Mais de 150 mil na vigília pelos 20 anos do massacre de Tiananmen

Mais de 150.000 pessoas juntaram-se ontem, 4 de Junho, numa vigília na cidade de Hong Kong para recordar os 20 anos do massacre de Tiananmen. As mães das vítimas continuam a pedir verdade e justiça...

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Mais de 150.000 pessoas juntaram-se ontem, 4 de Junho, numa vigília na cidade de Hong Kong para recordar os 20 anos do massacre de Tiananmen. As mães das vítimas continuam a pedir verdade e justiça às autoridades de Pequim, que continuam sem lhes responder.

Este ano, o regime preocupou-se em censurar a internet, enquanto o jornal oficioso em língua inglesa, Global Times, publicou um artigo sobre o "incidente de 4 de Junho".

Para Han Dongfang, um dos líderes do movimento de protesto de 1989, que atualmente vive em Hong Kong e luta pelos direitos dos trabalhadores na China, nos últimos dez anos tem havido uma forte elevação do número de pessoas que se manifestam neste dia, o que, segundo ele, mostra que o espírito de Tiananmen perdurou.

"Hoje, um grande número de chineses considera as manifestações como um meio de reivindicar os seus direitos usurpados por responsáveis corruptos, negociantes desonestos e empresários sem escrúpulos", disse ele à comunicação social.

Para as autoridades de Pequim, o movimento de protesto de 1989 da Praça Tiananmen e a sua repressão a 4 de Junho continua a ser um assunto tabu. Segundo um relatório policial de Pequim, teriam morrido 241 pessoas, mas as autoridades chinesas nunca publicaram qualquer balanço.

As mães de Tiananmen, um grupo que junta 128 pessoas, continua a pedir às autoridades chinesas verdade e justiça. Ding Zilin, a fundadora deste movimento e atualmente com 72 anos, diz que chegou a confirmar 195 mortos, através dos familiares dos assassinados que com ela foram contactando. Este ano as autoridades, que a vigiam constantemente, pediram-lhe que saísse de Pequim, o que ela recusou. A um jornalista francês afirmou: "Toda a minha vida roda à volta do 4 de Junho. Não acredito que veja reconhecida justiça. Mas nunca desistirei". O seu filho, Jiang Jielian, tinha 17 anos quando foi assassinado às 23 horas do dia 3 de Junho de 1989.

Este ano o regime preocupou-se sobretudo com a internet e em particular com as redes sociais, bloqueando o twitter e outras redes.

No jornal Global Times, peridódico em língua inglesa ligado ao Diário do Povo, órgão do partido comunista, foi publicado um artigo que se debruça sobre o que chama os 20 anos do "incidente de 4 de Junho".
Nele, é reconhecido que o assunto é tabu na R. P. da China, que as notícias sobre os acontecimentos estão bloqueadas na internet chinesa e é dito que vários universitários e empresários se recusaram a falar sobre o tema. Salientando que muitos dos que participaram no movimento de Tiananmen em 1989 são atualmente professores universitários, industriais ou governantes, o artigo defende como tese fundamental que na altura o regime tomou a melhor decisão para que 20 anos depois a China se tenha tornado na terceira potência econômica mundial.

PorEsquerda.net.



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