Jogando "em casa", Dilma paticipa do FSM como candidata

Na tarde desta quinta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, teve momentos de candidata a presidente da República durante sua participação na mesa “Mulheres nos espaços do poder”, durante o Fórum Social Mundial...

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Na tarde desta quinta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, teve momentos de candidata a presidente da República durante sua participação na mesa “Mulheres nos espaços do poder”, durante o Fórum Social Mundial 2009. Na prática, o tema que motivava a mesa não foi tão abordado como poderia, em função de todas as atenções estarem voltadas para Dilma. 

Saudada aos gritos de "Brasil, urgente. Dilma presidente", a ministra assistiu a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), abrir a mesa. Ela até chegou a falar sobre a participação feminina na política, associando parte das críticas que sofre a preconceitos sobrepostos. "Não me discriminam somente por ser mulher, mas por se mulher de esquerda, mulher do PT", argumentou.
 
Boa parte do seu tempo também foi usado para defender seu governo e anunciar a conclusão de obras como o asfaltamento da BR-163, tema bastante polêmico no FSM e motivo de algumas mesas de debates. A governadora chegou a citar três vezes o nome de Dilma como futura presidente, em sua fala. Algo constrangida, a ministra teve que ser puxada pela governadora para abraçá-la ao fim de seu discurso. 

A titular da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéia Freire, centrou sua intervenção no tema da mesa, sem mencionar a possível presidenciável petista. Citou a reforma política como algo fundamental para garantir a igualdade de participação de homens e mulheres, fazendo a defesa das listas fechadas com cotas de mulheres candidatas e financiamento público de campanha para que elas possam reduzir as condições de desigualdade nas campanhas eleitorais.

Fátima Cleide, senadora petista de Rondônia, ressaltou um ponto importante na questão da educação e reafirmou a necessidade de o STF efetivar a Lei do Piso, sancionada pelo presidente Lula. 

Ditadura
Ao abrir sua fala, Dilma relembrou seu início de militância política, durante a ditadura militar. "Estou feliz por estar em uma tenda que homenageia os 50 anos da Revolução cubana, que fez parte da minha formação política", disse. Destacou a importância do governo Lula ter criado a secretaria ocupada por Nilcéia Freire, lembrou de personalidades históricas da esquerda como Sérgio Buarque de Holanda, Florestan Fernandes e Mário Pedrosa e comparou a eleição de Lula a um "rio com afluentes" onde se encontram o PT, os movimentos sociais e os partidos populares. 

Dilma defendeu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Querem apresentar o PAC somente como uma lista obras, mas ele é um projeto político de distribuição de riquezas". Ela também ressaltou a mudança de postura do governo Lula em relação aos países da África e América do Sul, saudando presidentes do continente à esquerda e qualificando o presidente venezuelano Hugo Chávez como uma "liderança progressista e preocupada com o seu povo". 

A ministra também repetiu o presidente LUla em discursos, ao dizer que o Brasil estava mais preparado para a crise do que em ocasiões anteriores, quando recorria ao auxílio do Fundo Monetário Internacional (FMI). Atacou os defensores do "fundamentalismo de mercado" e vaticinou: "O mercado tem que ser regulado sim, outro modelo é possível". 

Ao final, Dilma sorriu, tirou fotos e distribuiu autógrafos em credenciais, agendas, boné do MST e até mesmo em uma camisa da Tuna Luso, equipe local. Para desespero dos jornalistas que a aguardavam, foram 18 minutos de espera. E a certeza que a candidata já está em campanha.



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