Khaled Meshall, do Hamas: "Gaza está em pé e resiste."

O líder do Hamas, Khaled Meshall, exilado na Síria, fez declarações fortes a respeito da indisposição do grupo palestino em negociar com Israel sem que termine a ocupação dos territórios. Confira o depoimento de Meshall...

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O líder do Hamas, Khaled Meshall, exilado na Síria, fez declarações fortes a respeito da indisposição do grupo palestino em negociar com Israel sem que termine a ocupação dos territórios. Confira o depoimento de Meshall à TV de Damasco e os comentários de Mike Whitney, do Counterpunch:

"Os Qassams estão derrotando os F-16. Não deixa de ser espantoso constatar isso."
Mike Whitney, Counterpunch, em análise no Counterpunch.

Khaled Meshall, do Hamás (10/1/2009, pela televisão, de Damasco, em programa exibido pela PressTV):

“Exigimos imediata e completa retirada do exército israelense e o fim do inadmissível bloqueio de Gaza, que levou à situação que Israel enfrenta hoje.

Exigimos também a abertura de todos os postos de fronteira, inclusive o de Rafah. Isso feito, discutiremos, de coração aberto, todas e quaisquer propostas e iniciativas para uma trégua.

Mas não aceitaremos negociar qualquer trégua e a resistência continuará, enquanto perdurar a situação atual de ataque militar por Israel e sítio de Gaza.

Suspendam os bombardeios, retirem seus soldados, reconheçam e respeitem o direito de ir e vir dos palestinenses, reconheçam nossos direitos de viver sem bloqueio e com fronteiras abertas, como quaisquer seres humanos em todo o mundo, e, então, discutiremos alguma trégua, como já fizemos – e trégua que respeitamos, como sempre respeitamos, no prazo acordado.

Em nenhum caso aceitaremos trégua permanente, porque seria negar aos palestinenses o direito de defender e resistir à ocupação e aos ataques de Israel. Os palestinenses estão em luta de resistência à ocupação militar e a ataques repetidos pelo exército de Israel. Enquanto existir ocupação, haverá resistência.

Em nenhum caso aceitaremos a interferência de forças internacionais na Palestina, porque forças internacionais aqui virão para proteger a ocupação e colaborar com Israel.

Nenhuma força internacional ofereceu-se, até agora, para lutar ao lado dos palestinenses contra a violenta agressão por Israel, contra Gaza, mesmo depois de 15 dias de ataque contra a Palestina e seu governo eleito. Portanto, qualquer força internacional que se apresente na Palestina, será combatida como força de ocupação.

Não aceitaremos qualquer tipo de discussão sobre alguma "limitação" a ser imposta à resistência e às armas que tenha e os meios pelos quais a resistência obtém suas armas.

Fala-se sobre os túneis, como se Gaza fosse uma superpotência e os túneis fossem autoestradas pelas quais circulam veículos de última geração, transportando armamento de última geração. Somos um povo pobre, sob ataque de um milionário exército de ocupação. Temos limitada capacidade de defesa e é direito dos palestinenses defenderem a vida, suas famílias e suas propriedades, além do próprio território.

Ninguém tem qualquer direito de tentar limitar o legítimo direito de defesa e resistência dos palestinenses. Não, com certeza, enquanto os EUA continuam a fornecer armamento, centenas de toneladas de explosivos, combustível explosivo e armamento pesado de artilharia a Israel, como se Israel já não tivesse armamento suficiente para destruir várias vezes a Palestina.

Apesar disso, Israel ainda não destruiu a Palestina, mesmo depois de 15 dias de bombardeio intenso contra população cercada. A Palestina ainda existe, porque resiste.

Alguns tem expressado medo de que, depois de todo o sacrifício que a resistência já nos custou, até aqui, a liderança da resistência desista, entre em colapso ou aceite qualquer acordo.

Digo-lhes que não. A resistência continuará. O sacrifício de nossas mulheres e filhos será respeitado e alimenta nossa coesão e nossa determinação de resistir.

Em nenhum caso, depois de termos resistido, como até aqui, em luta contra um dos maiores exércitos do mundo, depois de a resistência ter sobrevivido à chacina e ao massacre que o mundo está vendo acontecer, aceitaríamos qualquer trégua ou qualquer acordo que nos tentem impor.

Exigimos imediata e completa retirada do exército israelense e o fim do inadmissível bloqueio de Gaza, que levou à situação que Israel enfrenta hoje.

Exigimos também a abertura de todos os postos de fronteira, inclusive o de Rafah. Isso feito, discutiremos, de coração aberto, todas e quaisquer propostas e iniciativas para uma trégua.

Lutaremos até o fim do bloqueio de Gaza e da ocupação. Gaza só existirá enquanto resistir. Gaza está em pé e resiste."
("Resistance is all we have in Gaza", Press TV, 13/9/2009, in "Has God Changed His Mind?" – Israel‘s Moral and Political Insanity, Mike Whitney, Counterpunch)

COMENTÁRIO de Mike Whitney, Counterpunch):

Meshaal sabe que Israel não quer reocupar Gaza. Sabe também que o ministro da Defesa, Ehud Barak, aproxima-se rapidamente de um beco sem saída, porque já não há saída fácil para o exército de Israel, afundado cada dia mais, numa guerra que Israel não está conseguindo decidir com a necessária rapidez; e com as eleições cada vez mais próximas.

O plano que levou a essa guerra previa destruição rápida da estrutura administrativa do Hamás e o fim dos Qassams. E é IMPOSSÍVEL esconder, mesmo de uma mídia parcial e desfibrada, que a resposta dos Qassams não foi detida: os foguetes são vistos no céu.

Destruído o Hamás e com os Qassams neutralizados, o plano de Barak, Livni e Olmert previa rapidamente instalar guardas da Autoridade Palestinense & Abbas na passagem de Rafah. O efeito eleitoral estaria obtido, no público interno; e, com os túneis fechados, estaria completo o bloqueio de sufocamento de Gaza.

Seria perfeito – não estivesse ativada uma resistência que Israel NÃO ESPERAVA encontrar. Da resistência, portanto, depende muito, inclusive o destino dos planos eleitorais da macabra trinca que está no governo em Israel. Quanto mais tempo o Hamás resiste, maior é o problema de como pôr fim à guerra. Esse, hoje, é o problema de Barak, Olmert, Livni. Dentro de uma semana, esse será o problema de Obama.

Não deixa de ser espantoso perceber que, sim, os Qassans – praticamente rojões, precaríssimos, praticamente de fabricação doméstica e disparados dos quintais – estão, hoje, derrotando os F-16 de Israel.



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1 comment

  1. Ricardo Ibrahim

    Ah, que bom que não tem nenhum comentário. Mostra que tanto bobagem assim não merece nem ser comentado…O povo morrendo e o gostosão la em Damasco dizendo: vamos resistir até o fim. EH O FIM DA PICADA. E tem gente que ainda publica esta baboseira como se fosse uma grande virtude….

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