. Para Lisa, a publicidade infantil explora a vulnerabilidade das crianças e, por isso, deve ser restringida. "O Código de Defesa do Consumidor destaca a vulnerabilidade do consumidor. No caso das crianças, fala-se em hiposuficiência, porque se o consumidor comum tem menos informação e menos poder, as crianças têm uma fragilidade muito maior, porque ela não tem capacidade de avaliar criticamente uma campanha publicitária".

Apesar do foco das discussões se manter na publicidade televisiva, Lisa lembra que outras mídias também devem ser regulamentadas, como a internet. "Quando falamos da não utilização de personagens, de brindes, brinquedos, jogos, não falamos só do meio televisivo, mas das diferentes mídias", defende. Para Lisa, o foco da regulamentação deve ser a campanha publicitária como um todo.

O incentivo ao consumo de alimentos não-saudáveis tem se tornado um problema de saúde pública. De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, 30% de nossas crianças estão com sobrepeso e metade delas são obesas. Especialistas afirmam que a doença já pode ser considerada uma epidemia moderna. Alguns países vem adotando medidas restritivas à publicidade de alimentos para crianças para prevenir o aumeno da obesidade infantil.

Lisa lembra que a restrição a esse tipo de publicidade deve ser feito conjuntamente a uma restrição na produção e comercialização desses produtos. A pesquisa da CI constatou que os kits alimentação para crianças apresentam altos índices de gorduras totais, saturadas e de sódio. Apesar da mudança no cardápio de algumas redes, a CI entende que as refeições ainda não oferecem uma opção saudável.

O crescimento da má alimentação durante a infância tem aumentado o número de crianças hierptensas e obesas o que, segundo Lisa, já se configura caso de saúde pública. "É durante a infância que a gente forma os hábitos alimentares", lembra. "Isso vai ter impacto não só para a saúde dos consumidores, mas também impacto econômico. Vai ter que ter um sistema de saúde e uma previdência social arcando com os custos de uma popuçação doente. As empresas não veem isso, e vai cair um custo para sociedade como um todo".

Algumas empresas já são signatárias de acordos de autoregulamentação que os impede de promover alimentos não-saudáveis entre crianças de menos de 12 anos. Apesar dos acordos de auto-regulação do setor privado, Lisa ainda defende que haja uma regulamentação estatal. "Essas iniciativas não são eficientes, senão não haveria as práticas que ainda tem. Precisa ter o papel do Estado como regulador e fiscalizador", diz. Mesmo porque, "cada empresa define o que é saudável", afirma, o que dificulta a regulamentação já que os padrões são diferentes.

Projeto de Lei

A publicidade infantil tem sido tema de debates na Câmara, onde tramita um projeto de lei (PL) de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) que proíbe a publicidade dirigida às crianças. Na Comissão de Defesa do Consumidor, o projeto foi ampliado, vedando inclusive a participação de crianças em vídeos publicitários. Na semana passada, o PL passou pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (CDEIC), onde o texto foi alterado novamente, desta vez apenas regulamentando a publicidade considerada abusiva.
"Existem pressões muito fortes (contra o projeto), tanto da indústria de alimentos como das agências de publicidade", aponta Lisa. "Temos que considerar que a proposta não pode ser considerada como censura, como andam dizendo, que na verdade a publicidade abusiva já é vedada".



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2 comments

  1. Artur

    Ótimo fast food ou comida rápida é um veneno para saúde das crianças essas propaganda a tempos já mereciam restrições assim com a de bebidas alcóolicas para adultos também colocando diversos tipos de imagens coloridas, brinquedos, mulheres bonitas tudo para enganar os consumidores ou melhor as crianças e adultos!!!

  2. Artur

    Ótimo fast food ou comida rápida é um veneno para saúde das crianças essas propaganda a tempos já mereciam restrições assim com a de bebidas alcóolicas para adultos também colocando diversos tipos de imagens coloridas, brinquedos, mulheres bonitas tudo para enganar os consumidores ou melhor as crianças e adultos!!!

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